Operação Banqueiro: Dantas é personagem central do livro que a Folha não quis publicar

Daniel_Dantas14_LivroRodrigo Vianna em seu O Escrevinhador

O repórter Rubens Valente levou mais de dois anos para escrever Operação Banqueiro. O livro (que chegou na sexta-feira, dia 10, ao mercado) narra os bastidores de uma das maiores batalhas do capitalismo selvagem brasileiro, na virada do século 20 para o 21.

Daniel Dantas está no centro da narrativa. Investigado pela Operação Satiagraha da Polícia Federal, o banqueiro acionou mecanismos políticos, midiáticos e judiciais para travar a investigação. O delegado Protógenes foi afastado do cargo. O juiz Fausto de Sanctis sofreu todo tipo de pressão e acabou também afastado da Vara Federal de São Paulo, que lidava com casos de lavagem de dinheiro e crimes financeiros.

De acusado, Dantas passou a acusador. Processa jornalistas que ousaram mostrar o papel por ele exercido nas nebulosas privatizações dos anos FHC. Quais são os aliados de Dantas no Judiciário? E no mundo político? Ele controla mesmo uma rede própria de “inteligência” para “espionar” os adversários? Quem o protege?

Repórter paciente e discreto, Rubens dedicou-se a garimpar os autos da Operação Satiagraha e assim compôs o perfil do banqueiro. Curiosamente, a Folha – jornal em que Rubens trabalha há mais de uma década – recusou-se a publicar o livro. A Folha tem uma editora e costuma lançar livretos sob o selo “Folha explica”. Pelo visto, o diário conservador paulistano achou que a atuação de Dantas não merecia maiores “explicações”.

Pelo que se sabe, Rubens Valente foi enrolado durante anos. A editora dos Frias acenou com a possibilidade de publicar o livro, mas na hora “h” pulou fora.

Por que a Folha não quis publicar Operação Banqueiro? Medo de processos judiciais (Dantas, como se sabe, dedica-se a processar jornalistas)? Ou medo de envolver nas denúncias personagens graúdos, citados no livro como parceiros de Dantas? Na sexta-feira, dia 10, Folha e O Globo trazem matérias sobre o livro. Nenhuma delas tem assinatura. A ordem parece ser: vamos falar sobre o livro, mas de forma discreta.

A Geração Editorial montou uma “operação de guerra” para garantir a distribuição de Operação Banqueiro – sem sustos, sem riscos de que algum personagem citado na obra tentasse barrar a chegada da mesma às livrarias.

A seguir, um pequeno trecho do livro, que pode fornecer pistas sobre os motivos para a recusa da Folha

***

Não se sabe exatamente a reação de Serra, ou de quem recebeu a “vacina”, mas ela parece ter sido bastante negativa. Porque logo depois [Roberto] Amaral(1) enviou a Dantas, “para ler e rasgar”, a cópia de um e-mail que ele disse ter enviado a Serra para protestar contra a suposta reação do tucano. Nessa mensagem, Amaral fez uma declaração enigmática:

“Dantas teria um crédito, um grande crédito, embora poucas pessoas soubessem disso.”

Reprodução do e-mail interceptado pela PF, que consta no processo da Operação Satiagraha:

Recebi seu recado lido por amigo comum. Aviso-lhe: não mais mande me (sic) recados neste tom: acho que você estava fora de si quando mandou esta infeliz mensagem. Não sou lambe cu acanalhado ou acarneirado. Você sabe disso. Já fiquei seis anos sem falar com você e, se necessário, fico mais vinte. Não sou Roseana ou Sarney(2). Você precisa de mim(3) e eu não preciso de você. Você vá ser acavalado, acerbo, com quem tem obrigação de aguenta-lo. Quanto à sua bizantina observação sobre D [Dantas], devo dizer lhe:

“Você não sabe de nada – nada mesmo. Ponha isto na sua cabeça.”

Ele é credor, grande credor(4). Eu e duas pessoas sabemos disso. Não seja encegueirado e não se deixe embair pelo pequeno Sérgio Andrade […]. Cópia deste vai para a Pessoa.”

***

Observações do Escrevinhador

(1) Roberto Amaral seria um “consultor”, com trânsito no mundo que reúne tucanos e obscuros interesses financeiros.

(2) A referência a Sarney e Roseana teria a ver com a Operação Lúnus? Nela, em 2002, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro vivo com o marido de Roseana Sarney, que à época aparecia à frente de Serra nas pesquisas eleitorais. A operação tirou Roseana da corrida presidencial. A família Sarney atribuiu a Serra a “armação”.

(3) Por que Serra “precisa” de Roberto Amaral, homem que aparentemente fazia a ponte entre políticos e Dantas?

(4) Dantas seria credor de quem?

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Leia também:

Operação Banqueiro: “Sem Gilmar Mendes, Daniel Dantas não conseguiria reverter o jogo.”

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2 Respostas to “Operação Banqueiro: Dantas é personagem central do livro que a Folha não quis publicar”

  1. Operação Banqueiro: Dantas é personagem central do livro que a Folha não quis publicar | EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

  2. pintobasto Says:

    Aos poucos estão vindo à tona alguns detalhes da sujeira criminosa que emporcalha o Brasil, mas ainda nos falta saber o relatório original da operação Satiagraha que detalha as grandes manobras criminosas de Daniel Dantas e de muito ladrão vigarista que anda por aí impune por conta da falta de ministros do STF com seriedade suficiente para respeitar a Lei!

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