O “terrorismo” da Folha não tem torneira em casa

Folha_AguaSP02

Fernando Brito, via Tijolaço

O Operador Nacional do Sistema Elétrico” divulgou nota chamando de “inverídica” (uma palavra gentil para mentirosa) a manchete da Folha de quarta-feira, dia 5.

Não é inverídica, é estúpida como um ato terrorista. Porque parte de uma aparente “obviedade” para chegar a uma estupidez alarmista.

“Se não chover” é vago o suficiente para não dizer coisa alguma. “Se não chover” hoje, não acontece coisa alguma. Se não chover por três meses, é um desastre.

Mas como assim “se não chover”, em pleno início de uma estação chuvosa e as chuvas não apenas começaram quanto têm previsão de continuar, com uma ou outra interrupção, até pelo menos a metade do mês?

E se os meteorologistas são unânimes em prever novembro, dezembro e janeiro com precipitações até acima da média histórica?

Não é possível continuar confundindo desejo político com a administração de bens essenciais à coletividade, como água e energia. Ou achar que o mundo acabou com três dias sem chuva ou que tudo está resolvido (ou teria de estar) se os mesmos três dias fossem chuvosos.

Se a Folha quer aplicar este tipo de premonição, já vão aí, na ilustração, as sugestões de “copidesque” em sua manchete. Porque, “se não chover”, mesmo a lama da segunda cota de “volume morto” que abastece metade dos paulistanos secaria até o final do ano.

Os leitores são testemunhas de que aqui se tratou com absoluta severidade da crise hídrica em São Paulo, mas isso não impediu que se registrasse que, no curto prazo, as chuvas vão aliviar – sem resolver – a situação.

Não por “chute” nem por otimismo – porque otimismo, além de certo ponto, é tolice. Mas porque o tempo, embora não seja previsível em termos absolutos, é hoje previsível cientificamente, com dados de observação e modelos de alta confiabilidade. Como o que mostra a previsão de chuva acumulada no Brasil, produzida pela Climatempo, uma empresa privada.

Um jornalista não pode escrever sobre apenas “alguém disse”, embora esteja na moda transformar em verdade absoluta até o que uma pústula moral como Alberto Youssef “teria dito”.

Se for assim, fechemos os jornais e deixemos tudo por conta do Facebook. Curioso é que o mesmo exercício de catastrofismo poderia ser feito em relação a São Paulo, com muito mais base na realidade.

A poderosa redação da Folha, estupidamente, apresenta um gráfico escandalosamente errado. Segundo ele, 47% é menor que 40%. E 15,8% é muito mais perto de 10% que de 20%.

Poderia ter feito o mesmo quanto ao Cantareira. Se não fez, este blog, modestamente, o faz. Em vermelho, seus índices de armazenamento.

É preciso dizer algo sobre como cuidar da possibilidade de incêndio na sala enquanto o fogo arde na cozinha?

Folha_Cantareira01

O grave é que o repórter que produziu a matéria, por iniciante ou por ignorar o assunto, até poderia ter errado. Jamais seu editor, muito menos o editor de primeira página que a escolheu como manchete. A menos que estejam se candidatando a alguma vaga na Veja.

Uma resposta to “O “terrorismo” da Folha não tem torneira em casa”

  1. Jacqueline Brito de Souza Says:

    Galera, boa tarde!

    Essa declaração do Rui Falcão que propõe o fim do bolsa família é verídico?

    [http://www.pdg.com.br/_images/assinaturaEmailPDG.jpg]

    Jacqueline Brito

    Obra DOM Condominium Clube

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