“Vai pra Cuba!” é um grito que escorre como bílis dos lábios dos neo-reacionários

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Leandro Fortes, via DCM

Foi o Facebook, como nenhuma outra rede social da internet, que iniciou um processo inédito e ainda não dimensionado de histeria ideológica que, ao menos no Brasil, foi cristalizado sob um complexo manto de silêncio.

Digo complexo porque, até surgir uma plataforma tecnológica capaz de lhe dar cor, forma e conteúdo, esse manto foi sendo lentamente consolidado por diferentes processos de acomodação moral, política e social, sobretudo a partir das gerações subsequentes ao golpe militar de 1964.

Até então, ninguém sabia ao certo quais eram as consequências de cinco décadas de construção conservadora dentro de uma sociedade naturalmente autoritária como a brasileira, nascida e moldada na cultura do escravagismo, do fisiologismo, da separação de classe e da carteirada.

Com a internet e, especificamente, com o Facebook, tornou-se possível entender como a overdose de doutrina anticomunista rasteira, aliada a uma visão de mundo ditada por interesses ligeiros, acabou por gerar essa multidão de idiotas que se aglomeram no espectro ideológico da direita nacional.

Essas pessoas que travestiram de piquenique cívico as manifestações de rua nas quais, em plena democracia, foram pedir intervenção militar. Uma multidão raivosa, mentecapta, de faixas na mão, cevada por uma mídia mais irresponsável do que, propriamente, conservadora.

Essa mistura explosiva de ressentimento político com déficit educacional fez explodir nas redes sociais jovens comentaristas com discurso roubado de velhas apostilas da Escola Superior de Guerra dos tempos dos generais.

“Vai pra Cuba!”

Ir para Cuba.

Onde, exatamente, erramos ao ponto de ter permitido o surgimento de mais de uma geração cujo insulto essencial é mandar alguém ir morar em Cuba?

Desconfio, que no centro dessa questão habita, feroz, a tese de que é preciso viver em pobreza franciscana para ser de esquerda. Essa visão macarthista do socialismo impregnada no imaginário da classe média brasileira e absorvida, provavelmente por falta de leitura, de forma acrítica por grande parte da sociedade.

“Vai pra Cuba!”, aliás, na boca torta da direita brasileira, não é apenas um insulto, mas uma praga horrenda, um desejo de morte lenta, um pelourinho necessário e elogiável, como bem cabe a traidores de classe.

“Vai pra Cuba!” é um grito que escorre como bílis negra pelo canto dos lábios do neo-reacionários brasileiro.

De minha parte, não vou a lugar nenhum, enquanto esse tipo de gente ainda estiver por aqui.

3 Respostas to ““Vai pra Cuba!” é um grito que escorre como bílis dos lábios dos neo-reacionários”

  1. Dayse Silva Says:

    As atitudes raivosas e ignorantes sobre questões políticas e sociais decorrem, lamentavelmente, da falta de um conhecimento mais profundo sobre os fatos da vida. Infelizmente, parte do nosso povo, ao contrário de outros povos, como o alemão, o francês, o cubano, etc,etc.. não tem o hábito da leitura, da boa leitura. Em decorrência, não consegue decodificar o que há nas entrelinhas dos escritos e das falas.
    Torna-se, assim, massa de manobra. É lamentável!!!!!

  2. Ely Mattos Says:

    Impossível não lembrar da ‘jogadora'(ainda não consegui digerir a atitude antidesportiva em relação à Cuba. A forma que encontrei de protestar foi essa: jogadora e não atleta). É uma atitude imatura, mas como Sheilla Castro foi infantil, fico a vontade. Ela foi uma das “tupiniquinhas” que se uniu aos ‘reacionários’ fujões. Revoltada com a derrota do seu conterrâneo e insatisfeita com a quantidade de ideias equivocadas que já vinha ‘postando’ nas suas Redes Sociais, ela poderia ter encerrado sua despedida com um simples adeus. Ela não “fugiu” para Miami, ela já estava contratada pelo time da Turquia. Mas ela quis ir além e destacou a frase: “Vai virar Cuba”. Não creio que Sheilla tenha visitado a Ilha, tão pouco possua o mínimo de conhecimento sobre a história de Cuba. Dois dias após o desabafo, a jogadora ainda escreveu um texto, (sem se desculpar à Cuba pelo ato falho), desejando ‘boa sorte’ para os que ficariam aqui. Não a perdôo, mesmo sabendo que isso não tem a mínima importância para ela. Não torço contra ela. Espero que a Turquia seja uma ponte para outras equipes, quem sabe até na Liga Italiana. Não creio que Sheilla fique para sempre fora do Brasil. Vôlei é um esporte em constante evolução e a concorrencia é enorme. Acredito que perca apenas para o futebol. Sheilla está com 31 anos. Seu nome figura na página oficial dos Jogos de 2016. E por ironia, os atletas deixam recados para os fãs. Sheilla se diz muito orgulhosa por vestir a camisa da seleção brasileira e confiante na vitória dentro de casa junto com torcida(eu e mais umas centenas de ‘fiéis admiradores’). Seria apenas protocolo ou ela irá defender nosso Brasil com sua camisa 13,(se for por supertição ela não tem saída. Vai ficar com o 13 do PT nas costas, como já está na Turquia). Será que Sheilla esqueceu da cubana Kenia Carcaces? Eram companheiras no Molico Osasco há dois anos, não tenho certeza). Carcaces não esqueceu. que ao chegar no Brasil para defender a equipe paulista, não economizou elogios à equipe, ao Brasil e foi extremamente humilde ao expor sua felicidade por jogar ao lado de atletas que ela é fã. Nesse ato falho, Carcaces não quis comentar, (logicamente). Hoje Carcaces é uma das principais pontuadoras do Osasco. Sheilla vai bem. O ‘Vakif’ é uma grande equipe, mas ela não é a estrela. E fica a pergunta: O que significa “ir para Cuba”, nos tornamos ‘cubanos’? Sheilla saberia nos responder? Em 2016 estaria Sheilla preparada para defender nossa seleção? Espero que até lá surjam outras ‘Gabis’, ‘Braits’, ‘Natalias’..Me entristece a situação atual das duas seleções de volei cubanas. A crise quase acabou com o esporte. Hoje não temos Grandes Estrelas Cubanas que possam propopcionar disputas acirradas e emocionantes.Sheilla e Nalbert (o Lucão além de ser apenas um playboyzinho ignorante, não jogou nessa era), não podem negar que a rivalidade entre Brasil e Cuba, contribuiu para a carreira de muitos atletas. As equipes cubanas eram extraordinariamente, imbatíveis e irritantes! Em respeito ao que aprendemos com eles e aos atletas cubanos que hoje jogam no Brasil com muito orgulho, peço desculpas à Cuba e se possível, ignorem essa “birra infantil” da ex Capitã brasileira que defendia a seleção brasileira com o numero da sorte. Sheilla foi decisiva em muitas finais e lá estava o 13! E vem a pergunta: Por quê Cuba é o “Bicho Papão” dos ignorastes tupiniquins?

  3. José Jésus Gomesde Araújo Says:

    O Mahatma Gandhiji ensinava que conservar o que vai além de atender a nossas necessidades é roubo. O evangelho cristão não chega a tanto. Mas a distribuição dos bens no mundo atual é inaceitável e repugna à razão; com isto concordam todos os seres humanos decentes.

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