Chacina dos drones norte-americanos: Para a execução de um terrorista, 28 civis são mortos

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Embora os EUA digam repetidas vezes que bombardeios com drones sejam a mais eficaz das armas, há estudos que provam o contrário.

Dados publicados por grupo de direitos humanos suscita dúvidas sobre impacto de veículos não tripulados e questiona mito da “precisão”.

Patrícia Dichtchekenian, via Opera Mundi

Em cada tentativa de executar um líder terrorista, drones norte-americanos matam pelo menos 28 civis inocentes. Tal proporção ocorreu nos últimos dez anos nos seguintes países: Afeganistão, Paquistão, Somália e Iêmen, estima o Bureau of Investigative Journalism. As estatísticas foram compiladas pelo Reprieve, um grupo britânico de direitos humanos, que divulgou os dados na terça-feira, dia 25/11.

De acordo com o relatório, o método de eliminar terroristas a partir de múltiplos disparos provenientes de veículos aéreos não tripulados apresenta mais efeitos colaterais graves para os direitos humanos do que soluções em longo prazo: de 2004 para cá, 1.147 civis foram mortos na tentativa de assassinar 41 lideranças de organizações como Al Qaeda e Talibã.

“Bombardeios de drones têm sido vendidos para o público norte-americano sob a justificativa de que esses ataques são ‘precisos’. Mas não há nada rigoroso quando isso resulta na morte de centenas de desconhecidos – homens, mulheres e crianças”, critica a advogada Jennifer Gibson, responsável pelo estudo.

Uma das principais armas de guerra na gestão do presidente dos EUA, Barack Obama, os drones suscitam questões acerca da capacidade de precisão da inteligência norte-americana. Nos últimos oito anos, por exemplo, inúmeras foram as tentativas de eliminar Ayman Zawahiri, líder da Al Qaeda no Paquistão: em duas investidas em 2006, pelo menos 76 crianças e 29 adultos foram mortos pelos drones, comprovando a ineficiência da ferramenta.

O Paquistão, aliás, é um dos principais alvos dos aviões não tripulados norte-americanos: no país, drones assassinaram 24 lideranças terroristas, mas isso veio concomitantemente à morte de ao menos 874 civis, dentre os quais 142 crianças.

No entanto, há muitas mortes de terroristas que não conseguem realmente ser confirmadas. Há ocasiões, por exemplo, que algumas baixas são registradas e contabilizadas duas vezes. Em outras, a identidade do alvo também se revela errônea.

Além disso, há casos em que líderes são encontrados mortos em circunstâncias diferentes de ataques aéreos. Paralelamente, existem sérios problemas com a análise de dados de ataques de drones dos EUA, já que muitas ofensivas ocorrem embaixo do pano oficial.

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O gráfico Pitch Interactive contabilizou ataques e mortes com drones no Paquistão.

“O presidente Obama precisa ser direto e franco com o povo norte-americano sobre o custo humano deste programa”, afirma Gibson ao jornal The Guardian. “Se até mesmo o seu governo não sabe quem está dentro dos sacos de corpos a cada vez que uma ofensiva dá errado, as alegações de que este é um programa com rigor de precisão me parece um absurdo”, acrescenta.

No ano passado, um levantamento que pode ser visto no gráfico interativo “Out of Sight, Out of Mind” mostra que, dos mais de 3 mil mortos contabilizados pelo projeto desde 2004, apenas em 1,5% dos casos houve confirmação de ligações com atividades terroristas.

Como esses bombardeios acontecem em zonas de guerra perigosas e com pouca cobertura midiática, é difícil contar com apenas dados de militares norte-americanos que são muitas vezes as únicas fontes no local e podem manipular o número real de baixas, distorcendo o impacto dos drones nesses países.

Uma resposta to “Chacina dos drones norte-americanos: Para a execução de um terrorista, 28 civis são mortos”

  1. Dayse Silva Says:

    É, realmente, incompreensível, que o Governo americano insista no uso desse tipo de arma, cujas estatísticas demonstram, matematicamente, a sua ineficácia, uma vez que tem levado ao óbito milhares de pessoas inocentes, incluídas crianças e mulheres indefesas.
    Não se pode combater o mal, matando inocentes.
    Isto equivale a combater o mal com o mal.

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