Rastros tucanos na corrupção da Petrobras alertam autoridades

Aécio Neves foi patrocinado por seis das nove empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato.

Aécio Neves foi patrocinado por seis das nove empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato.

Via Correio do Brasil em 17/11/2014

Se a direita pretendia usar a Operação Lava-Jato para comprometer o governo da presidenta Dilma Rousseff, os fatos apontam para uma barreira intransponível de evidências quanto à participação de líderes dos partidos oposicionistas na roubalheira ocorrida, durante mais de uma década, na estatal brasileira de petróleo. A tentativa dos tucanos de transformar o escândalo em motivo para o impedimento da presidenta recém-reeleita foi identificada, e coibida, por setores do Judiciário.

Quatro delegados da Polícia Federal chegaram a usar uma rede social para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff, às vésperas da eleição, em apoio ao candidato Aécio Neves, do PSDB. Trata-se dos principais responsáveis pela operação que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, e a eles foram feitas delações premiadas, cujo suposto conteúdo foi “vazado” no período eleitoral. A megaoperação das prisões precipitou-se sobre o caso dos delegados e sua sugestiva atitude, abafando-o.

A onda de prisões foi deflagrada apenas 24 horas depois que os delegados responsáveis pelo caso Petrobras apareceram comprometidos, como autores, com manifestações explicitamente agressivas contra Dilma e Lula. E de apoio a Aécio Neves.

– O comportamento desses delegados não anula a existência nem diminui um fato grave, que é o escândalo da Petrobras, mas compromete a investigação. Esses delegados acreditam que são os salvadores da pátria, quando, na verdade, estão comprometendo a investigação. Na tentativa de alterar o resultado eleitoral, eles estavam evidentemente fazendo vazar depoimentos, quebrando o sigilo da investigação – disse o senador Roberto Requião (PMDB/PR) ao site Viomundo.

Vazamentos
Outra tentativa de influir no resultado eleitoral, com base na operação de caça aos corruptos na Petrobras, foi identificada pela Procuradoria Geral da República. O procurador-geral, Rodrigo Janot, afirmou a jornalistas que o advogado do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Operação Lava-Jato, era ligado ao PSDB e vazou informações seletivamente para influenciar as eleições realizadas em outubro.

– Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo Beto Richa para a coisa de saneamento, tinha vinculação com partido – disse Janot.

Trata-se do advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto, coordenador da defesa de Youssef. Por um ano entre 2011 e 2012, durante o governo tucano de Beto Richa, no Paraná, Basto teve um cargo de conselheiro do Conselho de Administração da Sanepar, a Companhia de Saneamento do Paraná.

Segundo Janot, Basto “começou a vazar coisa seletivamente” e foi avisado pela procuradoria a respeito do risco que a estratégia envolvia.

– Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação – disse.

Pelo acordo feito entre a PGR e os delatores, o conteúdo da delação premiada deve ser mantido em sigilo, sob pena de o acusado perder os benefícios negociados com os procuradores. Ainda assim, as declarações deram margem para o golpe midiático levado a termo pela revista semanal de ultradireita Veja, às vésperas do segundo turno das eleições.

Investigadores da Polícia Federal suspeitaram da armação no depoimento em que Youssef afirmou que tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a então candidata à reeleição Dilma Rousseff, ambos do PT, sabiam do esquema de corrupção na Petrobras.

Youssef prestou depoimento em 21 de outubro e não citou Lula ou Dilma. Em 22 de outubro, Figueiredo Basto pediu para “fazer uma retificação no depoimento anterior” para acrescentar que “perguntou quem mais, além das pessoas já citadas pelo doleiro, sabia da fraude na Petrobras”, ao que Youssef teria afirmado “acreditar que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem”.

