Recordar é viver: A promiscuidade de Tuma Jr., o assassino de reputação

Romeu_TumaJr03_Chines

No centro da foto, Paulo Li e Tuminha.

Na quarta-feira, dia 6/5/2010, o jornal O Estado de S.Paulo publicou reportagem denunciando a relação próxima entre o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., e o chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li, apontado como chefe da máfia chinesa paulista, investigado pela Polícia Federal. Segundo o inquérito, Li tinha livre trânsito na secretaria e ganhava dinheiro intermediando vistos para chineses ilegais. Por outro lado, o secretário, que preside o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, aparece como cliente de Li, encomendando celulares e um videogame. Outras gravações mostram Tuma Jr. fazendo lobby em favor do namorado de sua filha. Ouça as gravações feitas pela Polícia Federal e leia as reportagens publicadas pelo Estadão.

Promiscuidade que condena
Via O Estado de S.Paulo de 9/5/2010

Quem ocupa o cargo de secretário nacional de Justiça, no exercício do qual comanda áreas estratégicas do Estado – como a de rastreamento de dinheiro ilegal no exterior e o controle da regularidade da situação de estrangeiros no País –, e, além do mais, é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria não pode ter relações tão estreitas com um cidadão preso há vários meses sob a acusação de comandar uma quadrilha especializada em contrabando de telefones celulares, como tem o delegado Romeu Tuma Jr. com Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li. Se, por razões de amizade ou de qualquer outra natureza, tiver esse tipo de relação, não pode ocupar os cargos públicos que ocupa no governo federal.

Não se trata de condenar antecipadamente o secretário nacional de Justiça sem que lhe tenha sido dado o direito de explicar suas relações com Paulo Li. Ele tem todo o direito de se justificar e as autoridades policiais têm o dever de investigar esse caso em profundidade, para que não restem dúvidas ou suspeitas. Trata-se de começar, de uma vez por todas, a combater com eficácia a cultura da promiscuidade que prevalece no País, sobretudo no setor público – e, de maneira notável, na área federal.

Já para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não há nada de condenável na relação de amizade entre o secretário nacional de Justiça e o indigitado Paulo Li. Na opinião do senador do Maranhão (Estado onde efetivamente exerce seu poder político, embora tenha sido eleito pelo Amapá), não têm substância as investigações da Polícia Federal (PF) ligando o delegado a uma pessoa acusada de chefiar “uma das maiores organizações criminosas de São Paulo e, consequentemente, do País”. O que há, segundo o senador, são apenas informações sobre a compra de um telefone (por Tuma Jr., de Paulo Li) e um pedido de emprego para o “genro”.

Não haveria nada de mais, de fato, se a compra fosse de um objeto importado regularmente, fornecido por comerciante legalmente estabelecido, e o pedido de emprego não envolvesse pressões sobre funcionários públicos por meio do uso do prestígio do cargo que ocupa.

Mas não é disso que se trata. Como mostrou reportagem de Rodrigo Rangel publicada pelo Estado quarta-feira, gravações telefônicas e mensagens eletrônicas interceptadas pela PF durante investigação sobre contrabando revelam muito mais.

Ao ser preso, no ano passado, com mais 13 pessoas acusadas de chefiar a quadrilha que contrabandeava celulares da China – os aparelhos recebiam placas com marcas de produtos conhecidos no mercado e eram vendidos no comércio paralelo de São Paulo e do Nordeste –, Li telefonou para Tuma Jr. na frente dos agentes federais. Ele fazia isso com frequência. As gravações mostram que o secretário nacional de Justiça encomendava a Li telefones celulares, computador e aparelhos de videogame.

Paulo Li, de sua parte, tinha livre trânsito na Secretaria Nacional de Justiça e se apresentava como “assessor especial” do órgão. Segundo a PF, Li também ganhava dinheiro fazendo andar mais depressa os processos de emissão de vistos permanentes de chineses em situação irregular no País. Esses vistos são emitidos pelo Departamento de Estrangeiros, subordinado ao secretário nacional de Justiça.

Em outras gravações, a PF descobriu que Tuma Jr. tentou pressionar as autoridades policiais de São Paulo – ele é delegado estadual – para conseguir aprovar o namorado da filha em concurso para escrivão de polícia. O secretário nacional de Justiça não teve êxito na pressão, pois o namorado de sua filha foi reprovado.

