50 anos do golpe: Como algumas empresas se beneficiaram com a ditadura militar

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Rosa Cardoso e Ivan Seixas se reuniram com pesquisadores.
Foto de André Takahashi.

Comissão da Verdade quer responsabilizar empresas que colaboraram com a ditadura. Setor privado preparou terreno para o golpe de 1964 e se beneficiou o regime militar.

Marsílea Gombata, via CartaCapital

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) quer responsabilizar empresas que financiaram a repressão durante o período do regime militar no Brasil (1964-1985). Em reunião do grupo de trabalho “Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical” com pesquisadores sobre o envolvimento do empresariado brasileiro com o regime militar, neste sábado 15, a advogada Rosa Cardoso, membro da CNV, afirmou que o apoio dado por grupos do setor privado ao golpe deve se fazer conhecido.

“Devemos fazer uma responsabilização institucional em relação às empresas que apoiaram a ditadura. Assim, conseguimos mostrar que tratou-se de um golpe civil militar e não apenas militar, uma vez que foi construído por toda uma classe empresarial”, disse Rosa sobre o apoio também de grupos multinacionais que se viam em situação de risco nos governos que antecederam o regime militar, como o de João Goulart.

A advogada de presos políticos na ditadura lembrou que, antes mesmo do golpe contra Jango, foram criados os Ipes (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) e o Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que apoiavam partidos e parlamentares de direita com dinheiro do empresariado e da própria CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), ajudando a criar todo um aparato para o golpe. “Havia Ipes não apenas nas principais capitais, mas também em lugares mais afastados, como Manaus”, disse. “E não apenas os Ipes, mas também grupos que não tinham paciência para ser tão militante, como o de antigos membros da Revolução Constitucionalista (movimento paulista de 1932 contra Getulio Vargas) e os banqueiros.”

Ativa colaboradora do regime militar, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ajudou, juntamente a outros setores do empresariado paulista, a financiar a repressão e centros de repressão. Um dos maiores exemplos é aquilo do que viria a ser um modelo de centro de tortura para outros lugares do País: a Oban (Operação Bandeirante). Localizado no número 921 da rua Tutoia, onde hoje funciona o 36º Distrito Policial da Polícia Civil, o local se tornou mais tarde o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informação do Centro de Operações de Defesa Interna), estrutura replicada depois em outras capitais do País.

Na época, afirmou o pesquisador Jorge José de Melo, o empresariado paulista denominava 40% do PIB brasileiro. “Colaborar com esse tipo de estrutura do regime era ter acesso livre aos recursos públicos”, explicou o jornalista que analisou a trajetória de Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragaz e colaborador do regime, que acabou assassinado por um comando da ALN (Ação Libertadora Nacional) e do MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes) em 1971. “Alguns colaboraram ideologicamente, como Boilesen e Gastão Bueno Vidigal, do Banco Mercantil, mas outros colaboravam para ter acesso mais fácil aos recursos.”

Membro da Comissão da Verdade do Rio, a jornalista Denise Assis lembrou que empresas ajudaram a preparar o terreno do imaginário popular para a ditadura através de uma propaganda maciça. “Localizei no Arquivo Nacional 14 filmes que serviram de instrumento de convencimento à sociedade para que essa aceitasse e ansiasse pelo golpe. Esses filmes eram produzidos pelo empresariado carioca, como Petróleo Leão e Listas Telefônicas Brasileiras, com apoio financeiro do Ipes”, disse ao lembrar que o instituto era um “eufemismo para o grupo conspiratório” que se formou para tramar a derrubada de Jango, há 50 anos.

Assim, o golpe de 1964 contou com a ajuda da elite burguesa preocupada em proteger o capital. Para executar o programa de propaganda, contou Denise, foi montado um esquema de doações, constituído por 125 pessoas físicas e 95 jurídicas – destas, cinco (Listas Telefônicas Brasileiras, Light, Cruzeiro do Sul, Refinaria e Exploração de Petróleo União e Icomi) arcavam com mais de 70% das contribuições. O dinheiro arrecadado seguia, então, para as agências de propaganda como: Promotion S.A, Denisson Propaganda, Gallas Propaganda, Norton Propaganda e Multi Propaganda.

Em um dos filmes encontrados pela pesquisadora, o conceito de democracia é contrastado com as ditaduras de Adolf Hitler e Benito Mussolini, assim como o “comunismo” que seria responsável por disseminar na Alemanha Oriental as cenas de fome, miséria e tristeza apresentadas no vídeo. Na propaganda, ainda, as Forças Armadas são apresentadas como meio de defesa da manutenção da ordem e do progresso, e não de opressão. Os filmes, produzidos pela produtora Atlântida e dirigidos pelo cineasta Jean Manzon, eram exibidos antes de sessões nos cinemas, em clubes, nos intervalos de almoço de fábricas, em pracinhas do interior e em salas paroquiais, entre 1962 e 1964.

Empreiteiras

Dentre os setores que contribuíram e se beneficiaram do regime militar, um de grande destaque foi o de construção civil. Segundo Pedro Henrique Pedreira Campos, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que pesquisou como as empreiteiras apoiaram a ditadura, “empresários que atuam no setor de obras públicas e infraestrutura deram grande salto nessa época”. “Tornaram-se grandes grupos, inclusive com atuação internacional. Em troca, foram altamente favorecidos pelas políticas de Estado implantadas naqueles período. Houve, então, uma concentração no setor na área de construção pesada.”

Muitas vezes, mais do que a colaboração financeira com o regime, as empresas forneciam também apoio logístico à repressão. Além da perseguição a trabalhadores, com as chamadas “listas negras” daqueles que não deveriam ser mais contratados, houve quem cedesse acessórios – como tampões de proteção acústica da General Motors para funcionários do DOI-Codi em São Paulo – ou disponibilizasse instalações para serem transformadas em centros de tortura, como acusam a Petrobras de fazê-lo.

Portanto, ressaltou o deputado Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, tais empresas também devem ser penalizadas. “Defendemos a punição aos torturadores e aos militares, mas, fazendo analogia, as empresas das quais estamos falando cometeram ou induziram aos crimes, fizeram crimes análogos ou participaram dos mesmos crimes que os militares perpetraram ao povo brasileiro.”

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4 Respostas to “50 anos do golpe: Como algumas empresas se beneficiaram com a ditadura militar”

  1. Paulo Says:

    Interessante: a comissão de 1946 não foi adiante, a atual, não investiga, POR QUÊ??? talvez, porque era bacharel em direito, e a OAB não permite, ou será porque ele não era milico????
    =============================================
    Essa de investigar empresários é pura idiotice… queriam o que, que els se rebelassem e fechassem tudo… buririce, ideologia barata tem limites… essa comisssão já nasceu errada, desmoralizada, sendo parcial, nada isenta, com período inadequado, e que visa somente os milicos, chega a ser imoral…. a morte do JK já foi investigada umas duzentas vezes…a do Jango idem, … SALVE MANDELA, que foi terroista, ams na presidêcnia deu exemplo de IDEALISTA, não de golpista safado que visa os seus interesses epssoais e ideológicos, de amor ao se PAÍS, AO SEU POVO…. já pensou um dos “heróis” brssielrios na presidência da Afica do Sul????? REVANCHISMO, COSIA QUE AMNDELA NÃO TEVE E NÃO PERMITIU… até o Chile, qeu teve uma ditadura violenta, teve um a titude amis inteligete, apesar dos revanhcismo, que nãoa tingiu as baos cosias que o Pinocht fez.. aqpuei, tudo e´intlulio, resquíco…. pobre poovo…
    ===============================================
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    A ditadura de Vargas
    qui, 24/05/2012 – 20:00 – Atualizado em 27/05/2012 – 17:01
    Andre Araujo
    Comentários no post “Como Franco é tratado no Dicionário Biográfico Espanhol”
    http://www.brasilrepublica.com/getuliovargas.htm
    Muitas biografias oficiais ou oficialistas traçam perfis “polidos” de Chefes de Estado.
    Biografias de Getulio muitas vezes não usam a palavra ditador para o periodo do Estado Novo, as esquerdas especialmente culturam Getulio por causa de seu ultimo periodo que tinha cores “esquerdizantes”, ele foi eleito em 1950 com apio do Partido Comunista e Luis Carlos Prestes subiu ao palanque com Getulio, que quando ditador o prendeu por 9 anos em uma cela de 1 x 1,5 e mandou sua mulher gravida para a guilhotina na Alemanha.
    A repressão do Estado Novo foi proporcionalmente muito mais violenta do que a do regime de 64 e nem é citada nas Historias do Brasil escritas por autores esquerdistas que cultuam Getulio por causa de seu ultimo periodo de tintura anti-americana, esquecendo que Getulio foi tão fascista como Salazar, Franco e Mussolini durante o Estado Novo.
    Alem do mais não se pode esquecer que o atual regime espanhol é uma continuidade do franquismo, embora hoje com moldura democratica.
    Por alfredo sternheim
    Concordo, Andre. Realmente, sempre que possível, jornalistas , políticos e até historiadores e sociologos do Brasil omitem a condição de ditador de Getúlio Vargas. E responsável por uma repressão muitas vezes cruel, através da polícia de Filinto Müller. Temos até um partido que deifica Getúlio (o PTB) sem lembrar às novas gerações que ele foi um ditador. Por volta de 1946, existiu no nosso então novo Congresso uma Comissão da Verdade para examinar os deasmandos da ditadura Vargas.
    Nunca foi para a frente. A atual Comissão da Verdade atua só a partir do que ocorreu depois de 1946: estranho ter deixado a ditadura Vargas. Mas a Espanha tem feito uma burrada atrás da outra. Depois de perdoar a leviandade de Juan Carlos em caçar elefantes, depois de prosseguir humilhando brasileiros no aeroporto de Madri, depois de enviar ao Brasil pessimas empresas no ramo bancário e de telefonia, agora quer omitir a ditadura de Franco, deixar de citá-lo como ele realmente foi. Parecem avestruzes. Triste Espanha do grande Almodóvar.
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    ” Está morto: podemos elogiá-lo à vontade. ” Machado de Assis
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    ” A pátria não é ninguém; são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. ” Rui Barbosa

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    “ O exército não é um órgão da soberania, nem um poder. É o grande instrumento da lei e do governo na defesa nacional. Na paz ou na guerra, portanto, nada coloca o exército acima da nação, nada lhe confere o privilégio de governar. ” Rui Barbosa

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