A denúncia foi publicada na noite de quinta-feira 23 pela revista Veja, que naquela semana antecipou sua circulação semanal em um dia. No fim daquela semana, Aécio Neves (PSDB) e Dilma se enfrentariam no segundo turno das eleições presidenciais. No domingo 26, a capa da revista circulou em forma de panfletos por algumas das maiores cidades do País e um boato a respeito do suposto assassinato de Youssef circulou pelas redes sociais. Depois de publicada a matéria, Basto negou a existência da retificação.

PSDB envolvido
A prisão de empreiteiros, durante a sétima fase da Operação Lava-Jato, na última sexta-feira, elevou a temperatura dos discursos da oposição, com discursos impositivos de Aécio Neves e seus liderados.

– Tem muita gente sem dormir em Brasília – chegou a afirmar o senador mineiro, derrotado nas urnas pela presidenta Dilma.

A falação, porém, esconde o fato que, das nove empreiteiras alvo dos federais, seis financiaram sua campanha para presidente em um montante não inferior a R$20 milhões. A situação dos oposicionistas fica ainda mais delicada no momento em que, segundo Rodrigo Janot, a prisão de executivos e presidentes de grandes empreiteiras do país faça com que muitos dos detidos busquem o instituto da delação premiada para tentar reduzir o tamanho de suas penas.

– Isso é um rastilho de pólvora. Quando um começa a falar, o outro diz: “Vai sobrar só para mim?”. E aí eles começam a falar mesmo – conclui.

Leia também:
Coletânea de textos: O nome é Petrobras e não Petrobrax, estúpido!
Coletânea de textos: Doutor Sérgio Moro e sua Operação Lava-Jato
Coletânea de textos: Lista de Furnas, Mariana, Aécio Neves e o brilho de sua carreira
Coletânea de textos: FHC, o vendilhão da Pátria

 

28 Respostas to “Rastros tucanos na corrupção da Petrobras alertam autoridades”

  1. Luiz Parussolo Says:

    Para quem ama a sabedoria e a plenitude de povo evoluído uma parte do ensino da Finlândia em texto bastante longo e o que foi feito de um povo admirável que saiu do atraso e do cativeiro do czarismo por 100 anos.
    Não temos nem sequer imaginação e razão para construir um mundo desses, com sinceridade, somos símios.
    As nossas criaturas rodomãs políticas, enfeitas por fora e só vísceras por dentro não assimilam e nem suportam essa realidade e você que acha que sabe votar porque escolhe o perfil mais adequado ao teu meio e ao teu umbigo não é possível saber votar onde só pobres diabos insensatos e patetas ululam na política. Não temos essência e evolução e não entendemos.

    Claudia Wallin – Cartas da Suécia

    Foto.Finlandia.escola.computers
    O que o Brasil pode aprender em educação com a Finlândia?

    Claudia Wallin *
    De Helsinque

    Soltaram as bestas do Apocalipse, dirão os arautos do fim do mundo: nas escolas finlandesas, o filho do empresário e o filho do lixeiro estudam lado a lado, em um eficiente e igualitário sistema educacional que tornou-se um dos mais celebrados modelos de excelência em educação pública do mundo atual.

    É o chamado milagre finlandês, iniciado na década de 70 e produzido em sua maior exuberância a partir dos anos 90. Em um espaço de 30 anos, a Finlândia transformou um sistema educacional medíocre, elitista e ineficaz, que amargava resultados escolares comparáveis a países como o Peru e a Malásia, em uma incubadora de talentos que alçou o país para o topo dos rankings mundiais de desempenho estudantil, e alavancou o nascimento de uma economia sofisticada e altamente industrializada onde antes jazia uma sociedade substancialmente agrária.

    Trata-se, à primeira vista, de um enigma digno da Esfinge de Tebas: os finlandeses estão fazendo exatamente o contrário do que o resto do mundo faz na eterna busca por melhores resultados escolares – e está dando certo. O aparentemente ensandecido receituário finlandês inclui reduzir o número de horas de aula, e limitar testes e provas escolares a um mínimo tolerável.

    Atônitas delegações de educadores internacionais vasculham o paradoxal modelo finlandês em busca da fórmula do milagre insondável. E ouvem, dos finlandeses, uma constatação capaz de produzir mais batimentos cardíacos do que o medonho encontro com um tubarão no mar: a educação de alta qualidade na Finlândia não é resultado apenas de políticas educacionais, eles dizem, mas também sociais.

    “O Estado de Bem-Estar social finlandês desempenha um papel crucial para o sucesso do modelo, ao garantir a todas as crianças oportunidades e condições iguais para um bom aprendizado”, diz o educador Pasi Sahlberg, um dos idealizadores da reforma das políticas educativas da Finlândia nos anos 90.

    Sahlberg fala do que vejo nas instalações da Escola Viikki, um dos centros educacionais de ensino médio e fundamental da capital finlandesa. No amplo refeitório, refeições fartas e saudáveis são servidas diariamente aos estudantes. Serviços de atendimento médico e odontológico cuidam, gratuitamente, da saúde dos 940 estudantes. Todo o material escolar é também gratuito. Equipes de pedagogos e psicólogos acompanham cuidadosamente o desenvolvimento de cada criança, identificando na primeira hora problemas como a dislexia de um aluno e fornecendo apoio imediato. Saudáveis e bem alimentadas, as crianças estão mais preparadas para aprender neste país singular, onde mensalidades escolares não existem.

    Pasi Sahlberg fala ainda do impacto fundamental do modelo de igualdade e justiça social criado gradualmente pelos finlandeses a partir do pós-guerra, a exemplo dos vizinhos escandinavos: saúde, educação e moradia para todos, e uma vasta e solidária rede de proteção aos cidadãos.

    “A desigualdade social, a pobreza infantil e ausência de serviços básicos têm um forte impacto negativo no desempenho do sistema educacional de um país”, pontua Sahlberg no livro “Finnish Lessons” (“Lições Finlandesas”), publicado pelo Teachers College da Columbia University.

    O princípio da igualdade e da inclusão social marcou o desenvolvimento nos anos 70 da nova peruskoulu, a educação obrigatória finlandesa que abrange o ensino fundamental e médio. Em uma decisão histórica do Parlamento finlandês, todas as crianças, independentemente de background sócio-econômico ou região de domicílio, passaram a ter acesso igualitário e gratuito a escolas de qualidade para cumprir os nove anos da educação básica.

    Nem todos, porém, concordavam com a ideia na época. Seguiu-se então um acalorado debate, neste país que acomoda 5,4 milhões de habitantes e mais de dois milhões de saunas.

    Como que tomados pelo espírito dos mais destemperados analistas econômicos do Brasil, os críticos do novo sistema previram o caos: disseram que não seria possível ter as mesmas expectativas em relação a crianças de diferentes circunstâncias sociais. Argumentaram que o futuro da Finlândia como nação industrial estaria sob risco, uma vez que o nível educacional teria que ser ajustado para baixo a fim de acomodar os alunos menos favorecidos. Erraram, evidentemente.

    O vital passo seguinte foi uma valorização sem precedentes do professor. A Finlândia lançou programas de formação de excelência para o magistério nas universidades do país, criou notáveis condições de trabalho e ampla autonomia decisória nas escolas, e paga bem seus professores. Mas o mais fundamental, diz Pasi Sahlberg, foi a criação de uma nova noção de dignidade profissional:

    “Os professores adquiriram um alto grau de respeito e confiança em nossa sociedade. E os finlandeses continuam a considerar o magistério como uma carreira nobre, orientada principalmente por propósitos morais”, destaca Pasi Sahlberg, ex-diretor-geral no ministério finlandês de Educação e Cultura e atual professor visitante de Práticas Educacionais na Universidade de Harvard.

    O terceiro ingrediente da fórmula finlandesa foi a elaboração de uma tresloucada teoria dos paradoxos. Talvez formulada em um estado coletivo de delirium tremens, a ideia provaria ser visionária.

