Estelionato eleitoral: Cronologia das pérolas ditas por Alckmin durante a crise hídrica

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Alckmin em evento no Palácio dos Bandeirantes. Foto: Arquivo/Adriana Spaca/Brazil Photo Press

Via Portal G1

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse na quinta-feira, 15/1, ter sido mal interpretado e que tem tomado medidas para garantir o fornecimento de água “sem fechar o registro” para a população. Na quarta-feira, dia 14/1, ele havia admitido que o estado de São Paulo passa por racionamento.

Confira o que Alckmin já declarou sobre o tema durante a crise hídrica

Em 4 de fevereiro de 2014, ele disse que não haveria racionamento no estado.

“Há uma expectativa de chuva a partir do dia 15 de fevereiro. Essa medida tomada [estímulo à economia de água com desconto na conta] e se tivermos chuvas a partir do dia 15, acredito que será suficiente.”
Contexto: Cantareira estava com 21,4 % da capacidade ainda do volume útil da represa. Governo oferecia desconto na conta para quem economizasse no mínimo 20%.

Em 9 de fevereiro de 2014, ele voltou a negar a possibilidade de racionamento.

“Neste momento não haverá racionamento de água. O que estamos fazendo é uma campanha para evitar o desperdício, então entendo que, com essa campanha e todos colaborando, não vai faltar.”
Contexto: Sistema Cantareira havia caído abaixo dos 20% e atingido o menor nível da história. Sabesp classificava o cenário das represas do Cantareira como “preocupante”.

Em 18 de fevereiro de 2014, Alckmin diz que racionamento estava totalmente descartado.

“Hoje está totalmente descartada essa situação [racionamento]. Entendo que essa colaboração da população é crescente.”
Contexto: Cantareira chegou a 18,4%. Governo diz que, em 2 semanas, os moradores atendidos pelo sistema economizaram água suficiente para abastecer uma cidade como Osasco.

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Alckmin durante evento em fevereiro. Foto: Diogo Moreira/Divulgação/Palácio dos Bandeirantes

Em 25 de fevereiro de 2014, pela primeira vez, Alckmin não descarta possibilidade de racionamento em São Paulo.

“Estamos em uma situação excepcional. Estamos trabalhando para utilizar os 400 milhões de metros cúbicos do volume morto, não todo ele, mas uma parte. Não que a gente pretenda utilizar agora, mas deixar tudo preparado para o inverno. Essa [racionamento] é uma decisão técnica da Sabesp que está sendo monitorada dia a dia pela Sabesp e nós vamos decidir mais à frente.”
Contexto: Capacidade dos reservatórios do Cantareira era de 16,9%. Parte da população abastecida pelas represas já recebia água de outros mananciais para diminuir o prejuízo.

Em 26 de fevereiro de 2014, governador volta a descartar racionamento de água.

“Na área que o governo atua não há nenhuma possibilidade de racionamento, mesmo tendo registrado a maior seca dos últimos 84 anos.”
Contexto: Volume do Cantareira era de 16,8%, 0,1 ponto percentual a menos do que o dia anterior.

Em 2 de agosto de 2014, ele diz que racionamento de água seria “atitude irresponsável”.

“Não pretendemos mudar nossa estratégia. A população tem aderido através do uso racional de água e seria uma atitude irresponsável neste momento fazer racionamento.”
Contexto: Sistema Cantareira estava com volume acumulado de 15,1%, já com a primeira cota do volume morto, que acrescentou 18,5% sobre o volume total em 16 de maio. Em julho, a Arsesp afirmou que iria investigar se a Sabesp faz racionamento.

Em 4 de agosto de 2014, já durante a campanha eleitoral, Alckmin disse que a crise estava sob controle.

“Vamos ter agora em setembro novos sistemas entrando em operação e a gente vai tirando [a responsabilidade pelo abastecimento] do Cantareira. Em outubro, novos sistemas estarão entrando em operação. Temos um cronograma todo delineado para assegurar água até a chegada do período das águas novamente. Nós estamos preparados para a seca.”
Contexto: Cantareira estava com 14,9% da capacidade. Regiões inteiras que eram abastecidas pelo Cantareira passam para outros sistemas, especialmente Guarapiranga, Rio Grande, Rio Claro e Alto Tietê.

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Alckmin no debate do 1º turno na TV Globo. Foto: Arquivo/Caio Kenji/G1

Em 30 de setembro de 2014, no debate do 1º turno na TV Globo, Alckmin disse que não falta e não vai faltar água.

