Tipo Al Capone: Perrella escapou do pó branco, mas foi pego no feijão preto

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Gângsteres: Escobar, Perrella e Al Capone são os
mafiosos de seus tempos.

Fernando Brito, via Tijolaço em 22/1/2014

A decretação do bloqueio dos bens e a quebra do sigilo bancário da família do Senador Zezé Perrella vai atear fogo na política mineira.

A coisa parecia ter serenado para os Perrella com a pressurosa declaração da Polícia Federal de que o helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa que Zezé transferiu ao filho Gustavo, deputado estadual, tinha sido usado para transportar cocaína sem o conhecimento da família.

Mas agora a juíza Rosimere das Graças do Couto, da 3ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, encontrou “indícios da prática de improbidade administrativa” em contratos firmados entre a Epamig e a Limeira.

A Epamig, empresa estatal mineira de pesquisa agropecuária doava sementes de feijão preto à empresa dos Perrella e depois comprava a produção para ser redistribuída aos agricultores pelo programa Minas Sem Fome, criado por Aécio Neves.

Nada de errado, mas isso era feito sem licitação. Aliás, nem mesmo o ato de dispensa de licitação foi feito de forma correta, pois não foi integralmente publicado no Diário Oficial por “problemas técnicos”.

Essa notícia, do ano retrasado, é apenas uma das dores de cabeça dos Perrella. Eles estão sendo investigados por outras suspeitas de contratos fraudulentos com o governo mineiro, nas gestões Aécio e Anastasia.

Segundo o jornal Hoje em Dia, “foram detectados indícios de direcionamento de licitação e superfaturamento por parte da Stillus no fornecimento de produtos para presídios mineiros e para a Prefeitura de Montes Claros, no Norte de Minas, centro das investigações. Alvimar, (irmão de Zezé) apontado pelo MPE como chefe da organização, e Bruno Vidott, ex-assistente de pregoeiro da Secretaria Estadual de Defesa Social, pagariam propina a diretores de presídios e outros servidores para vencer as licitações.

Os áudios com escutas feitas que revelariam do esquema desapareceram do YouTube.

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Justiça decreta bloqueio de bens e quebra de sigilo da família Perrella
Senador, seu irmão e seu filho são acusados de firmar contratos sem licitação com o governo de Minas que beneficiaria empresa da família.
Marcelo Portela

A Justiça mineira decretou o bloqueio de bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de integrantes da família Perrella e de ex-diretores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) no valor de R$14,5 milhões. A decisão judicial atendeu a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) de Minas Gerais porque a juíza Rosimere das Graças do Couto, da 3ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, entendeu haver de “indícios da prática de improbidade administrativa” em contratos firmados entre a Epamig e a Limeira Agropecuária e Representações Ltda., da família do senador Zezé Perrella (PDT/MG).

Além do senador, são acusados também seu filho, o deputado estadual de Minas Gustavo Perrella (SDD), um irmão de Zezé, Geraldo de Oliveira Costa, o filho dele, André Almeida Costa – que consta como representante da Limeira – e ex-dirigentes da autarquia mineira. Eles são acusados de firmarem “contratos, convênios e termos de parceria” sem licitação por meio dos quais a Epamig fornecia uma série de “sementes especiais” para serem plantadas em uma propriedade da Limeira.

Como o Estado mostrou na edição de domingo (19), as sementes eram fornecidas pela autarquia “sem ônus para o parceiro” e depois a própria Epamig comprava a produção da empresa da família Perrella para que os alimentos – feijão, milho, arroz e sorgo – fossem usados no programa “Minas Sem Fome”. Segundo o MPE, a autarquia ainda fornecia técnicos para acompanharem o cultivo na empresa acusada.

