2016 já começou em São Paulo e Haddad é o alvo

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Via Brasil 247

A segunda-feira, dia 8/12, entra para o calendário político como o dia em que, com uma antecipação de quase dois anos, a campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo começou. O marco foi estabelecido pelos dois maiores jornais de papel na mídia tradicional paulistana: o centenário O Estado de S.Paulo e a moderninha Folha de S.Paulo. Ambos, mais uma vez, se alinharam numa mesma posição: oposição ao atual prefeito Fernando Haddad, do PT.

Os dois respectivos títulos fortes de ambos os veículos atestam que o tiroteio disparado da mídia tradicional mira diretamente o prestígio de Haddad como administrador.

Estadão: “Haddad cumpre só 16 promessas em dois anos”
Folha: “Prefeitura de SP aprovará aluno com notas baixas”

O jornal da família Mesquita faz a conta de que, entre 123 compromissos assumidos pelo prefeito em seu programa de governo, dois em cada três não chegaram nem à metade de sua execução. Frisa, ainda, que 40 metas não chegaram aos 25% de realização. Para emoldurar essa situação, o próprio Haddad aparece com aspas na defensiva; “Eu não joguei a toalha”.

Na verdade, o que se tem hoje é um prefeito entusiasmado no cumprimento de seu mandato, que ainda não chegou à metade. Em razão de ter conseguido, finalmente, implantar seu projeto de IPTU progressivo, ele espera ter, só aí, R$800 milhões a mais para realizar obras a partir de 2015. Os novos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal, com os juros repactuados da dívida da cidade com a União, igualmente irão ampliar o fôlego financeiro da gestão. Mais do que não jogar a toalha, a intenção de Haddad é exatamente a de começar a mostrar um jogo mais agressivo a partir dos próximos meses.

Na Folha, o destaque é para a nova diretriz para a rede municipal e ensino. Crítico do sistema de aprovação automática vigente na rede estadual, Haddad, agora, mudou o número de séries em que um aluno pode ser reprovado, de duas para cinco. Críticos da mudança ouvidos pela Folha dizem que, desde maneira, o sistema de ensino municipal se aproxima dos parâmetros, antes criticados, do modelo estadual.

O secretário municipal de Educação, Cesar Callegari, usou um exemplo que foi bem aproveitado para a tese defendida pelo jornal, de crítica ao prefeito:

– O sujeito teve 3, 2, 2, 4 (notas bimestrais) e, como ficou tudo no vermelho, será reprovado, iniciou Callegari, para completar:

– Não é isso. Queremos avaliar o processo inteiro, prosseguiu, deixando aberta a chance de o aluno evoluir de série, apenas das notas ruins.

A Secretaria Municipal de Educação distribuiu texto com a posição do secretário.

– A escola não é uma máquina de reprovar crianças, insistiu o secretário.

A Folha registrou que o Sindicato dos Diretores de Escolas Municipais (Sinesp) classificou como “politiqueira” a ampliação da possibilidade de reprovação em cinco séries. “O que nos incomoda é que, no discurso para a sociedade, todo aluno pode ser reprovado mas, na prática, nenhum vai”, disse uma professora não identificada pela reportagem do jornal.

Em on ou em off, o certo é que, para os antigos jornalões, mais uma campanha eleitoral acaba de começar.

Abaixo, notícia divulgada pela Secretaria Municipal da Educação, com a posição do titular Cesar Callegari:

Para o secretário de Educação César Callegari, “a escola não é uma máquina de reprovar crianças”
Ele explica que a proposta da rede é investir na aprovação com mérito também pelo esforço, com garantia de apoio pedagógico e avaliação de toda a trajetória do aluno

O fim da aprovação automática na rede municipal de São Paulo está mantido, com a avaliação correspondente e eliminatória. O secretário César Callegari disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que todo o esforço da escola, professores e gestores será empreendido no sentido de promover a recuperação do estudante. Ao final, o conselho de classe se manifestará sobre a sua evolução ou não.

