CFM quer que cubanos “escravos” não atendam doentes e sirvam cafezinho

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Fernando Brito, via Tijolaço

Chega a ser nojenta a notícia de que o Conselho Federal de Medicina fará uma campanha entre os médicos brasileiros para que ofereçam “empregos administrativos” em seus consultórios e hospitais para os médicos cubanos que “desertem” e abandonem seus postos de atendimento na periferia e no interior do Brasil.

“Vamos dar apoio aos cubanos, mas eles não poderão trabalhar como médicos. Primeiro, eles terão de buscar refúgio e asilo em embaixadas não alinhadas ideologicamente com Cuba. Enquanto isso, com a rede de 400 mil médicos brasileiros, vamos conseguir contratos de trabalho administrativo, para que eles então tentem o Revalida”, afirmou neste domingo o presidente do CFM.

O que estes “doutores” querem? Não se contentam em ser desprezados pelo povo brasileiro, querem levar as pessoas pobres que viram um médico pela primeira vez na vida, de volta ao abandono total?

Afinal, quem quer reduzir quem à condição de escravos, de seres inferiores e incapazes senão de servir aos senhores?

Vão lhe servir cafezinho e vocês tolerarão, por isso, que usem a roupa branca? Vão ser os seus “negrinhos”? Como aquela imbecil que disse que as médicas cubanas tinham cara de “empregada doméstica”. E que beleza, não é, nem direitos trabalhistas terão, porque não têm visto de trabalho no Brasil para nada senão o que são: médicos de família, doutores em medicina social.

Ou será que os estão provocando até que um deles, em nome de sua dignidade, lhes esbofeteie? E aqueles brasileiros que estão lá, onde vocês não querem ir, nem ganhando quatro vezes mais do que os cubanos?

É gente simples, que não tem ninguém que olhe por ela, que suplica, implora, se ajoelha, até, para que se cuide de um filho doente.

Os dirigentes destas instituições não fizeram o Juramento de Hipócrates? Não é possível que tenham prometido nunca “causar dano ou mal a alguém”. A mesquinhez e a crueldade de parte da elite brasileira chegaram ao extremo.

Já não lhes basta viver na abundância: é preciso que os pobres morram na doença e no abandono.

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Médicos cubanos são livres nos EUA, mas não para serem médicos

Fernando Brito, via Tijolaço

Sobre a fuga de médicos cubanos para os EUA, nada melhor que ler a insuspeita matéria de quarta-feira, dia 12, da Folha de S.Paulo – insuspeita, portanto – escrita pela correspondente Isabel Fleck, de Nova Iorque.

Note que a reportagem não ouve “o outro lado”: apenas os médicos que “desertaram” e aqueles que agenciam a fuga de médicos cubanos.

Quanto à questão do pagamento que é, de fato, muito baixo para as disponibilidades dos médicos no Brasil, é importante saber que eles vêm para fazer um baita pé-de-meia, para os padrões cubanos. Eles recebem, mensalmente, em Cuba, US$600,00, o que equivale a 54 vezes o salário mínimo local, que é de US$11,00.

Salário de fome?

Um aluguel residencial custa até US$2,00, a conta de luz custa R$0,35… Você pode ter outras referências sobre o custo de vida no artigo do frei Gilvander Moreira, no Blog da Vera.

Mesmo que você considere o salário mínimo baixo como é aqui, os US$600,00 que recebem lá seriam, 54 vezes são, no Brasil, algo como R$39 mil mensais.

Considere que os artigos mais caros não têm os subsídios estatais e isso representa, talvez, 50% deste valor em poder de compra. É por isso que as “deserções” de Cuba não chegam a 2% dos profissionais médicos.

Agora leia, na insuspeita narrativa da Folha, o que os espera nos EUA.

Cubanos acolhidos pelos EUA não conseguem atuar como médicos

Desde 2006, os Estados Unidos acolhem médicos cubanos que querem desertar de missões negociadas por Havana pelo mundo, como o Mais Médicos, no Brasil. Porém, conseguir exercer a profissão no país não é fácil e boa parte dos trabalhadores acaba se frustrando.

Por meio do programa CMPP (Cuban Medical Professional Parole) – para o qual se inscreveu a médica Ramona Rodriguez, que deixou o Mais Médicos na semana passada por discordar de valores pagos no programa e já pediu visto americano-, eles recebem nos EUA os mesmos direitos de refugiados políticos, num processo de obtenção de visto que dura, geralmente, entre um e três meses.

Porém, apesar de os EUA oferecerem cenário bem mais favorável que o regime de trabalho em Cuba, os mais de 4.000 cubanos que já chegaram ao território americano pelo programa compartilham o drama de não conseguir atuar como médicos.

Diante da burocracia e do alto preço pago pelo processo de revalidação do diploma, quase todos os médicos cubanos que chegam aos EUA vão trabalhar como assistentes de médico (posto equivalente a um auxiliar de enfermagem no Brasil) ou acabam mudando de ocupação.

Segundo a ONG Solidariedade sem Fronteiras, de Miami, que ajuda cubanos a ingressarem nos EUA, quatro médicos que estão no Brasil o consultaram para saber sobre a obtenção do visto.

“Para um cubano, é a oportunidade única de sair de vez da ilha”, disse o presidente da ONG, Julio Cesar Alfonso. Nos EUA há oito meses, Ranoy Gonzalves, 31, desaconselhou uma amiga que ligou do Brasil para saber mais sobre o CMPP. “A situação em que eles vivem no Brasil é melhor do que a que passei na Venezuela, e aqui ela não poderá trabalhar como médica”.

Gonzalves passou menos de um ano na Venezuela, morando num apartamento de três quartos e banheiro com outros 13 profissionais cubanos e recebendo 1.500 bolívares (cerca de R$585,00) por mês.

Com pós em radiologia, ele atua como assistente de médico numa clínica em Miami. “Me sinto frustrado, porque dediquei 12 anos da minha vida a estudar medicina, e hoje não posso atender.”

O médico Rodolfo Soares, 44, chegou aos EUA como refugiado político. Trabalha há cinco anos como assistente de cirurgia em Miami e ganha R$5.200,00 por mês, mas quer atuar em outro país. “Sei que os cubanos estão ganhando pouco lá [no Brasil], mas meu objetivo é participar do Mais Médicos como estrangeiro”, disse, sugerindo que pode entrar com processo de cidadania americana antes de se inscrever no programa. A bolsa dada a estrangeiros pelo Mais Médicos é de R$10 mil mensais. Por meio do convênio entre Brasil e Cuba, porém, médicos recebem 10% disso.

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2 Respostas to “CFM quer que cubanos “escravos” não atendam doentes e sirvam cafezinho”

  1. pintobasto Says:

    Escrevem tanta porcaria contra o Mais Médicos que chega a meter dó! Como é possível determinadas pessoas serem tão ruins que sabem desejar o mal para quem as rodeia?

  2. CFM quer que cubanos “escravos” não atendam doentes e sirvam cafezinho | EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

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