“Não falta água em São Paulo, não vai faltar água em São Paulo. Nós estamos trabalhando com planejamento, obras, investimento. […] As mudanças climáticas atingiram a Califórnia, atingiram a Austrália. Vinte por cento dos municípios brasileiros estão em estado de emergência ou de calamidade pública e nós aqui, com 22 milhões de pessoas a 700 metros de altitude, estamos garantindo o abastecimento e com uma grande reserva para frente e investimentos.”
Contexto: Governo é criticado por opositores por Sabesp repartir lucro com acionistas e não ter feito obras emergenciais e estruturantes.

Em 30 de setembro de 2014, em entrevista à Folha de S.Paulo, descartou racionamento mesmo com chuva abaixo da média.

“Não. Nós não precisamos ter chuva abundante. Pode até chover menos do que a média que ultrapassaremos o novo período seco. Por quê? Porque temos as demais represas bem cheias, temos sistemas de substituição crescentes e há mais reserva técnica.”
Contexto: Às vésperas das eleições, candidatos de oposição cobram transparência no alerta sobre a gravidade da crise e avisam sobre risco de racionamento após as eleições.

Em 6 de outubro de 2014, já reeleito, Alckmin garantiu que não haverá racionamento.

“[Temos] o bônus [na conta], que vai ser mantido inclusive no período das águas, e temos uma segunda reserva técnica. As obras estão prontas.”
Contexto: Represas do Cantareira chegam a 5,8 % da capacidade, contando o volume útil e a primeira cota do volume morto.

Em 26 de outubro de 2014, Alckmin diz que não vai ter racionamento após eleições.

“Uso eleitoral, é óbvio que houve pelos adversários, que tentaram a todo momento tirar proveito político de uma seca que não atingiu só São Paulo, atingiu Minas Gerais e outros estados.”
Contexto: Em 23 de outubro, uma segunda cota do volume morto foi incorporada ao Cantareira e o índice subiu de 3% para 13,6%. Chuva ficou abaixo do esperado.

Em 29 de outubro de 2014, Alckmin mais uma vez descartou a adoção do racionamento.

“Não há necessidade. Já adotamos os bônus para quem economizar e não criamos problemas para a população. Se você ouvir os melhores técnicos e professores do país, eles vão dizer que isso não é adequado. Um racionamento é socialmente injusto e tecnicamente inadequado.”
Contexto: Alckmin diz que a utilização da 3ª cota não está nos planos do governo. Volume das represas está em 12,7% da capacidade.

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Alckmin concede coletiva após encontro com Dilma. Foto: Arquivo/Joel Rodrigues/Frame/Estadão Conteúdo

Em 10 de novembro de 2014, Alckmin afirma que o abastecimento estava garantido para 2015.

“Não há esse risco [de racionamento]. Nós já temos repetido isso desde o início do ano, nós temos em São Paulo um sistema extremamente forte e nós nem entramos na segunda reserva técnica do Cantareira.”
Contexto: Cantareira tem 11,3% da capacidade. Alckmin vai ao governo federal e diz que o estado precisará de R$3,5 bilhões para a construção de oito “grandes” obras que servirão a partir de 2015 para o enfrentamento da crise de água.

Em 18 de dezembro de 2014, governo anuncia multa para quem aumentar consumo.

“Queremos que os 20% que ainda não reduziram o consumo, que o façam. A medida não tem caráter arrecadatório nem punitivo, mas educativo.”
Contexto: Volume do Cantareira está em 6,9%. Governo acredita que, com multa, haverá mais economia.

Em 14 de janeiro de 2015, Alckmin admite pela primeira vez que há racionamento.

“O racionamento já existe. Quando a ANA [Agência Nacional de Água] determina que você que tem de reduzir de 33 para 17 [metros cúbicos por segundo] no Cantareira é óbvio que você já está em restrição. Está mais do que explicitado.”
Contexto: Nível do Cantareira está em 6,3%. Sabesp passa a retirar 13 metros cúbicos por segundo de água das represas, contra 33 antes da crise hídrica.

Em 15 de janeiro de 2015, Alckmin agora diz que multa busca “evitar o racionamento”.

“Esta tarifa contingenciada [multa] que foi aprovada visa exatamente evitar o racionamento. O objetivo dela é que todos ajudem. […] Nós estamos evitando o racionamento. O que é racionamento? É você fechar o registro. […] atendemos à exigência da Ana e evitamos o racionamento para o consumidor final.”
Contexto: Cantareira está com 6,2% da capacidade após esgotar volume útil e o primeiro volume morto.

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Alckmin durante evento da PM. Foto: Nilton Fukuta/Estadão Conteúdo

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Uma resposta to “Estelionato eleitoral: Cronologia das pérolas ditas por Alckmin durante a crise hídrica”

  1. José Jésus Gomesde Araújo Says:

    E foi reeleito no primeiro turno. Se fosse do PT… Que estranha
    blindagem cobre os tucanos no Brasil?

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