“É triste ver quem não conheceu defender a ditadura”, diz filho de Jango

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Leandro Prazeres, via Portal UOL em 4/5/2015

O filho do ex-presidente da República João Goulart, João Vicente Goulart, disse que “é muito triste ver pessoas que não conheceram defenderem a volta da ditadura militar”. A declaração foi feita durante sessão solene no Congresso Nacional realizada nesta segunda-feira, dia 4/5, em homenagem ao ex-presidente deposto por um golpe militar em 1964. “Você não pode pregar uma coisa que você não conhece”, disse João Vicente em referência aos protestos pela volta dos militares que têm ocorrido no país.

João Goulart foi presidente do Brasil entre 1961 e 1964. No dia 31 de março de 1964, ele foi deposto por um golpe militar em meio a diversas manifestações contra Jango, como era conhecido. Entre as principais bandeiras de Jango estavam as chamadas reformas de base como a reforma agrária e bancária.

Após o golpe, ele e sua família partiram então para o exílio no Uruguai e depois na Argentina, onde Jango morreu em dezembro de 1976. Oficialmente o ex-presidente foi vítima de um problema cardíaco, mas as circunstâncias em que sua morte ocorreu ainda estão sob investigação. Suspeita-se que Jango tenha sido envenenado. O corpo de Jango chegou a ser exumado e amostras foram submetidas a exames com técnicos de pelo menos seis países, mas os resultados foram inconclusivos.

Após a sessão solene em homenagem a seu pai, João Vicente Goulart afirmou que há semelhanças entre os protestos que culminaram com a deposição de seu pai e os realizados em 2015 contra a presidente Dilma Rousseff (PT).

“Há similitudes, sobretudo na forma como a imprensa trata o assunto. É muito parecida com a forma como aconteceu em 1964. A oposição ao meu pai era muito grande junto à imprensa”, afirmou.

O filho de Jango diz ainda que as reivindicações feitas por grupos que pedem a volta do regime militar o deixam surpreso e triste que somente quem não conhece como uma ditadura funciona pode defender o seu retorno.

“A grande maioria das pessoas que está fazendo essas manifestações não conhece um regime militar. Não conhece o que é a falta de liberdade, um Congresso fechado, um censor nas redações. Não conhece a falta de habeas corpus, a tortura, o cárcere”, disse.

A sessão solene em homenagem a João Goulart foi convocada pelo PDT e contou com a presença do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e do ministro do Trabalho, Manoel Dias.

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