Não são relações e atitudes simples e fáceis de justificar – e até o momento o delegado Tuma Jr. não apresentou justificativas convincentes. Mas, mesmo que as apresente e comprove que nada tem a ver com as ilegalidades praticadas pelo amigo e que não utilizou o prestígio do cargo que ocupa para beneficiar parentes ou contraparentes, as informações já conhecidas sobre o caso recomendam seu afastamento imediato do cargo – para o qual foi nomeado por razões meramente políticas.

Leia e ouça mais sobre o Tuminha:

Ouça o diálogo entre Tuma Jr. e Li interceptado pela PF – Trecho 1

Ouça o diálogo entre Tuma Jr. e Li interceptado pela PF – Trecho 2

Ouça o diálogo entre Tuma Jr. e Li interceptado pela PF – Trecho 3

Ouça telefonema de Tuma e Luciano Pestana

Ouça conversa de secretária de Tuma com FangZe

Ouça Paulo Mello, braço direito de Tuma, em conversa com servidor Ricardo Vargas

Ouça segunda parte do telefonema de Mello a Ricardo Vargas

Diálogo interceptado entre Paulo Guilherme Mello e Francisco Teocharis Jr., conhecido como Grego

Mello liga para a PF e conversa com uma policial identificada como Regiane

Nova gravação telefônica da Polícia Federal flagra Tuma Jr. pedindo para livrar um político

PF liga Tuma Jr., secretário nacional de Justiça, a chefe da máfia chinesa

Leia trechos das conversas interceptadas pela PF

Li mandava e-mail a Tuma Jr. com lista de processos

Nomeação política criou desconforto na secretaria

Ministério nega que Tuma Jr. seja alvo da investigação

Chinês é apontado como chefe do contrabando de celulares

Romeu Tuma foge da polêmica envolvendo Tuma Jr.

“Cargo não é meu”, diz Tuma Jr. após denúncia

Lula: decisão sobre permanência de Romeu Tuma Jr. é do Ministério da Justiça

Tuma Jr.: primeiro o serviço, depois a fofoca

Senador diz que Tuma Jr. é digno e confiável

Padilha se irrita e evita comentar denúncias contra Tuma Jr.

Tuma Jr. marca entrevista e depois se nega a dar explicações

Planalto cobra explicação convincente de Tuma Jr. para suspeitas da PF

PF mostra lobby de Tuma Jr. em favor de “genro”

Mesmo com lobby, “genro” ficou sem emprego na Polícia Civil

Parlamentares defendem que caso seja apurado

Secretário e delegados se recusam a dar explicações

Planalto cobra explicação convincente de Tuma Jr. para suspeitas da PF

Inquéritos apuram atuação de Paulo Li

Para Ministro da Justiça, “não existe máfia chinesa dentro do Ministério”

Romeu Tuma defende filho e diz que amizade se tem com qualquer pessoa

Caso Tuma Jr.: Barreto afirma que não “rifará” pessoas só por denúncias

Paulo Li trabalhou na Assembleia na época do secretário

Blindagem já enfrenta oposição no Planalto

Tuma Jr. agiu para liberar contrabando, diz PF

“Estado” tenta ouvir secretário desde terça-feira

Escuta da PF flagra Tuma Jr. tentando relaxar apreensão de R$160 mil

Lula defende punição a Tuma Jr. se suspeitas forem provadas

Tuma Jr. diz que investigação da PF é armação

Comissão de Ética da Presidência abre apuração contra Tuma Jr.

Tags: , ,

3 Respostas to “Recordar é viver: A promiscuidade de Tuma Jr., o assassino de reputação”

  1. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Oi Emerson,
    Não deu pra ver. A foto tá em baixa.
    Abraço

  2. emerson57 Says:

    Bom dia Miguel,
    na foto percebe-se que o -li e o -tuma tem na lapela do terno um semelhante “botton”.
    se a sua foto for alta definição, seria interessante ampliar para descobrir se são idênticos e para qual “time?” eles torcem.

  3. Recordar é viver: A promiscuidade de Tuma Jr., o assassino de reputação | EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


<span>%d</span> blogueiros gostam disto: