Haddad garante continuidade de Programa Braços Abertos na Cracolândia: “Podem espernear.”

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Na manhã de sexta-feira, dia 24, participantes do projeto trabalharam normalmente, completando nove dias de jornada. Foto de Fábio Arantes/Arquivo Prefeitura.

No dia seguinte à repressão comandada pelo governo estadual, prefeito de São Paulo mandou recado aos que desejam fracasso do Programa Braços Abertos, mas evitou reiterar críticas e atacar Alckmin.

Rodrigo Gomes, via RBA

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), evitou na sexta-feira, dia 24, novos comentários sobre a ação da Polícia Civil na Cracolândia, no bairro da Luz, na tarde de quinta-feira, dia 23, e preocupou-se em assegurar que o programa vai prosseguir normalmente. “Já me manifestei. A conversa é aquilo que está no noticiário. O nosso objetivo agora é retomar o programa como ele foi concebido”, disse. O prefeito se pronunciou durante a abertura de uma rede de internet gratuita no Pátio do Colégio, no centro da capital.

Por volta das 16 horas de quinta-feira, policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) chegaram ao local atirando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, e agredindo pessoas que estavam na região. O Denarc afirmou que a repressão foi em resposta à resistência dos dependentes contra a prisão de um traficante, na região do chamado “fluxo”, local onde ocorrem o tráfico e o uso de drogas. A ação, classificada ontem por Haddad como “lamentável”, foi desencadeada no momento em que a administração municipal leva a cabo o Programa Braços Abertos, que dá moradia, emprego e curso a dependentes químicos.

O prefeito está confiante de que a ação não prejudicou o projeto, lançado na última semana. “Podem espernear, que nós vamos fazer aquele programa acontecer”, afirmou. “Os relatos de hoje são bons. Os profissionais estão trabalhando, as frentes de trabalho estão funcionando e a Polícia Militar está atuando conforme o combinado.” Questionado sobre a reação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Haddad disse: “Boa. Sempre boa.”

O Braços Abertos começou com a desmontagem de barracos, usados como moradia pelos dependentes, nas ruas Dino Bueno e Helvétia. Eles foram encaminhados para cinco hotéis alugados pela prefeitura na região. Os participantes têm direito a três refeições diárias e salário de R$15,00 por dia de trabalho na varrição e zeladoria de ruas praças, com carga de 4 horas diárias, mais duas de qualificação profissional. Hoje vão ocorrer os primeiros pagamentos dos beneficiários do programa, no valor de R$105,00.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também evitou novos comentários sobre o caso dizendo apenas que eventuais abusos da Polícia Civil serão apurados. “O que não pode é fazer picuinha partidária”, afirmou, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, durante a inauguração da nova faixa da rodovia dos Tamoios, em Paraibuna, no Vale do Paraíba. Alckmin disse estender as mãos aos dependentes e que é preciso “separar o usuário do traficante”. “O traficante mata. O tráfico é crime”, afirmou.

O secretário Municipal da Segurança Urbana, Roberto Porto, que acompanha diariamente os trabalhos do programa na Cracolândia, afirmou que recebeu relatos de atendidos sobre a violência da Polícia Civil e que havia policiais portando armas de balas de borracha, versão diferente da oficial.

“Tivemos pessoas atendidas na tenda do Braços Abertos relatando terem sido atingidas por balas de borracha. Eu presenciei policiais civis com a arma disparadora da bala de borracha. Se era somente para intimidar, se houve o uso ou não, cabe à Secretaria de Segurança avaliar”, disse.

Porto demonstrou preocupação com a forma como a ação policial foi realizada, mas acredita que não voltará a acontecer. “Toda e qualquer ação que põe em risco os profissionais de saúde, os atendidos, a imprensa é preocupante. Os beneficiários ficaram revoltados com a ação e demonstraram temor de que o programa pudesse ser afetado por isso. Mas acredito que isso não vai voltar a ocorrer, devido a repercussão que o caso teve”, avaliou.

Para o secretário é preciso diferenciar a prisão de traficantes da repressão aos dependentes. “Ninguém pode questionar a prisão de traficantes. Todos os dias ocorrem duas ou três prisões. Agora, cabe ao governo do estado avaliar se a ação foi correta ou não. Nós a consideramos exagerada, ela tinha um tom de revide”, concluiu.

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Dependentes temem agora que a Polícia Civil retorne para cometer novos atos de violência. Foto de Apu Gomes/Folhapress.

Apesar de repressão, operação da prefeitura na Cracolândia segue normalmente

Participantes do Programa Braços Abertos comparecem ao trabalho no dia seguinte a repressão da Polícia Civil, rejeitam tentativa de menosprezar capacidade de reinserção e revelam medo com perseguição

Gisele Brito, via RBA

Os participantes do Programa Braços Abertos realizaram normalmente suas atividades na manhã de sexta-feira, dia 24, no dia seguinte à repressão promovida pela Polícia Civil contra dependentes químicos na região do centro de São Paulo conhecida como Cracolândia.