    Paradoxo 1: Os alunos aprendem mais quando os professores ensinam menos

    A experiência finlandesa desafia a lógica convencional, que prescreve mais horas de aula e maior quantidade de lições de casa como fórmula para turbinar o desempenho estudantil. Os dias são mais curtos nas escolas da Finlândia: são menos horas de aula do que em todas as demais nações industrializadas, segundo estatísticas da OECD.

    “É importante que crianças tenham tempo de ser crianças”, diz a professora Erja Schunk na Escola Viikki, que também funciona como um centro de treinamento de professores da Universidade de Helsinque. “O mais importante é a qualidade do tempo em sala de aula, e não a quantidade”.

    Nos Estados Unidos, um professor gasta aproximadamente o dobro do tempo ensinando na sala de aula por semana, em comparação com um professor finlandês.

    “Dar seis horas de aula por dia é uma tarefa árdua, que deixa os professores cansados demais para se dedicar a outras tarefas importantes no trabalho de um educador, como planejar, reciclar-se e dar assistência cuidadosa ao aluno”, diz Pasi Sahlberg. Em uma típica escola finlandesa, os professores dão cerca de quatro aulas por dia.

    Na lógica do modelo finlandês, o papel central da educação pública não é criar indivíduos robotizados, e sim educar cidadãos dotados de espírito crítico e capazes de pensar de forma independente.

    “Procuramos não dar respostas prontas aos alunos, na medida do possível, e sim orientá-los a pensar e refletir”, observa a diretora da Escola Viikki, Marja Martikainen.

    “A preocupação central da escola finlandesa não é atingir recordes de desempenho escolar, e sim ajudar a desenvolver as aptidões de uma criança a fim de formar indivíduos capazes de viver vidas felizes, dentro e fora do trabalho”.

    Professores finlandeses também não acreditam que aumentar a carga de trabalho de casa dos estudantes leva necessariamente a um melhor aprendizado – especialmente se as lições forem entediantes exercícios que não desafiam a capacidade criativa do aluno. Pelas estatísticas da OECD, os estudantes finlandeses gastam menos tempo fazendo trabalho de casa do que os colegas de todos os outros países: cerca de meia hora por dia.

    “Os alunos aprendem o que necessitam saber na sala de aula, e muitos fazem o dever de casa aqui mesmo, na própria escola. Assim, eles têm tempo para conviver com os amigos e se dedicar às coisas que gostam de fazer fora da escola, o que também é importante”, diz o professor Martti Mery na Escola Viikki, que está situada em um campus da Universidade de Helsinque.

    Como no centro escolar de Viikki, as escolas finlandesas são tipicamente pequenas, e o tamanho das classes é em média de 20 alunos.

    Na fase pré-escolar, a prioridade é desenvolver a auto-confiança das crianças: os dias na escola são preenchidos com tarefas como aprender a se orientar desacompanhadas em uma floresta, ou amarrar sozinhas seus patins de gelo.

    Paradoxo 2: Os alunos aprendem mais quando têm menos provas e testes

    Estudantes finlandeses só suam demais nas infernais saunas do país: seu sistema educacional não acredita na eficácia de uma alta frequência de provas e testes, que por isso são aplicados com pouca regularidade. Apesar disso, a Finlândia brilha nos rankings globais de educação, ao lado dos países com melhor desempenho escolar do mundo.

    Milagre? A filosofia finlandesa é de que o foco principal dos professores deve ser ajudar os alunos a aprender sem ansiedade, a criar e a desenvolver a curiosidade natural, e não simplesmente a passar em provas.

    “A pressão do modelo tradicional de ensino traz consequências dramáticas para os alunos, como o medo, o tédio e o receio de assumir riscos”, ensina o educador Pasi Sahlberg.