Na ação, o Ministério Público ressaltou que os contratos, fechados entre 2007 e 2011, eram ilegais porque a Limeira era dirigida por Zezé Perrella quando ele ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas e depois passou a ter Gustavo Perrella como um dos donos – em sociedade com a irmã Carolina Perrella e André Costa. Pela legislação federal e estadual, Zezé e Gustavo “impedidos de contratar com o poder público” por serem parlamentares.

Tanto a assessoria da Limeira quanto da Epamig alegaram que os contratos eram legais porque obedeciam às “cláusulas estabelecidas e as exigências da empresa”. A Epamig ainda justificou a dispensa de licitação com o argumento de que se tratava de pesquisa e para que os alimentos produzidos com as sementes especiais “chegassem aos produtores rurais”.

“Entendo que parte das medidas requeridas pelo Ministério Público devem ser deferidas para garantia do processo instaurado e eventual ressarcimento ao erário”, afirmou a juíza. Para a magistrada, os indícios de improbidade justificam “a decretação da quebra dos sigilos bancário e fiscal” dos réus entre 2007 e 2012, bem como a notificação de cartórios para que “anotem a indisponibilidade de bens existentes em nomes dos requeridos”. Por meio de nota, a assessoria da família Perrella informou que já “sendo providenciado” recurso para tentar cassar a liminar.

A nota ressalta que Zezé Perrella está “totalmente tranquilo” porque “todo o procedimento realizado entre a empresa de sua família e a Epamig sempre esteve pautado nas normas legais, não havendo qualquer ilegalidade que denote improbidade administrativa, conforme será demonstrado ao longo do processo”. Além de Gustavo e Zezé Perrella, são réus no processo um irmão do senador, Geraldo de Oliveira Costa, o filho dele, André Oliveira Costa – como representante da Limeira –, e os ex-diretores da autarquia Baldonedo Arthur Napoleão e Antônio Lima Bandeira. Os dois últimos não foram encontrados e ainda não constituíram advogados na ação.

Relembre
O helicóptero, registrado em nome da empresa da família – Limeira Agropecuária e Participações Ltda. –, foi apreendido em 24 de novembro passado no município de Afonso Cláudio (ES). Quatro pessoas foram presas em flagrante com 445 quilos de cocaína, incluindo o piloto Rogério Almeida Antunes, então funcionário da Limeira e da Assembleia Legislativa de Minas, indicado pelo filho do senador, o deputado estadual Gustavo Perrella (SDD). Logo após ser preso, ele declarou que a família não tinha relação com a droga apreendida. No dia seguinte, o superintendente da PF no Espírito Santo, Erivelton Leão de Oliveira, deu declarações inocentando os políticos.

Leia também:
Coletânea de textos: Por que a justiça não rela no Perrella?

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4 Respostas to “Tipo Al Capone: Perrella escapou do pó branco, mas foi pego no feijão preto”

  1. Tipo Al Capone: Perrella escapou do pó branco, mas foi pego no feijão preto | EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

  2. tania Says:

    Achei estranho o nome desta juíza estar numa suposta lista que é enorme, de pessoas que estariam ligadas à corrupção em Minas, e desejando não ser acusadas pelo delator do mensalão mineiro, isolado em prisão de segurança máxima. Preso o dono do Novo Jornal, o único jornal que a família Neves não controlava, serge esta acusação de que estão querendo se livrar das acusações daquele que já sofreu até ameaças de morte. E o senador Perrella está naquela lista. Estarão querendo usar o senador de alguma forma?

  3. Clovis Pacheco F. Says:

    Tutti buona gente…

  4. Mineira consciente Says:

    Eh! Alca PÓ ne, vê se te orienta! Já sabem do seu contrato de sementes fraudulenta…..
    O deputado declarou estar tranquilo, ou seja, SOU INOCENTE! O senador AH é SIM, disse que é culpa dos subalternos, ou seja dos cargos comissionados que fecham a boca e dizem sempre SIM SENHOR! Para não perderem a mamata do cargo.
    “LIBERTAS QUAE SERA TAMEN!” ACORDEM MINEIROS!!!!

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