A gestão Fernando Haddad (PT) e os agentes que atuam o projeto iniciado este mês temiam que a ação policial, marcada por surras e bombas de efeito moral, levasse a uma quebra de confiança na relação desenvolvida com os participantes. “Na verdade saímos mais fortes. Durante a confusão as pessoas tentavam se esconder nos hotéis parceiros, o que demonstra confiança deles”, afirmou o psiquiatra Flavio Faroni, que anda pelas ruas da região vestido de palhaço para criar vínculos com os dependentes de crack e álcool.

A Braços Abertos teve início na semana passada com a desmontagem de barracos usados como moradia nas ruas Dino Bueno e Helvétia, e teve sequência com o encaminhamento de dependentes a cinco hotéis alugados pela prefeitura na região. Agora, os participantes têm direito a três refeições, c com contratação para serviço de varrição e zeladoria com carga de 4 horas diárias, mais duas de qualificação e salário de R$15,00 por dia de trabalho.

O projeto municipal vem marcando um contraponto à Operação Sufoco, desencadeada em 2012 em parceria entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o então prefeito, Gilberto Kassab (PSD). Na ocasião, houve repressão a dependentes químicos, que passaram a migrar para outras regiões da cidade, colocando a perder o trabalho social desenvolvido anteriormente na região.

“Eles fizeram isso pra prejudicar a gente. Passar a imagem que nós somos violentos”, avalia o rapper Kawex. Ele é dependente químico e pretende comprar uma calça e uma camisa para visitar a mãe com o pagamento pelo trabalho de varrição. Nessa tarde deve ser pago o primeiro salário para os participantes da frente de trabalho. “Agora eu tenho uma casa, um trabalho. Eles não vão tirar isso de mim assim. Eles é que são violentos.”

Todas as noites os participantes têm feito reuniões nos hotéis em que estão hospedados. A maior preocupação é que a truculência da Polícia Civil ocorra dentro dos prédios. “Se eles fizeram isso com a gente na rua, imagina lá dentro”, afirma Ana Lúcia Aquino, que não usa drogas desde o começo do programa, no dia 14. “Eu vou juntar esse dinheiro. Só vou comprar umas comidas diferentes, tipo pipoca, assistir um filme, comprar calcinha meia e juntar o resto. Estou acreditando”, afirma.

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E o Pinheirinho? E a Cracolândia?

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6 Respostas to “Haddad garante continuidade de Programa Braços Abertos na Cracolândia: “Podem espernear.””

  1. Dayse Silva Says:

    Não posso deixar de me expressar diante deste fato publicado. Absurdos, absurdos, absurdos os atos de força contra estas pessoas doentes, frágeis.
    Ora, ora, estas pessoas não são caso de Polícia.
    É caso de tratamento médico, de assistência social, de reinserção social, de cuidados humanitários.
    Ou seja, é caso de ato político e correto.
    É responsabilidade do Estado dar solução e cuidados a estas pessoas.
    Deste ponto de vista, é ilegal e ilegítimo o tipo de ação policial em São Paulo
    É preciso que a sociedade fique alerta e identifique quem está por trás disto.
    Para a Polícia agir assim, é porque há um ato político por trás. Então, que autoridade política tem dado ordem à Polícia para agir assim?
    É simples, Meu Caro Watson!

  2. Jésus Araujo Says:

    Sobre o ataque da polícia à Cracolândia, lembrei-me da sabedoria do mineiro do interior: “Dá na cangalha para o burro entender”. O fato é que esse programa do governo petista não pode dar certo. Virão outras sabotagens, podem crer.

  3. bene nadal Says:

    É inadmissível que em pleno século XXI, um governo de Estado, possa agir com tanta covardia, insensatez, estupidez e maldade… Sabemos que governos do PSDB, tem esse tipo de prática, mas ainda estarrece, aborrece, e tira a gente do sério… Você que ainda não está sabendo dessa estupidez praticada pela polícia do Alkmim, para detonar um trabalho tão nobre como esse que o prefeito Hadad vem fazendo com os viciados em São Paulo. Essa ação do governo do Estado de São Paulo, só serve para uma coisa: Enterrar de vez as possibilidades de o governador Alkmim se reeleger… A não ser que os paulistas estejam completamente incapacitados de raciocinar!!!

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  6. Tereza Says:

    Porque nao fazem role,manifestação ou como queiram chamar, em apoio as boas medidas que o prefeito haddad esta tentando implantar na cidade? A casa grande vai se amedrontar se sentir que vai perder votos,principalmente por ser um ano eleitoral.

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