    Relatórios do PISA indicam que apenas 7% dos alunos finlandeses sentem-se ansiosos ao estudar matemática. Já no rígido sistema de ensino do Japão, que ostenta altos níveis de desempenho escolar enquanto registra recordes de suicídio entre estudantes, esse índice chega a 52%.

    À minha volta, nas salas de aula da escola Viikki, o ambiente é tranquilo e descontraído. Não há uniformes escolares, e muitos estudam descalços – refletindo o clima doméstico das casas escandinavas, onde ninguém usa sapatos.

    As crianças finlandesas iniciam sua educação formal aos sete anos de idade, e a escola primária é praticamente uma zona livre de testes. A fim de evitar que as crianças sejam categorizadas de acordo com sua performance, o sistema finlandês virtualmente aboliu a avaliação por notas escolares nos cinco primeiros anos da peruskoulu.

    Nos anos seguintes, a avaliação é feita com base em testes elaborados pelo professor e no desempenho do aluno em sala de aula, além de uma ampla avaliação de cada estudante realizada coletivamente pelos professores ao fim de cada semestre. Os que precisam de maior assistência no ensino, recebem atenção particular: a filosofia finlandesa preza a crença de que todas as crianças têm o potencial de aprender, se tiverem apoio e oportunidades adequadas.

    O único exame padronizado de avaliação escolar na Finlândia é o concurso nacional prestado pelos estudantes ao final dos nove anos do ensino obrigatório, em que o conhecimento é testado através de dissertações desenvolvidas pelo aluno nas diferentes disciplinas como exigência para o acesso à educação superior.

    E repetir de ano, na forma convencional, é algo que também não existe na Finlândia. Em vez de uma avaliação geral dos alunos ao fim de cada ano, as escolas finlandesas utilizam módulos curriculares em diferentes áreas do conhecimento. Assim, um aluno repete apenas os cursos nos quais seu desempenho não foi satisfatório.

    Todos os aspectos por trás do sucesso finlandês parecem ser, assim, o oposto do que se faz na maior parte do mundo, onde a competição, a carga de provas e aulas, a uniformização do ensino e a privatização são via de regra os princípios dominantes.

    “Exercer controles rígidos sobre as escolas e os alunos, pagar os professores com base no desempenho dos estudantes, entregar a liderança das escolas a especialistas em gerenciamento ou converter escolas públicas em privadas, são ideias que não têm lugar no repertório finlandês de desenvolvimento da educação em um país”, diz o educador Pasi Sahlberg.

    Dizem ainda os finlandeses que o dinheiro não é a única solução para melhorar o desempenho de um sistema educacional.

    “Os gastos da Finlândia com educação, da ordem de 6,3% do PIB, são na verdade bastante próximos à média registrada nos países da OECD em todos os níveis -com exceção da educação superior, em que estamos em oitavo lugar na lista dos que mais investem”, diz Niklas Nikanorov, do Ministério da Educação e Cultura finlandês.

    “A eficiência do sistema é portanto mais importante para uma boa performance educacional do que o nível de gastos”, deduz o educador Pasi Sahlberg.

    A História

    Até o fim dos anos 60, a Finlândia parecia acreditar mais no Papai Noel da sua Lapônia do que no poder transformador da educação. Apenas 10 por cento dos adultos completavam o ensino secundário. A maior parte dos jovens abandonava os estudos após completar seis ou sete anos do ensino fundamental e médio.

    As oportunidades eram limitadas, e o acesso desigual: apenas as crianças que viviam nas maiores cidades e municípios tinham acesso a escolas públicas, ou a instituições privadas que muitas famílias não tinham condições de pagar.

    Um diploma universitário era considerado, na época, um troféu excepcional – apenas 7% da população tinham educação superior. Em todas as faixas de aprendizado, a Finlândia era um símbolo de atraso em relação aos vizinhos escandinavos.

    Mas a história da Finlândia sempre foi marcada pela resiliência do seu povo, que só conquistou a independência em 1917 – depois de seis séculos sob o domínio do Reino da Suécia, e mais de cem anos como Grão-Ducado do Império Russo e seus cinco czares.

