Em seu 35º aniversário, PT enfatiza reforma política, golpismo e combate à corrupção

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Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, o presidente do Uruguai, Pepe Mujica, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam da comemoração dos 35 anos de fundação do PT.

Em discurso, ex-presidente Lula lembrou necessidade de pôr fim ao financiamento de campanhas por empresas. Dilma reafirmou compromisso de investigar denúncias na Petrobras.

Bruno Vieira, via RBA

Na noite de sexta-feira, dia 6/2, Belo Horizonte abrigou a comemorações dos 35 anos do Partido dos Trabalhadores. O evento, realizado no Minascentro (região central da capital mineira), contou com a participação de mais de mil militantes de diversas partes de Minas Gerais e do país.

Do lado de fora, antes do início do ato político, a fila de militantes do PT que desejava entrar para a cerimônia virava a esquina da rua Santa Catarina. Na paralela rua Curitiba, em tom de provocação, militantes pró-Aécio estampavam cartazes com dizeres do tipo “Fora PT” e “Tá chovendo lama”, em referência às denúncias de escândalos da Petrobras. Do lado de dentro, o teatro, que tem capacidade para 1.200 pessoas já se encontrava lotado antes do início.

Programado para as 18h, o evento somente teve início às 19h30. Membros da comitiva nacional do PT estiveram presentes, além do presidente do Instituto Lula, o também mineiro Luiz Dulci e o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (PMDB).

Na mesa diretora, sentaram-se o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, Vagner Freitas (presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores – CUT), Alexandre Conceição (MST), Sibá Machado (líder do PT na Câmara), Cida de Jesus (presidenta do PT em Minas Gerais), Tião Viana (governador do AC), Wellington Dias (governador PI), Camilo Santana (Governador CE), Fernando Pimentel (governador de MG, fortemente aplaudido e saudado pela plateia), Rui Falcão (presidente do PT Nacional), Rui Costa (governador BA), além do o ex-presidente Lula, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica e a presidenta Dilma Rousseff.

Aos brados de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, o ex-presidente Lula fez um discurso atípico: em vez de improvisar, preferiu ler um texto pronto, relatando a história do partido que nasceu em 1980. Recordando as palavras do manifesto escrito na criação do PT, afirmou que a ideia de reforma política já estava presente no documento original de fundação da legenda. “Nós precisamos acabar com o financiamento privado de campanhas. É nesse ambiente que algumas pessoas cometem desvios e enfraquecem a nossa história e nosso partido. Não é inédito, aconteceu no mundo, mas esse processo está chegando ao limite no nosso partido. Não esqueçamos que o PT nasceu para ser diferente.”

Lula ainda ressaltou que a política do partido no governo foi de dinamização do mercado interno e do combate à pobreza. “O PT introduziu uma nova forma de governar, com a participação direta da população nas decisões, por meio do Orçamento Participativo e dos Conselhos para discussão de políticas públicas. Participou também de movimentos sociais de rua, pela redemocratização do país, apresentamos na Constituinte as propostas mais avançadas”, lembrou.

Petrobras
De maneira enfática, o ex-presidente acusou a mídia tradicional de tratar as denúncias de corrupção na Petrobras com o objetivo de criminalização do partido. Ressaltou que todos os casos estão sendo investigados e que não haverá leniência com os corruptores. “Se alguém traiu nossa confiança, que seja punido na forma da lei. Diferentemente dos nossos adversários, o PT não compactua com impunidade”, afirmou.

Lula também fez uma inferência direta à presidenta Dilma, mostrando apoio às suas medidas implementadas para o segundo governo. “Dilma, tenho certeza de que você vai entregar no futuro algo muito melhor do que já foi feito. Faça o que tem que ser feito, quem vai agradecer será o povo do país. Sua obrigação é de governar não para mim ou para o Rui Falcão, mas para o povo brasileiro.”

Comunicação
Dilma abriu sua fala dirigindo um cumprimento especial ao ex-presidente uruguaio, Mujica. Em seguida, a presidenta enfatizou a erradicação da miséria extrema e as mudanças sociais ocorridas nos 12 anos de PT no governo federal. “O objetivo principal dos nossos mandatos foi preparar o Brasil para uma nova etapa de desenvolvimento, com prioridade absoluta em educação. Aqueles que se elevam da pobreza têm na educação uma força fundamental de avançar. Transformar o Brasil numa pátria educadora é transformar o país numa nação desenvolvida neste canto do mundo. O voto popular deu legitimidade para continuarmos as mudanças.”

Sobre a questão econômica, Dilma afirmou que os ajustes que estão sendo feitos “são necessários para ampliar oportunidades e que preservemos todas a prioridades econômicas e sociais no plano social dos governos do PT, meu e do Lula. As mudanças dependem da credibilidade da nossa economia, precisamos garantir a sua solidez. Nós fazemos equilíbrio porque queremos garantir emprego e renda. Não fizemos o que se faz na Europa: desempregar e reduzir renda. Mas chegamos ao limite e é preciso fazer ajustes”.

A presidenta conclamou a militância a divulgar mais e melhor os avanços conquistados pelos governos petistas. “Nós devemos enfrentar o desconhecimento e a desinformação sempre e permanentemente. Não podemos permitir a falsa versão.”

Dilma também conclamou a militância e a sociedade à mobilização por uma reforma política que amplie a representação popular no Legislativo. “Reforma política é tarefa do Congresso mas cabe a nós impulsionar o processo, exigindo, por exemplo, o fim de financiamento empresarial de campanhas eleitorais.”

Depois de passar por temas como o respeito às populações minoritárias, a necessidade de enfrentar o genocídio da juventude negra, a igualdade de direitos entre homens e mulheres e a luta pelo fim da violência contra a mulher, Dilma tocou no assunto do momento: as denúncias de corrupção na Petrobras. “Fomos nós que criamos as condições para que hoje se apurem as todas as denúncias de corrupção”, iniciou.

Ela reafirmou que seu governo continuará patrocinando as investigações na estatal e que os implicados em crimes serão punidos após passarem pela Justiça, mas defendeu a necessidade de preservar a instituição. “A Petrobras é a empresa mais estratégica para o país, a que mais contrata e a que mais investe no Brasil.”

Lembrou ainda que o sucesso da estatal contraria interesses de corporações internacionais e insistiu que seu governo manterá a política de nacionalização da cadeia produtiva de petróleo e derivados. “Vamos acreditar na mais brasileira das empresas do país. Ela só será realmente grande se for cada vez mais brasileira.”

Finalizando a presidenta reforçou a necessidade de se preservar a história construída nos 12 anos do governo do PT e dos 35 anos de fundação do partido. “Diante da crise, sempre tivemos força para reagir. Os que estão inconformados com o resultado das urnas só têm medo da participação popular, eles têm medo da democracia. Mas temos força para resistir ao golpismo e ao retrocesso. Estamos juntos e misturados.”

***

Lula aos golpistas: Vão prestar contas à história
Ex-presidente Lula usa a festa de 35 anos do PT para levantar o ânimo dos militantes; ele disse que todos devem ser orgulhar da história do PT e afirmou que o critério da mídia para noticiar escândalos de corrupção é a criminalização do partido

Lido no Tudo em cima

O ex-presidente Lula fez um discurso de injeção de ânimo na militância no encontro dos 35 anos do PT, em Minas Gerais. Ele criticou a mídia e saiu em defesa das medidas econômicas tomadas pela presidente Dilma Rousseff.

Ao ser chamado para discursar, Lula foi ovacionado pela plateia. “Ontem fiquei indignado, mais do que em outros dias, mas tomei cuidado para não repassar aqui a indignação que fiquei ontem. Seria muito mais simples a PF ter convidado nosso tesoureiro para se apresentar do que ir buscar em casa, seria muito mais simples dizer o que eles estão repetindo o mesmo ritual desde 2005 quando começaram as denúncias que eles chamaram de mensalão.

“Toda quinta-feira sai boato, sexta sai denúncia nas revistas, sábado e domingo massacre na televisão, e na outra semana, começa tudo outra vez”, afirmou logo no início do discurso.

Lula afirmou que o critério da mídia é a criminalização do PT. “Eles trabalham com a convicção de que é preciso criminalizar o nosso partido. Não importa nem se é verdade”, acusou. O ex-presidente Lula destacou trechos de um manifesto de fundação do PT, ressalvando que o PT “contribuiu para transformar este país”. Em defesa do legado do PT, o petista afirmou que “nova política foi acabar com a fome neste país”. Lula disse que “medidas amargas” foram necessárias nos 12 anos de governos petistas.

O ex-presidente disse que o objetivo dos adversários é “querer que o povo nos esqueça”. “Mas, em vez disso, em outubro, o povo preferiu eleger a presidente Dilma”, afirmou.

Lula saiu em defesa das medidas tomadas pela presidente Dilma Rousseff no campo econômico. “A companheira Dilma teve que tomar medidas necessárias, mas temos que pensar que de vez em quando temos que tomar fôlego. Mesmo reclamando nos corredores, Dilma, tenha a certeza de que nós sabemos que o que você vai fazer vai levar o país a um momento muito melhor. Faça o que tiver que fazer, porque por um erro desastroso nosso, quem vai sofrer é o povo mais humilde deste país”, afirmou.

Ainda em discurso, o ex-presidente disse que “a quarta vitória eleitoral consecutiva do PT despertou os mais baixos instintos dos nossos adversários”. “Vencemos, mas a luta está longe de acabar. Nossos adversários não podem dizer qual é o seu projeto, porque é antinacional. Só podem atacar o PT com a arma do ódio”, afirmou.

Ao falar da Operação Lava-Jato, o ex-presidente afirmou que “é a repetição de um filme já conhecido”. “Não há contraditório, não há direito de defesa. O julgamento é feito pela imprensa. Os condenados já estão escolhidos. Eles não estão preocupados com os enormes prejuízos à Petrobras e ao País. O que eles querem é criminalizar o PT e paralisar o País”, afirmou.

Acompanhe neste link como foram os discursos anteriores ao do ex-presidente.

Uma resposta to “Em seu 35º aniversário, PT enfatiza reforma política, golpismo e combate à corrupção”

  1. Dayse Silva Says:

    O Povo Brasileiro é sábio, daí a reeleição da Presidente Dilma para mais um mandato.
    O Povo Brasileiro confia no Governo da Dilma e no Partido dos Trabalhadores.
    É assim que caminham os grandes Povos deste Planeta, com identificação e confiança em suas verdadeiras lideranças.
    Ao nosso futuro como um Povo coeso e confiante!

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