Festa do sobrinho do Lula: Repórter da Veja vira caso de polícia. Vai ter retratação?

Veja_Ulisses_Campbell01

Ulisses Campbell, o DJ que ataca de entregador de livros, estudante da USP e jornalista.

Hoje temos mais um chorumito produzido pelo jornalismo boimate, o beijo no coração do juiz que decidiu guardar os bens de Eike na sua casa, a pujante indústria de boatos liderada pelos Revoltados Online, e um Wando Responde ao comentarista que quer me ver na Papuda.

Via Jornalismo Wando

Choruminho
Na seção Choruminho da semana passada, o repórter da revista Veja Ulisses Campbell brilhou com seu jornalismo investigativo. Ele noticiou, com riqueza de detalhes, que um sobrinho de Lula de 3 anos daria uma festa de R$200 mil num buffet de luxo em Brasília. Mas o fato é que o tal sobrinho mora em Sorocaba, não terá essa festa nababesca e o repórter teve o seu boimate particular.

Bom, eu não queria ser repetitivo, mas não teve como não premiá-lo novamente com o Troféu Choruminho. Vocês vão me dar razão.

Ulisses parece ter ficado irritado quando os devaneios de sua reportagem vieram à tona. Decidiu, então, iniciar outra investigação sobre a família de Lula. Arregaçou as mangas e saiu de Brasília rumo ao interior de São Paulo, onde reside o sobrinho de Lula.

Depois de ligar três vezes se passando por personagens diferentes, o jornalista apareceu no condomínio do sobrinho do ex-presidente e se apresentou como um entregador de livros. Bom, depois eu continuo a história. Primeiro leia trechos do boletim de ocorrência registrado pelos familiares de Lula:

“No dia 23/02/2015 Ulisses ligou para o pai do declarante, que é irmão do ex-presidente Lula, passando-se por Pedro, da USP, e buscando informações sobre a família e nomes de sobrinhos e netos do ex-presidente Lula e do pai do declarante. Afirma que após algum tempo inquirindo o pai do declarante o interlocutor finalmente se identificou como Ulisses e disse estar em busca de informações sobre a festa de aniversário, sendo informado da inexistência de tal festa.”

Primeiro o jornalista se passou por “Pedro da USP” para conseguir pescar algumas informações. Sem sucesso, resolveu se assumir como Ulisses e passou a perguntar sobre a festa fictícia que ele havia noticiado uma semana antes. Um tipo de jornalismo que talvez só Freud explicaria.

Segue o B.O:

“Declara que no dia 24/02/2015 a esposa do declarante recebeu uma ligação […] de um homem que disse chamar-se Pedro, de Brasília, representando o Buffet Aeropark, questionando sobre o endereço onde deveria fazer a entrega dos presentes.”

O Pedro da USP virou Pedro do Buffet Aeropark, aquele em que Ulisses afirmou que a família Lula daria uma festa de arromba.

Não se perca, são muitos personagens.

Depois de tentar checar as fontes de uma notícia falsa que já havia dado, o jornalista resolveu encarnar um entregador de livros para conseguir entrar no condomínio:

“Babá dos filhos do declarante ligou para a esposa do declarante, dizendo que um homem teria entrado no condomínio, se passando por entregador de livros […], quando a babá percebeu que o referido indivíduo não entregou livro algum e começou a perguntar sobre os horários de chegada dos moradores, após ter anotado nome, RG e CPF dela, a mesma teria trancado a porta e pedido ajuda para a equipe de segurança do condomínio.”

Segundo nota do Instituto Lula, depois que a funcionária chamou a segurança do condomínio, Ulisses fugiu e foi localizado posteriormente pela Polícia Militar, que o identificou como jornalista da Veja.

Resumindo o roteiro: primeiro o jornalista noticiou com riqueza de detalhes uma festa nababesca que nunca existiu. Depois viajou até Sorocaba junto de três personagens diferentes e invadiu um condomínio. Descoberta sua falsa identidade, fugiu e foi descoberto pela polícia.

Convenhamos, a história está muito mais pra novela das oito do que pra jornalismo. Aliás, esse parece ser mesmo o desejo de Ulisses:

Veja_Ulisses_Campbell02

PS.: Segundo a Folha, o jornalista informou que nem ele nem a revista irão se pronunciar. A Egípcia deve ser o último personagem de Ulisses nesse caso.

Beijo no coração
Você provavelmente já leu sobre o juiz que apreendeu diversos bens do ex-bilionário Eike Batista e escolheu alguns pra levar pra casa.

Antes de ser flagrado desfrutando dos bens confiscados, o magistrado esteve bastante presente na mídia. Deu longas entrevistas, emitiu opiniões e não teve a discrição que se espera de um juiz. Algumas declarações foram muito interessantes:

Pela minha experiência e formação, vou entrar na personalidade dele (ao interrogá-lo). Vou entrar mais fundo na essência dele. Até pelas minhas práticas budistas, tenho muita facilidade de saber quando a pessoa está mentindo ou falando a verdade. Vou esmiuçar a alma dele. Pedaço por pedaço.

E foi com desprendimento budista que o juiz resolveu levar pra casa um Porsche, um Range Rover e um piano. Só não levou a alma.

Eike_Batista03_Juiz_Flavio_Roberto_SouzaDepois de dar entrevistas como um herói da ética e da justiça, o juiz resolveu levar pra casa os bens apreendidos com a justificativa de que lá estariam mais seguros. O caso se apresenta como uma síntese perfeita do Brasil, que vislumbra no horizonte um futuro civilizado, mas ainda patina no chorume patriarcalista do passado.

Após ter flagrado o juiz dando um rolezinho no ex-Porsche de Eike, o jornal Extra tentou contatá-lo pelo telefone. O diálogo é tão engraçado que até parece ter sido escrito para um quadro do Zorra Total:

Procurado por telefone após o flagrante, o juiz não explicou o motivo de estar dirigindo o carro apreendido.
– A ligação está ruim. Não estou te ouvindo – disse.
Logo após, completou:
– Agora estou ouvindo, mas não posso falar pois estou numa reunião.

E, como vocês sabem, Deus perdoa, juiz absolve, mas as redes sociais não:

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Imagem wandalizada
O grupo Revoltados Online, linha de frente do Tea Party brasileiro, sempre foi mais reconhecido pela intensidade da sua revolta do que pela credibilidade das suas informações. Ele já apareceu aqui diversas vezes divulgando informações falsas, falando absurdos e fazendo bons negócios com a luta pelo impeachment.

Depois que militantes petistas e antipetistas se engalfinharam num ato em defesa da Petrobrás promovida por PT e CUT, os Revoltados Online publicaram essa imagem:

Revoltados_Online16_Pit_Bull_Haitiano

Com tanta coisa para se criticar nessa lamentável briga de torcidas organizadas que se formou em frente à ABI, nossos revoltados preferiram criar um factoide pra incendiar ainda mais o lucrativo movimento pró-impeachment.

Vocês conhecem o modus operandi da turma, nem preciso dizer que as fotos acima são de pessoas diferentes.

A primeira foto é de Auguste Lubain, haitiano, pai de duas crianças, que veio para o Brasil em busca de melhores condições para sua família no Haiti. Ele foi entrevistado pelo UOL no ano passado, quando conseguiu tirar a carteira de trabalho brasileira.

Na segunda foto, vemos um militante petista qualquer que, pelo ângulo, até se assemelha ao haitiano. Mas em breve pesquisa encontramos facilmente outra imagem do mesmo militante, em outro ângulo, que não deixa mais dúvidas: não é Auguste Lubain.

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Foto de Reynaldo Vasconcelos/Futura Press

Em seu perfil no Facebook, o haitiano informa que mora no interior de Santa Catarina e trabalha na Aurora Alimentos. Está empregado e mora bem longe do Rio de Janeiro.

A publicação associando o haitiano à confusão no ato em favor da Petrobras teve quase 40 mil compartilhamentos. Ou seja, a imagem de um batalhador, um pai de família, está sendo espalhada na internet ao lado dos seguintes dizeres: “Sociopata haitiano contratado por Lula para espancar brasileiros que querem o fim dos roubos”, “pitbull haitiano”, “contratado para fazer o mal”. É assim que Lubain está sendo retratado.

Muitos seguidores da página perceberam a farsa e questionaram. Depois de muito enrolar e não apresentar nenhuma prova, o grupo deu uma resposta curiosa para um revoltado online que cobrou explicação:

Revoltados_Online18_Pit_Bull_Haitiano

É, gente, vamos parar com essa frescura de ser rigoroso com a veracidade dos fatos e começar a ler mais Reinaldo Azevedo.

Wando responde
Na última WandNews, o amigo-internauta Francisco apareceu pra denunciar meu mau caratismo e desejar a minha prisão. Um sujeito com uma elegância que parece ter sido adquirida nas melhores estribarias suíças:

Jornalismo_Wando02_Francisco

Para quem não lembra da história do boimate, clique nos links abaixo.
Veja: O “jornalismo” ficcional mau caráter para leitores boimate
Veja produz seu segundo caso Boimate

2 Respostas to “Festa do sobrinho do Lula: Repórter da Veja vira caso de polícia. Vai ter retratação?”

  1. Dayse do N. Silva Says:

    O meu Brasil não é Brasil que do midiático;
    O meu Brasil não é Brasil de inverdades e manipulações;
    O meu Brasil não é Brasil de “revival” ditatorial;
    O meu Brasil não é Brasil de pseudo-política;
    O meu Brasil é o Brasil “…de um Povo Heróico, Bravo, Retumbante…”;
    O meu Brasil é o Brasil “…Pátria Amada, Idolatrada, Salve, Salve…” ;
    O meu Brasil é o Brasil do Povo das Liberdades Democráticas;
    O meu Brasil é o Brasil dos Brasileiros;
    O meu Brasil é o Brasil de respeito às Leis e às Autoridades pelo seu Povo eleito, sem exceção;
    O meu Brasil é o Brasil que não aceita regime de exceção;
    O meu Brasil é o Brasil do Povo que se autodermina;
    O meu Brasil é o Brasil de Povo Respeitado;
    Enfim…..

  2. Graça Vieira Says:

    Impossível compreender totalmente o que anda acontecendo nesse país. É uma onda de ódio e de mentiras espalhadas… As pessoas perderam a noção de civilidade, profissionais que nunca ouviram falar em ética, que absurdo!

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