    Na década de 70, a nação foi convocada a mudar. Uma educação pública estelar passou a ser percebida como a base fundamental para a criação de um futuro menos medíocre: desenvolver o capital humano do país tornou-se a missão primordial do Estado finlandês. A reforma levou o país, enfim, aos patamares do mundo desenvolvido.

    Nos anos 90, o país anunciou uma revolução ainda mais radical:

    “Estamos criando uma nova cultura de educação, e este é um caminho sem volta”, declarou o então diretor-geral do Conselho Nacional de Educação finlandês, Vilho Hirvi, chamando a sociedade a participar da discussão sobre os rumos da reforma:

    “Não se pode educar uma nação à força”, completou o sábio Hirvi.

    Associações de professores, políticos, pais, membros da academia e diferentes setores da sociedade contribuíram para a criação dos novos e revolucionários paradigmas da educação no país, que rejeitavam a fórmula convencional aplicada na maior parte do mundo como receita para melhorar o desempenho escolar.

    “Particularmente significativo foi o papel desempenhado por variadas organizações da sociedade civil”, destaca Pasi Sahlberg, que foi um dos conselheiros do Ministério da Educação finlandês nos anos 90.

    A transformação do sistema foi profunda, e rápida. Como resultado da nova política de educação, já no fim dos anos 90 a peruskoulu finlandesa tornou-se líder mundial em matemática, ciências e interpretação.

    Os primeiros resultados do PISA publicados em 2001 surpreenderam os próprios finlandeses: em todos os domínios acadêmicos, a Finlândia despontou no topo do ranking mundial. E permanece, até hoje, entre os mais destacados membros do clube.

    “Atualmente, 99,4% dos alunos completam com êxito o peruskoulu compulsório”, diz Niklas Nikanorov, do Ministério da Educação e Cultura finlandês.

    Com o acesso gratuito às universidades e instituições de ensino técnico e profissionalizante, a educação de nível superior também passou a ser uma oportunidade igual para todos: a educação na Finlândia é livre de mensalidades para todos, do pré-escolar ao PhD.

    Mais: a partir dos 17 anos de idade, todos os estudantes finlandeses contam com generosos benefícios do governo, que chegam a 337 euros mensais (cerca de 1,230 reais). Além disso, têm acesso a benefícios extras como ajuda de custo de até 200 euros por mês para pagar o aluguel de moradia, e recursos para complementar as despesas com transporte. Além disso, todos têm direito a um empréstimo especial para se manter durante o período de estudos, que chega a 400 euros mensais e só precisa ser quitado em sua totalidade quando o estudante completa 60 anos de idade.

    A Lição da Finlândia

    A Finlândia diz ter aprendido uma lição: políticas de educação efetivas devem estar necessariamente interligadas às demais políticas sociais, afirma o educador Pasi Sahlberg:

    “As pessoas na Finlândia têm um profundo senso de responsabilidade compartilhada, e importam-se não apenas com as próprias vidas, mas também com o bem-estar dos outros”, ele observa.

    “Os cuidados com o bem-estar da criança começam antes mesmo de ela nascer, e se estendem até a idade adulta. As creches públicas são um direito garantido para todas as crianças, que também têm acesso igualitário a todo tipo de serviço básico. A Educação em nosso país é considerada um bem público. É portanto protegida, na Constituição do país, como um direito humano básico.”

    As estatísticas apontam o caminho, ele diz:

    “As sociedades igualitárias têm cidadãos com grau de instrução mais elevado, raros casos de evasão escolar, menores taxas de obesidade, melhores indicadores de saúde mental e índices mais reduzidos de ocorrência de gravidez entre adolescentes, em relação aos países nos quais que a distância entre ricos e pobres é maior”, enfatiza Sahlberg.

