Fernando Brito: O povo brasileiro só conta com sua própria lucidez

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Fernando Brito, via Tijolaço

Nenhum de nós, neste momento, tem o direito de ser ingênuo com o que está acontecendo. Não há um processo eleitoral democrático, normal, onde as forças políticas se confrontam e disputam a preferência do eleitor.

Tanto que se empurra ao favoritismo um homem que se formou no conforto do nepotismo e cuja virtude política é sua própria nulidade pessoal.

Existe, sim, uma tentativa em marcha – e avançada – de conduzir o povo brasileiro não à eleição de um candidato, mas ao linchamento de um governo. Uma espécie de 1954 com urnas eletrônicas.

O povo brasileiro está sitiado.

Ocultaram-lhe que seria Aécio – e não Marina – a enfrentar Dilma no 2º turno e, assim, deixaram sua nulidade no “freezer”, até que fosse a hora de plantá-lo, ao velho como novidade, para a cartada final.

E, para ela, não foi preciso mais que articular o comportamento de um canalha de terceiro escalão ao qual se prometem prêmios por “delações”, com um juiz que o faz prestar um depoimento genérico, sobre fatos que, depois de meses de investigação, ele já teria de ter revelado, para que seja divulgado em redes de televisão, enquanto se nega o acesso a quem é acusado às informações sobre o que é dito, especificamente.

Parte do Judiciário se junta ao que é generalizado.

A imprensa, as instituições, a economia, seus políticos estão de goela aberta, prontos a devorar seu futuro. Estão prontos a tudo que lhes signifique uma chance de tirar este país do povo brasileiro.

Os que o defendem estão mudos ou anulados, perdidos em seus próprios equívocos, acomodações e conveniências. Respeitaram, como em nenhuma outra época da história brasileira, o livre funcionamento das instituições e não tocaram nos privilégios de nossa elite, exceto o de ser a única dona do Brasil.

Todas estas forças, agora, se unem contra um processo político que o afirmava. Um processo do qual, nem mesmo ele, o povo, tem uma consciência que vá além de sua pele, de seu instinto. Porque suas vanguardas políticas abriram mão de sê-lo, na ilusão de que podiam ser “de todos”

Como naquele momento terrível de nossa história, o “mar de lama” que se pintava não era real e muito menos Getulio Vargas estava nele mergulhado. Mas a histeria moralista da UDN de nossos tempos conseguiu arrastar parte da classe média.

Marina Silva é apenas expressão desta hipocrisia, de um movimento que há 60 anos agita corrupção e anticomunismo como se fossem honrados e defensores das liberdades, mas compactua com o saque colonial de nosso país e com todo o autoritarismo que tivemos e temos.

Temos uma elite perversa, que compreende que a fome só faz escravos e que vê escravos da comida os que deixam de passar fome. Que odeiam um médico cubano porque aceita trabalhar ganhando R$4 mil quando R$10 mil não bastam a um médico recém-formado no Brasil para trabalhar de oito às cinco na periferia.

Tornamo-nos o país do ódio.

As manchetes de jornal são o que teria dito um crápula, um ladrão, em troca de um perdão e sabe-se mais o que lhe tenham prometido, para declarações cronometradas a coincidirem com o momento das eleições.

No entanto – que maravilha! – o povo brasileiro resiste. Só tem seu instinto a defendê-lo. Mas o instinto, tão desprezado, é muito poderoso, se ele encontrar referências.

Se tivermos, porém, a coragem de lhes dar a verdade. Temos 15 dias e um desafio imenso pela frente. Nestas duas semanas, temos de usar os programas de tevê e os debates para desmontar, corajosamente, as montagens marteladas a cada dia pela mídia.

Já não é hora de posturas defensivas ou de jogos estratégicos. Campanhas são longas, como a que fizeram de junho de 2013 para cá, quando fizeram um país que acreditava estar indo no caminho certo parecer um lugar onde parecia que tudo estava errado. E como, assim, conseguiram os incautos esquecer de anos, décadas em que a classe dominante fez, de fato, tudo dar errado para o nosso país e nosso povo. Mas o que temos agora não é uma campanha, mas uma batalha. Nelas, é preciso coragem, ousadia e líderes.

Se deixarmos que se percam as referências, a força de nosso povo se dispersa e pode ser vencida. Mas se elas surgem, deixando de lado os cálculos políticos convencionais, o povo brasileiro pode sair do isolamento em que o querem colocar.

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