Vergonha ou medo?: Comandantes evitam lembrar à tropa aniversário do golpe de 64

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A Comissão da Verdade de Minas Gerais pode estar prestes a esclarecer um dos maiores mistérios envolvendo a ditadura militar e a população indígena.

Via Correio do Brasil

O mês de março é simbólico para a vida política brasileira. Se, para o movimento estudantil, o período é marcado pela Jornada de Lutas em homenagem a duas figuras marcantes para a juventude brasileira, a direita fascista também tenta rememorar o golpe de 1º de Abril de 1964, que deu origem à ditadura militar no país, que durou 20 anos.

Um dos homenageados pelos estudantes é o estudante secundarista Edson Luís, assassinado com uma bala no peito disparada por militares durante repressão a um protesto no restaurante universitário Calabouço, no Rio de Janeiro, em 28 de março de 1968. Edson reivindicava preços mais justos para a alimentação dos estudantes.

Os estudantes lembram, ainda, a data de nascimento (28 de março de 1947) de um dos principais líderes estudantis da história brasileira: o ex-presidente da UNE, Honestino Guimarães, preso, torturado e assassinado pela ditadura militar no Rio de Janeiro. Honestino, com seus anseios em mudar o Brasil e o mundo, continua um símbolo vivo para diversas gerações.

Já no lado dos militares, corridos 50 anos, o golpe militar que a ultradireita reivindica no 31 de março de 1964, para fugir ao estigma do Dia da Mentira, é uma lembrança a cada dia mais tênue na memória nacional, mas também uma história sem ponto final que, ainda hoje “contamina com rancor e ódio o ambiente político”, afirma o jornalista Paulo Nogueira, editor do sítio de notícias do Diário do Centro do Mundo.

“O conflito é particularmente visível na relação do atual governo com as Forças Armadas, sobretudo com militares da reserva, e na Comissão Nacional da Verdade, criada em 2011 para investigar e esclarecer o que ocorreu com 153 militantes de esquerda desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985)”, afirma Nogueira.

Leia, adiante, a íntegra do texto:

Antecipando-se a eventuais celebrações, o governo tomou providências para evitar uma nova crise com o meio militar, como se deu em 2012 e 2013 por ocasião do aniversário de 31 de março. Por orientação de Dilma, uma ex-combatente da luta armada contra o regime dos generais, o ministro da Defesa, Celso Amorim, chamou os comandantes militares e passou o recado: o governo não vai tolerar manifestações do pessoal da ativa.

As punições podem ir da simples advertência à prisão e exclusão das Forças Armadas.

Amorim recebeu a garantia dos chefes militares de que não haverá nada de iniciativa do pessoal da ativa. A rigor, desde o governo de Lula o 31 de março foi banido do calendário de comemorações militares, o que nem sempre impediu um ou outro oficial de levantar a voz para fazer a apologia da “Redentora” – o apelido da “Revolução de 31 de março de 1964″, como se referiam ao golpe os militares e civis que apoiaram a deposição do ex-presidente João Goulart (1961-1964).

Atualmente, os bolsões que combatem o governo do PT falam em “contrarrevolução”. O Palácio do Planalto também autorizou “conversas do alto escalão” das Forças Armadas com o pessoal da reserva reunido em torno dos clubes militares. O mais importante deles é o do Exército, chamado de Clube Militar – a Casa da República.

Há um “entendimento” para que a “Casa” evite se manifestar. Realisticamente, no entanto, na avaliação do Ministério da Defesa o simbolismo da data – os 50 anos – é muito forte: o pessoal da ativa e até o Clube Militar, eventualmente, podem ser mantidos sob rédea curta. Mas dificilmente o grupo mais radical – ligado aos porões da repressão – deixará de celebrar o 31 de março.

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