O avanço da direita fanática no SBT

Olavo_Carvalho05_SBT

Propaganda do mestre numa concessão pública.

Paulo Nogueira, via DCM

O episódio Sheherazade jogou luzes sobre o tipo de jornalismo feito por Sílvio Santos no SBT. O baixo Ibope fez com que ninguém prestasse atenção à linha editorial do SBT.

Hoje, o jornalismo do SBT é uma máquina vibrante e histérica de propaganda de direita fanática. Tudo isso se faz sem que sejam questionados os limites do que você pode fazer numa concessão pública como é o caso das emissoras de televisão.

Vale tudo? É o que parece.

Sheherazade está longe de ser um caso isolado no SBT. Ela tem uma espécie de irmão gêmeo num comentarista da afiliada do SBT em Curitiba, Paulo Eduardo Martins. Ele se dedica em regime de 24 por 7 a louvar a direita e a dar cacetadas na esquerda. Num comentário, ele se referiu a Che Guevara como um “porco comunista”.

Em dois outros, ele vendeu livros de extrema direita. Um de Olavo de Carvalho, um homem de “inteligência sublime”, e outro de seu discípulo Rodrigo Constantino.

Quer dizer: uma concessão pública está sendo usada para fazer propaganda de extrema direita – sem que ninguém pelo menos debata se isso pode.

Admiradores de Martins, talvez instigados por ele mesmo, fazem pressão agora para que Sílvio Santos o coloque no SBT nacional ao lado de Sheherazade.

Circula até um abaixo assinado na internet endereçado ao chefe de jornalismo da emissora.

O jornalista Lino Bocchini, num artigo sobre Sheherazade, notou a responsabilidade do governo em não fazer nada para ao menos levantar a discussão sobre casos de incitamento ao ódio na televisão.

Alguma autoridade deveria ao menos se pronunciar sobre o caso para dizer algo do gênero: “Ei, estamos vendo isso, e não nos agrada muito.”

Lembremos que, ao fim, a pregação ultradireitista é dirigida claramente contra o PT e, por extensão, contra os brasileiros que elegeram o partido nas urnas. Com a omissão do governo, a brigada de ultradireita vai avançando na mídia corporativa.

Na Veja, foi como se Roberto Civita saísse por uma porta para que Olavo de Carvalho entrasse por outra. No SBT, Sílvio Santos não precisou sair por porta nenhuma para que o mesmo acontecesse. Certamente ele a abriu para o pensamento de extrema direita.

O avanço dos ultraconservadores é uma ameaça à democracia, como sabemos pelas trágicas lições de 1954 e 1964. Que concessões públicas sejam utilizadas para promover escancaradamente uma causa tão sinistra é algo que desafia a inteligência e o bom senso mais elementares.

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11 Respostas to “O avanço da direita fanática no SBT”

  1. jorge geovane Says:

    você eu estou desconfiado que é funcionário do SBT

  2. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Ramon,
    Você só esquece que as emissoras de tevê e rádio são concessões públicas. Além disso, liberdade de imprensa não inclui incitação ao crime.
    #ATucanalhaPira

  3. Ramon Mercader Says:

    Deixa de picaretagem rapaz! O SBT é empresa privada e segue a linha de jornalismo que melhor entenda. Deixe ser totalitário e pare com as mentiras. Pare de querer censurar a imprensa livre. A emissora estaria cometendo crime se fizesse apologia ao socialismo, ou seja, facismo, comunismo e nazismo, ou a facínoras assassinos de milhões de seres humanos como fidel, hitler, stalin, lenin, pol pot, entre outros, que como você relativizavam o certo e o errado em nome de um ParTido ou ideologia.

  4. Clovis Pacheco F. Says:

    Impedir a direita de falar não seria boa solução. Seria antidemocrático, até porque dá para ser da direita e civilizado, ainda que tal não seja a praxe brasileira. O correto é cobrar responsabilidade da direita!

  5. Clovis Pacheco F. Says:

    Criticar pode? Não pode, DEVE! Mas uma coisa é criticar, outra é vomitar asneira… Sherazadices e martinadas não são mais que isso, pura besteira.

  6. Clovis Pacheco F. Says:

    Deu para ver que o tal Paulo Eduardo Martins é um idiota perfeito! Digno de fazer par com a tal de Sheherazade, ser o sultão dela! Citar como “pensador sublime” o “seu” Olavo de Carvalho, a pessoa que usa como argumento recorrente o “ora, porra!” e perorações do gênero “vá tomar no cu!”, como sói acontecer, e fazê-lo a sério, dizendo que isso é “vacina” contra Karl Marx – ou contra qualquer outro pensador – e procedimentos que tais, só pode ser mesmo coisa de quem tem dentro da cabeça aquela coisa que as pessoas normais têm dentro do intestino delgado.

    Noutras épocas, a direita brasileira tinha como nomes Oliveira Vianna, Francisco Campos, Azevedo Amaral e, para os desejosos de uma ideologia mais demarcada, Plínio Salgado. Gerações anteriores, no tempo do Império, o inspirador era Brás Florentino.

    Nos meados do século XX, a direita brasileira passou a se inspirar em Eugênio Gudin, Octavio Gouveia de Bulhões, Antônio Delfim Neto e, mais que tudo, em Roberto Campos, o famoso Bob Fields. Mas como já havia o germe da degeneração, possuía também o seu histrião, o Paulo Francis.

    Mas como a história só se repete como farsa, já que em si mesma ela é irrepetível, agora vemos Olavo de Carvalho, Merval Pereira, Ali Kamel, Demétrio Magnolli, Marco Antônio Villa e quejando. Fora os bufões ao estilo de Dioguinho Mainardi e que tais.

    Sem falar em sua vertente mais perigosa, ainda que também muito histriônica, representada tanto pelo ex-capitão Jair Bolsonaro quanto pelo seu homólogo civil de Bíblia debaixo do braço Marcos Feliciano, ambos bem menos letrados ainda, mas por isso mesmo bastante perigosos para a democracia, pela ascendência que ainda podem ter sobre as massas mais ignorantes. Afinal, a lição de Hitler é de ontem… Começou como um palhaço que vociferava um discurso epileptiforme, alguns acharam engraçado, outros o viram como elemento útil para agir contra as esquerdas alemãs, deixaram que o louco paranoico seguisse adiante e deu no que deu!

    E junto com esses direitistas de letras curtas – afinal, “pastor erudito é pouco fervoroso e pastor fervoroso é pouco erudito”, em se tratando de “crentes”…, vêm o esperto Silas Malafaia e que tais!

    Assim, todos eles têm os seus Sãos Joões Batistas. Hoje, são eles, os anunciadores, Paulo Eduardo Martins, Rachel Sheherazade, Miriam Leitão e uma infinidade de outros tantos “profetas” televisivos… Pelo que parece, hoje o número de histriões televisivos está tendendo a se igualar – e quiçá um dia supere – o de “ideólogos” das telinhas e da mídia impressa.

    Os tempos, realmente, estão bicudos, e o modelo só consegue se repetir cada dia mais capenga, caindo aos pedaços, adaptado a uma plateia que só entenderá os seus “argumentos” expressos do modo como são feitos, que é essa que estamos vendo!

    A elite agrária escravista latifundiária e exportadora da agricultura monocultora imperial, açucareira ou cafeicultora, entendia a erudita prosa oitocentista do doutor Brás Florentino, o jurista ideólogo do absolutismo de então.

    A elite agrária dos inícios da República oligárquica e dos tempos do Estado Novo entendia os textos arrevesados de Oliveira Vianna, Francisco Campos, Azevedo Amaral, hoje bastante relativizados, assim como o nacionalismo míope de Plínio Salgado, como antes entendera os cientificismos racistas de Silvio Romero e de Nina Rodrigues.

    As classes ricas da segunda metade do século XX, já degenerando em “Zelite”, – ignorante, preguiçosa, burra, obviamente –, formada pela Globo e pelo Estadão, fingia que entendia plenamente as palavras de Eugênio Gudin, Octavio Gouveia de Bulhões, Delfim Neto e do Bob Fields, com sua linguagem empolada e impessoalíssima, matematizada ao extremo, carregada de economicismo tenocrático.

    Hoje, totalmente zelitizada, ou seja, mais ignorante, mais burra e mais preguiçosa, e degenerada dos pés à cachola, por sua formação feita pelo GAFE – Globo, Abril, Folha e Estadão – têm o que vemos agora, a começar de Olavo de Carvalho, o “pensador” que passa por brilhante…

  7. alderijo Says:

    Eu diria que esta escumalha sórdida da qual a “loira” Sheherazade e Paulo Eduardo Martins, dupla de cães hidrófobos, fazem parte de uma mídia outrefata que aposta no pior quanto ao futuro do país!Deus na sua infinita bondade, fez muito bem em impor límites à inteligência, todavia, também deveria ter limitado a estupidez do ser humano!

  8. Nei Santos Says:

    O que isso senhores? Então não vivemos em um país democrático,
    onde ainda existe liberdade de expressão? Um país que estar pela hora da morte, saúde, morrendo, educação de péssima qualidade, que não chega a todos os brasileiros, o povo estar descontente, precisamos de pessoas que tenham visão e respeito pela sociedade, que estar cansada de ser roubada de todas as formas, pela corrupção que assola este país, precisamos falar, dar o grito de basta, não aguentamos mais, estes desmandos dos maus políticos no BRASIL.. Alguns Jornalistas, ainda tem coragem de falar o que a massa brasileira gostaria e não pode. (Caso Sheherazade).

  9. Herbert Mino Silva Says:

    ezato. O papel do Ministério público é não pode dexa a direita fala

  10. Jésus Araujo Says:

    Julgo que as providências devem ser tomada não pelo Executivo, mas pelo Ministério Público; a ele compete zelar pela ordem na sociedade e toar iniciativa de ação.

  11. Mineira consciente Says:

    Então vovô Sílvio é parceiro da rede bobo?

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