    Diz-se que o modelo nórdico do Estado de Bem-Estar Social teve como base três idéias políticas centrais: o legado dos camponeses livres, o espírito do capitalismo e a utopia do socialismo.

    “Igualdade, eficiência e solidariedade, os princípios essenciais destas três ideias políticas, formam a raiz do terreno sólido no qual a política de educação finlandesa foi criada”, resume Erkki Aho, diretor-geral do Conselho Nacional de Educação da Finlândia entre 1973 e 1991.

    Os gastos realizados para concretizar o ideal de um Estado de Bem-Estar social foram considerados não como um custo necessário – e sim como um investimento lúcido para alavancar a produtividade do país.

    “É interessante ainda notar que a expansão do setor educacional na Finlândia coincidiu com uma impressionante transformação do país, que em um período relativamente curto deixou de ser uma sociedade agrária e atrasada para se tornar uma economia altamente industrializada, baseada no conhecimento”, diz Pasi Sahlberg.

    Sahlberg resume assim o pensamento finlandês sobre a educação pública de qualidade:

    “É uma obrigação moral, pois o bem-estar e em última análise a felicidade de um indivíduo depende do conhecimento, das aptidões e das visões de mundo que são proporcionadas por uma educação de qualidade.”

    “É também um imperativo econômico, uma vez que a riqueza das nações depende cada vez mais de know-how e conhecimento”.

    * Texto publicado originalmente no Diário do Centro do Mundo. .

  2. pintobasto Says:

    Só nos resta implantar o ” Templo dos Otários Arrependidos ” com cultos diários onde cada um confessará como foi tão otário e trouxa, acreditando na corja de homens ditos públicos, mas na verdade, grandes vigaristas da escola do Edir Macedo

  3. Luiz Parussolo Says:

    O país transformou-se num território de crimes e delinquências incontroláveis onde quem mais destroem, roubam, contrabandeiam, financiam e dão coberturas são os burgueses e as elites.
    O Poder Judiciário, bem como MP, PF, órgãos de fiscalização de controle, corporações, procuradores da AGU, OAB (quadros de advogados) …foram transformados em verdadeiros antros, mais os estaduais onde macacos adestrados fazem o que querem protegidos tanto dentro como por maçonaria, lions, rotary os quais também mandam no judiciário e nas instituições
    Recentemente em comentário um maçon questionou as maçonaria em jornal on line de integrantes estão participando de todo tipo de crimes, inclusive tráfico de drogas assiduamente, esta que está acabando com adolescentes e jovens, segundo ele.
    O contrabando de madeiras, minerais, biogenética, riquezas naturais gerais, animais, produtos agropecuários etc..de saída e entradas diversas, invasões clandestinas, inclusive com o aumento de muçulmanos que estão construindo mesquitas e seduzindo adeptos.
    A ONU publicou um estudo de mais de 200 páginas sobre a polícia de São Paulo e o PCC onde mostra a polícia paulista totalmente corrupta e corrompida.
    Acabaram com o estado nestes últimos 20 anos, já começado com o governo Sarney e os políticos daqui e se levantar o tapete só fica a escuridão do espaço e as estrelas. Puro fascismo e corporações banidas por todos os lados.
    Ética e moral acabaram e quem desregulamentou o país e a tradição foi FHC em atendimento ao neoliberalismo que como o comunismo procura desmoralizar e deseducar países dominados.
    Se não houver uma intervenção constitucional agora poderemos ir para uma comoção e posterior guerra civil, entendo.
    O Congresso foi tomado por todo tipo de escória sem princípios, sem moral e sem conhecimento racional. Entes animalizados.
    Abaixo o que escrevi sobre Moro e a prisão do almirante, no que deduzo.
    Também vejo-o trabalhando para os interesses americanos e do grande capital que buscam o domínio dos recursos energéticos impedindo que o país consiga a independência geofísica e em 1992 FHC operou para destruir o nosso projeto nuclear e conseguiu a seu mando; talvez o bloqueio do navio nuclear que é fundamental; os recursos hídricos; as criações intelectuais e o livre comércio sem restrições. O resto já dominam.

    Um caso muito curioso a prisão do Almirante que se quisesse ser milionário aos cinquenta e pouco ou até muito antes seria pela sua genialidade racional que só com a sua presença deve envergonhar um simples juiz e os procuradores e delegados da PF que tiveram que optar por especializações em conceitos abstratos das ciências sociais e humanas com suas incertezas e relatividades culturais e intelectuais medianas e excessivamente empíricas a posteriori.
    Com 76 anos envolver-se com corrupção um homem que possui cabedal que nenhum dinheiro do mundo paga, a sabedoria, sendo de formação rigorosa fica difícil de acreditar e também não suscitar existência de alguma coisa não atinente com o envolvimento no sistema em parte investigado e salvaguardando a direita aristocrática e também sempre esperta e deformada onde veio a promover a eleição do PT.
    A corrupção e os desvios tomam conta do país desde anterior a FHC e fortalecido a partir dele e ninguém investiga e o que investigaram os investigadores quase foram presos.
    Todos os poderes, organismos gerais da união, dos estados e dos municípios juntamente com organismos privados e parcela elevada merecem ser investigados por apresentarem fortes indícios e atos que demonstram irregularidades gravíssimas com prejuízos infinitos a uns e privilégios a minorias.

  4. Cesar Murilo Morais Soares Says:

    O Janota arquivou tudo contra esse canalha.

  5. Suzana Bastos da silva Says:

    O grande problema é que eles armaram para Derrubar a Dilma e o LUla, e acabaram sendo envolvidos também, agora não sabem como sair dessa arapuca.,

  6. fama9288 Says:

    Mesmo com Veja antecipando publicações e GLOBOSTA e BANDBOSTA fazendo campanha com a reeleição, não foi possível o DERROTADO AECIO CUNHA vencer, pois o povo hoje nãoaceita manipulação! VIVA A DEMOCRACIA, VIVA A PRESIDENTA DILMA,

  7. Deusemar Pereira Says:

    Vamos parar com blá blá blá, ou a lava a jato investiga o período do PSDB, ou pare de palhaçada, investigar só o PT é fácil, isto tendo em vista que até o zé povão que foi beneficiado pelo PT, já está se voltando contra o PT, será que esses palhaços não se dão conta que a corrupção na Petrobrás e no Brasil não começou com o PT? Porque será que o ex-genro do FHC era presidente da Petrobrás? Porque o poder judiciário e mídia protegem tanto o PSDB? Porque esse lixo chamado “Veja”, quer tanto destruir o PT? Acha que vou bater palmas para os malfeitos do PT? Claro que não! Mas também sejamos justos, é pra investigar? Então não selecionemos só os que devemos investigar ou prender, esse Aécio neves merece ser investigado !!! Mas não tão somente ele, mas tudo !!!

  8. Luiz Carlos de Carvalho Says:

    O desserviço prestado à Nação por este juiz Moro ficará, para sempre, registrado nos anais da História do Brasil. A quantidade de desrespeito à Constituição Brasileira vai fazer com que alguma instância superior à dele (1ª), simplemente ANULE todo este processo espúreo, colocando na rua TODOS os envolvidos. O lado bom é que os inocentes serão libertados; o lado ruim é que os CULPADOS TAMBÉM serão libertados e a mácula ficará com os INOCENTES. É por isto que Moro não menciona os tucanos envolvidos nesta trama, cujo objetivo único é desmoralizar pessoas com alguma ligação com o PT, obviamente com motivos político-eleitorais embutidos nas ações levianas, que têm um elevado custo para o bolso dos brasileiros, principalmente neste período de crise internacional que acabou nos afetando. É a partidarização do justiça e também da PF. Aos menos avisados, não sou petista, mas eleitor convicto de Lula e Dilma…

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: