A dor da gente não sai no jornal

Povo05

Fernando Brito, via Tijolaço em 24/4/2015

Tive muita vergonha de minha profissão, hoje, quando vi a campanha da ONG Teto, voltada para habitação popular.

Ela é uma bofetada no que se tornou a máquina de comunicação neste país.

“O problema não é o que vira notícia, mas o que deixa de ser.”

Não é assim, é pior que isso.

Claro que sempre houve, aqui e em toda parte, o chamado “jornalismo de entretenimento”.

Sou velho o suficiente para lembrar da “Revista do Rádio”, das fotonovelas.

Mas é impressionante o nível de empobrecimento mental que mídia brasileira se esforça – sim, é um esforço ser cínico num país como o Brasil! – em impor ao nosso povo.

Os modelos de “virtude”, os “desejos” e o mundo imbecil da futilidade tornaram-se uma avalanche monstruosa sobre uma população carente que não tem, de outro lado, quem verbalize, senão por oportunismo político, os sofrimentos do povo brasileiro.

A classe média – inclusive a que recém-ascendeu a essa condição – perdeu quase todos os contrapontos políticos e ideológicos que faziam de parte dela uma aliada do nosso povão e, do Brasil, um projeto de país.

Quem se aventura – e são poucos – a dizer que não haverá país sem povo é “sujo” e mandado “ir pra Cuba”.

Aliás, com a ajuda do embrião da estupidez que nos chamava de “populista”.

Quem despreza o Estado, ama o “mercado”.

O “mercado” é a salvação e é por ele e só por ele que virá a perfeição do mundo.

O Estado é a danação corrupta, ineficiente e medíocre.

Os jornais e os jornalistas se tornaram arautos deste futuro desejável, onde as “celebridades” se tornam o modelo de uma existência pródiga e vazia.

Nulidades como as Sheherazades e Joyces se tornam, com seus cabelos louros e lisos, as opiniões nacionais.

E a mídia, “livre”, vomita preconceito e ódio contra os pobres, estes “vagabundos”.

A “liberdade de imprensa” é plena: todos tem o direito e o dever de pensar o mesmo.

Os pobres, afinal, nunca foram notícia, não deixaram, portanto, de sê-lo.

O problema é aquilo que se tornou notícia, a única notícia.

2 Respostas to “A dor da gente não sai no jornal”

  1. Dayse N.Silva Says:

    Lamentavelmente, o nosso País ainda não foi capaz de superar esta nódua histórica: grande “gap” entre a elite rica e poderosa e a classe social dos mais pobres, que já dura mais 500 anos. Os EE.UU. têm mais ou menos o mesmo tempo de história que o Brasil. Contudo, Aquele é um dos países mais ricos do Planeta; e Este, em que pese a sua generosa natureza, tem a maioria de seu povo na pobreza. Aquele foi descoberto pelos Ingleses; Este pelos Portugueses…
    É necessário que nos perguntemos:por que os EE.UU. fizeram o seu salto histórico, distribuindo, de modo mais justo, as suas riquezas e o nosso País ainda não?
    Por quê?

  2. Marcos Pinto Basto Says:

    “Ator é visto comendo pastel” é uma “notícia” do atual jornalismo, mas a notícia sobre os bilhões de Reais sonegados pelos Marinho fica só na nossa imaginação de jornalismo sério!

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