O “impoluto” Gilmar Mendes, André Vargas e os punhos sem renda

Gilmar_Mendes14_Bessinha

Da perplexidade ao ataque, passaram-se poucos dias até o impoluto Gilmar Mendes puxar a coleira da matilha que passou a farejar sem trégua.

Saul Leblon, via Carta Maior

O deputado André Vargas (PT/PR) não foi orientado por um script publicitário a erguer o braço e cerrar o punho na presença da toga que se esponja no desfrutável papel midiático de algoz do PT.

Genoíno, que o antecedeu na afirmação simbólica de identidade e protesto, ou Dirceu, que assim também se confraternizou com os militantes solidários que o aguardavam na entrada da Papuda, tampouco obedeceram aos alertas de “luzes, câmera, ação!”

Milhares de petistas e não-petistas anônimos que fizeram chegar doações a Genoíno e Delúbio – e aqueles que repetirão a solidariedade a Dirceu e João Paulo, por certo não podem ser confundidos com coadjuvantes de uma peça eleitoral.

O significado desses sinais de vitalidade enviados do metabolismo profundo não apenas do PT, da esquerda em geral, já foram sublinhados pela argúcia de vários analistas da blogosfera.

O que eles evidenciam deixou inconformados colunistas e togas engajados em anos de desqualificação diuturna do partido, de seu legado e valores.

Depois de tanto sangrar, o esquartejado ainda teima – e respira. Da perplexidade ao ataque, passaram-se poucos dias até o impoluto doutor duplo habeas corpus, Gilmar Mendes, puxar a coleira da matilha que passou a farejar operosa e incansavelmente: em algum ponto há de se achar uma cubana das doações.

O fato é que eles não contavam com a sobrevida da solidariedade no espinhaço ferido da esquerda. Tudo isso já foi dito e bem dito. Faltou dizer que parte expressiva desta esquerda também se surpreendeu.

Surpreendeu-se ela com o efeito demolidor de algo esquecido na prática minuciosamente monitorada pela conveniência do exercício do poder: a espontaneidade de André Vargas.

Sem falar da solidariedade sem hesitação a Genoíno e Delúbio – que por certo inclui doações expressivas de instituições e personalidades, a exemplo do cheque de R$10 mil enviado pelo ex-ministro Nelson Jobim.

Mas nada que diminua a vitalidade do que verdadeiramente incomoda e sacode: milhares de doadores anônimos não esperaram uma peça publicitária para sair em defesa de quem personifica referências inegociáveis de sua visão de vida, de mundo e de Brasil.

A criatividade inexcedível do protesto espontâneo e o efeito demonstração incomparável da prontidão solidária hibernavam na memória algo entorpecida do PT.

Há mais de uma década desafiado a ser partido de massa e governo – a bordo das sabidas contradições que a dupla jornada encerra, o partido impôs-se, compreensivelmente, o gesso da previsibilidade e as algemas do risco zero.

Ademais dos comedimentos da responsabilidade de ser governo, o próprio êxito dessa trajetória – reiterado nas urnas – instituiu um protocolo de autopreservação: ele delega ao pensamento publicitário a última palavra (não raro a primeira também) sobre o que o partido deve falar, quando e como fazê-lo.

Cabe a pergunta: que publicitário petista orientaria um dirigente a cerrar o punho, de braço erguido, diante da toga colérica, a essa altura do jogo? E quantos bancariam uma campanha massiva de doações aos incômodos condenados do chamado “mensalão”?

“E pur si muove…”

A eficácia do improvável deveria inspirar arguições no pragmatismo que planeja a campanha presidencial deste ano.

Todo cuidado é pouco – estão aí as togas, o jornalismo isento, os mercados sedentos, os netos oportunistas e os verdes convertidos no altar do tripé.

“Não vai ter Copa” é o mínimo que eles ambicionam.

Mas estão aí também a democracia e o desenvolvimento brasileiro perfilados num horizonte de encruzilhadas imunes à receita de mais do mesmo em nova embalagem e sabores reciclados.

Aquilo que cabe em um script competente, mas exatamente por isso encilhado em baixos teores de ousadia e residual espaço à mobilização, talvez seja suficiente para vencer o conservadorismo nas urnas de outubro.

Mas o será para liderar a transição do novo pacto de desenvolvimento necessário à construção da democracia social brasileira?

A ver.

***

CNJ vai enquadrar o “vestal” Gilmar Mendes

Operação Banqueiro: “Sem Gilmar Mendes, Daniel Dantas não conseguiria reverter o jogo.”

Documentos revelam participação de FHC e Gilmar Mendes no mensalão tucano

Eduardo Campos e Aécio acionam Gilmar Mendes para “fechar” o Congresso

Tags: ,

Uma resposta to “O “impoluto” Gilmar Mendes, André Vargas e os punhos sem renda”

  1. O “impoluto” Gilmar Mendes, André Vargas e os punhos sem renda | EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: