Aparelhamento: Tucano flagrado com dinheiro vivo é assessor da presidência da Cetesb

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Conceição Lemes, via Viomundo

Em 2 de outubro, o Viomundo denunciou: PF detém em Congonhas assessor de ex-secretário tucano com R$102 mil em dinheiro vivo e 16 cheques em branco assinados.

O assessor é Mario Welber, jornalista e suplente de vereador em São José do Rio Preto (PSDB/SP). O ex-secretário tucano é o deputado estadual Bruno Covas, eleito deputado federal em 5 de outubro.

Em 7 de outubro, o Globo noticia: PF de Brasília faz apreensão em avião que transportava dinheiro suspeito.

Poucas horas depois dá, em manchete garrafal, que o detido no jatinho era da campanha do PT em MG, mas não fala nada de Welber.

O caso Welber só vai aparecer em o Globo e nos portais no dia 9 de outubro.

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Dois pesos e duas medidas, como sempre.

  1. Embora a detenção de Welber tenha ocorrido em 27 de setembro e em 2 de outubro o Viomundo e o Estadão (este, como “vacina”) tenham revelado o caso, O Globo só o “descobriu” no dia 9.
  2. O assessor de Bruno Covas é brindado com o título de “apoiador”. Welber trabalhou como repórter da TV Tem, a retransmissora da Globo em São José do Rio Preto
  3. A apreensão do dinheiro vivo e dos cheques assinados em branco foi antes de 5 de outubro. Portanto, seriam utilizados na eleição. O que configuraria crime eleitoral. Já o do petista foi após a eleição.

A Folha de 9 de outubro parece que combinou a edição da matéria de Welber com o Globo.

Na capa, Welber é apresentado no título como “aliado”, na página interna como “colaborador” de Bruno Covas.

A Folha deu espaço claramente desigual para dois casos idênticos: apreensão de dinheiro vivo de origem duvidosa. Vejam as imagens.

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Cinco dos sete parágrafos são dedicados à defesa de Welber.

A Folha não diz que os cheques apreendidos com Welber estavam em branco, mas que eram assinados pelo contador da candidatura de Bruno Covas a deputado federal.

A Folha não fala dos cargos ocupados por Welber, nem da proximidade dele com tucanos de alta plumagem.

Parágrafo final da “denúncia” da Folha: “A assessoria acrescenta que o colaborador estava na capital para “compromissos particulares” e, a pedido do contador da campanha, levou os cheques ao coordenador. Todo e qualquer cheque emitido por campanha é regular”.

É bastante inverossímil que um “colaborador” de campanha tenha vindo a São Paulo resolver um problema particular e, na volta, portando 102 mil reais em dinheiro, tenha sido usado como portador de 16 cheques oficiais, não lhes parece?

Agora vejam como termina a reportagem da Folha sobre os “colaboradores” da campanha de Fernando Pimentel e os pilotos do jatinho em que viajaram: “Os cinco homens levados a prestar esclarecimentos foram liberados na noite de terça. Nenhum foi localizado para comentar o caso”.

É a Folha em campanha para livrar os tucanos de possível crime eleitoral.

Welber, exemplo típico do aparelhamento tucano na máquina pública

Welber não é um assessor qualquer. É o chamado pau para toda obra de Bruno Covas, segundo fontes de Rio Preto e da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Aonde Bruno vai, Welber se ajeita atrás. É o exemplo típico do aparelhamento que os tucanos fazem da máquina pública e do qual acusam o PT.

A trajetória de Welber ilustra isso.

Em 30 de setembro de 2009, Welber foi nomeado como agente de segurança parlamentar na Alesp.

Daí até 31 de dezembro de 2010 ficou lotado no gabinete de Bruno Covas.

Em 1º de janeiro de 2011, Bruno Covas assumiu a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Welber foi junto.

“De 3 de fevereiro de 2011 a 7 de julho de 2011 ele respondia como assessor administrativo da CETESB (pediu demissão)”, diz, por e-mail, a assessora de imprensa de Bruno Covas, em resposta ao questionamento feito pelo Viomundo.

Atualmente, trabalha na Cetesb, como o Viomundo divulgou em primeira mão.

“De 11 de janeiro de 2013 a 31 de julho de 2014 — assessor administrativo da CETESB (quando pediu licença sem vencimentos)”, acrescenta a assessora de Bruno Covas.

Welber, que se afastou para fazer a campanha de Bruno Covas, tinha até dia 10 para solicitar ou não a renovação do afastamento por, no máximo, o mesmo período.

Só que Welber não é assessor administrativo, como informou a assessora de imprensa de Bruno Covas.

Welber é assessor técnico I da Cetesb. Não tem uma subordinação direta. Está ligado à presidência. Faz o que quer no campo. Salário: R$9.546,00

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– Welber retornou ao trabalho no dia 10?

Eu, Conceição Lemes, também tive essa curiosidade.

Nessa quarta-feira 14, enviei e-mail à Cetesb e à assessora de imprensa de Bruno Covas, perguntando sobre o retorno de Welber. Nenhuma respondeu

A assessora de imprensa de Bruno Covas chama-se Fabiana de Holanda.

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Agora, pasmem.

A Fabiana de Holanda (nome completo Fabiana Macedo de Holanda), assessora de Bruno Covas, é simplesmente a gerente do Departamento de Comunicação Social da Cetesb. Cruzando os dados nessa madrugada foi que eu descobri.

Salário: R$15.326,00.

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Coincidência pegar dois tucanos que trabalham para Bruno Covas e, ao mesmo tempo, na Cetesb? Dupla-função?

Aparentemente, não. Reportagem publicada em 2013 pelo Estadão, que de petista não tem nada, revela que Bruno Covas é chegado no aparelhamento da máquina pública.

A ponto de o presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani afirmar: “A impressão é que a secretaria foi transformada num comitê eleitoral”.

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E depois os tucanos acusam o PT de aparelhar a máquina pública.

Parafraseando o dito popular quem tem padrinho, não morre pagão, esta reportagem deixa clara outra versão: quem tem padrinho tucano, não morre depenado.

Uma resposta to “Aparelhamento: Tucano flagrado com dinheiro vivo é assessor da presidência da Cetesb”

  1. marielfernandes Says:

    Isso sim que eu chamo de jornalismo investigativo. E isento uma barbaridade

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