EUA queriam invadir o Brasil, Jango não deixou

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João Goulart impediu que o Brasil virasse um Vietnã.

Fernando Brito, via Tijolaço

A gravação do diálogo de John Kennedy em que ele cogita de uma intervenção militar norte-americana no Brasil e no Vietnã faz justiça ao ex-presidente João Goulart. Jango não foi um covarde que deixou de reagir, quando podia, aos golpistas daqui.

Em agosto de 1964, quatro meses depois do golpe no Brasil, o governo norte-americano forjou um ataque da marinha norte-vietnamita a seus navios, para justificar a intervenção direta dos EUA naquele país.

Ali ficariam dez anos, até serem escorraçados, mas deixando um rastro de morte, destruição e sofrimento que aterrorizou o mundo inteiro. Faria o mesmo aqui, naqueles dias, se houvesse resistência?

A gravação mostra que isso não é um delírio ou propaganda antiamericana. A 4ª Frota já vinha para cá, em princípio para fornecer combustível e armas para os militares subversivos do golpe.

Jamais se saberá se Jango tinha ideia das intenções norte-americanas em toda a sua extensão e até onde estavam dispostos a ir. Mas, sabendo até que ponto foram em um país muito mais distante deles e muito menos estratégicos, como o Vietnã, é possível imaginar.

Muitas vezes a estatura de um governante deve ser medida não pelo o que ele fez. Mas pelo que ele impediu que se fizesse.

As mortes, as torturas, os exílios, banimentos e cassações foram imensos, cruéis, graves e imperdoáveis. Mas, com certeza, nada perto do que fizeram ao povo vietnamita.

Jango teve uma grandeza tão extrema quanto o foi a pequenez daqueles que estavam a pedir a invasão estrangeira em seu próprio país. E que, se não os entregaram pelas armas, fizeram isso com nossa soberania.

Lentamente, a história, apesar de nossos ministros do STF, vai apontando a gravidade de seus crimes. Não foram apenas destruidores de vidas. Foram, alguns deles, traidores de sua pátria. E há suas novas versões, que seguem desejando entregar este país, seu povo e nossas imensas riquezas.

Tomara que as novas gerações de militares consigam ver que o que eles fizeram e representaram, sob palavras hipócritas, são aquilo que mais ofende a nossa consciência de brasileiros, pedir e oferecer-se a uma invasão militar estrangeira em nosso país.

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5 Respostas to “EUA queriam invadir o Brasil, Jango não deixou”

  1. Jésus Araujo Says:

    Interessante o caso da denúncia da participação dos marines no golpe. Quem fez a denúncia foi Carlos Lacerda, então brigado com o Presidente Castelo Branco. Foi veementemente desmentido pelos jornais. Quando se completou o período legal de segredo de documentos nos EUA (creio que 15-20 anos), alguns jornais enviaram emissários a Washington e estamparam fac-similes das ordens de serviço da frota rumando para o Brasil. Os historiadores podem pesquisar esses documentos nos jornais da época. Mas é preciso lembrar que a frota estadunidense não visava apenas oferecer apoio logístico aos golpista, vinha para desembarcar e controlar o território nacional, dividindo a pátria em 4 retalhos. Vergonha eterna aos traidores da pátria.

  2. Jésus Araujo Says:

    O plano da força-tarefa dos marines era desembarcar no porto de Vitória e seguir pela Estrada de Ferro Vitória-Minas e pela BR 262, então chamada Paralelo 20, até Governador Valadares. Lá, a tropa se dividiria em 4 partes; uma ficaria na região do litoral; outra seguiria a Paralelo 20 até a fronteira de Mato Grosso com o Paraguai; outra pegaria a BR 116, então chamada Rio-Bahia e seguiria para o norte; outra tomaria a Rio -Bahia para o sul. O Brasil seria dividido em 4 partes. São dados históricos que não devem se perder.

  3. Jésus Araujo Says:

    Para começar, a conspiração começou na casa do embaixador americano, o que, em qualquer código militar, se chama alta traição. No golpe, as palavras de Jango aos militares que queriam combater (soubesse ou não ele sobre a presença da frota ao largo de Vitória): “Não quero ver minha pátria ensanguentada”. Desprezo eterno a esses traidores de sua pátria. Soube por oficial ligado ao estado maior da 4a. Região Militar, já falecido, que, caso houvesse luta, os presos políticos deveriam ser fuzilados sumariamente. Também soube, anos mais tarde, que se preparava, caso houvesse reação, um banho de sangue – semelhante ao que ocorreu na Indonésia na deposição de Sukarno com cerca de um milhão de mortos. Devemos ao Presidente João Goulart não ter acontecido o pior, como no Vietnan. Lembro-me de que, depois do golpe, a imprensa debochava da esquerda vencida com frases como: “comunistas chinfrins, nem sabem fazer revolução”. Acontece que a maior parte que apoiou as reformas de Goulart nem era comunista, nem era intenção fazer revolução armada.

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