É hora de Fernando Haddad coordenar a luta contra a falta de água

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Luis Nassif

É hora do prefeito de São Paulo Fernando Haddad assumir a articulação das ações dos 35 municípios que compõe a região metropolitana para enfrentar a falta d’água.

Há um enorme desafio pela frente, de mobilização da opinião pública, de articulação de um plano de contingência contemplando todos os setores, uma verdadeira economia de guerra.

O comando deveria ser do governador Geraldo Alckmin. Mas ele se enredou em um escapismo doentio. Criou uma miragem – a de que ad chuvas viriam para salvá-lo, que o racionamento jamais seria necessário – e não consegue se livrar. Segundo o vice-governador Márcio França comentou nas comemorações do aniversário da cidade, Alckmin estaria até somatizando os problemas atuais.

Há mais de um ano deveria ter sido iniciada a mobilização e nada foi feito.

E não se trata de um trabalho meramente técnico. Mais do que nunca há a necessidade do mandatário se apresentar. Ele tem o mandato popular para falar com todas as forças do estado ou município.

Alckmin decididamente abdicou dessa responsabilidade. Hoje haverá reunião do prefeito de São Paulo Fernando Haddad com os 35 prefeitos da macrorregião.

Haddad é cheio de dedos para não avançar além de suas atribuições. Mas não poderá fugir da responsabilidade de ocupar o vácuo deixado por Alckmin. Há um ano tenta-se em vão chamar o governo do Estado para reuniões com os 35 municípios. Durante todo o ano passado houve um boicote intencional a qualquer tentativa de se mover para enfrentar a crise.

O primeiro ponto no plano de contingência é recriar os fóruns de participação e convocar todos os setores relevantes: rede hospitalar, associações empresariais, ONGs, movimentos populares.

Os municípios precisam exigir o restabelecimento dos Comitês de Bacia, esvaziados na gestão Alckmin e que são os locais, por excelência, para as discussões gerais sobre a água.

Esses conselhos deliberarão sobre o plano de contingência que deverá, inicialmente, mapear as áreas mais críticas: hospitais, maternidades, áreas da periferia sujeitas a doenças.

Além disso, deverão convocar a Sabesp para explicitar as medidas que tomará e analisá-las detidamente já que a empresa não se mostrou à altura de suas responsabilidades para com a população.

Em 2004, a Sabesp não cumpriu nenhum dos compromissos, por ocasião da renovação da outorga da Cantareira, e nada aconteceu. Não houve uma punição sequer. Nem as prefeituras, nem a ANA, nem o Ministério Público se moveram para obrigá-la a cumprir cm sua obrigação.

Haverá a necessidade de definir metas factíveis de consumo de água, negociadas com a população e ensinar a população a economizar. Não basta falar em economizar: precisa orientar sobre o como.

Além da divulgação permanente das metas, os municípios precisam valer sua influência, como cedentes da concessão municipal, e envolver a Sabesp em um programa que puna quem gastar mais do que no mês anterior e premie quem economizar.

Tem que se conseguir um regime especial para contratações e investimentos que permita acelerar os novos investimentos. E também o direito de coibir radicalmente qualquer atividade que usa a mangueira de água. Lavadoras de carro que não usem o método a seco precisam ser liminarmente fechadas.

No caso das indústrias, há que se ter um levantamento e um planejamento de suas necessidades. E reivindicar junto ao governo federal estímulos para as empresas que ajudem a indústria a investir em água de reuso.

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