O secretário de Educação César Callegari defende o processo como parte de uma reestruturação que busca estimular o envolvimento de estudantes e familiares. “É claro que tem que estudar para passar, o que nós precisamos ter agora é aprovação com mérito, com condições de desenvolver, e são essas as orientações que desde o começo estão sendo passadas para todas as escolas. São elas no final, as escolas, os conselhos de classes, os conselhos de escola que vão avaliar se a criança, se o jovem, tem ou não tem condições de prosseguir com os seus estudos no ano seguinte”.

Para o secretário, as demais ações implementadas na rede, como o boletim bimestral em todas as escolas e notas de zero a dez, facilitam o acompanhamento de pais e alunos e estimulam o esforço. ““Essa história de passar e ir passando sendo empurrado ano a ano, sem ter conhecimento a respeito daquilo que foi ensinado, não pode mais acontecer, porque chega um certo momento da vida em que a criança ou jovem já adulto vai ter que pagar o preço daquilo que não aprendeu. Quando nós estabelecemos de novo as notas de zero a dez, porque elas não existiam, eram conceitos completamente incompreensíveis pelas famílias, é exatamente para permitir que aquele bom aluno, aquele que se esforça, ele possa verificar a qualidade do seu mérito, do seu esforço”, disse. “O aluno, para passar, tem que estudar, tem que trabalhar para que fazer que os deveres de casa aconteçam, as famílias têm que acompanhar”, completou Callegari.

Avaliação
A avaliação a cada dois meses, podendo ser mensal em alguns casos, permite que se acompanhe a evolução ao longo do ano letivo. A atenção das famílias ao boletim e aos fatores que possam estar interferindo na aprendizagem dos alunos. No final do ano, toda a trajetória é levada em consideração, incluindo o histórico de faltas, na avaliação sobre a potencialidade daquele aluno para progredir de série. O apoio pedagógico complementar aumenta ainda as chances de recuperação dos estudantes, porque o fim do conceito de aprovação automática não pode ser simplesmente substituído pelo da reprovação. Ao aluno, são oferecidas todas as condições para que seu potencial seja levado em conta na decisão de retê-lo ou levá-lo à série seguinte.

“São consideradas as notas bimestrais e a avaliação do conjunto do trabalho também. A escola não é uma máquina de reprovar crianças, nós queremos que ela estude, passe de ano com condições de acompanhar a matéria do ano seguinte, mas é um conjunto de avaliações, inclusive dos trabalhos que as crianças fazem e, sobretudo, do seu desempenho final, do seu desempenho global”, explica Callegari. “É uma mudança grande, uma mudança em que as famílias precisam ficar muito atentas, mais do que qualquer um, as próprias famílias, para apoiar os seus alunos, para dar aquela recuperação quando isso é necessário”, complementa.

Uma resposta to “2016 já começou em São Paulo e Haddad é o alvo”

  1. Dayse Silva Says:

    E eu que pensava que o meu País estava se encaminhando para um modo de fazer política, nos moldes dos países europeus, como França, Reino Unido, Suíça, Suécia, Dinamarca, Holanda, EE.UU, etc, etc…
    Países em que a lei é aplicada igualmente a todos membros da sociedade, em que o povo e a sua vontade são respeitados, em que político respeita o outro, ainda que de partidos diferentes, em que cidadãos e súditos se respeitam, porque a consciência político-social existe,etc, etc…
    Fica-me uma profunda tristeza e amargor, quando, observando melhor à minha volta, percebo que o nosso passo na história pouco mudou. E, essencialmente, segue quase que o mesmo compasso, o mesmo ritmo, a mesma direção…
    Contenta-me, porém, que a nossa história começou há pouquíssimo tempo atrás, considerada o tempo da história da maioria dos povos mencionados. Então, há esperança….

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