Por que o médico Juan Delgado é o homem do ano de 2013

Cuba_Medicos52_Dilma_Juan

O cubano Juan Delgado entre a presidenta Dilma e o ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Via Brasil 247

Juan Delgado, médico, cubano e negro foi escolhido, pelas circunstâncias, como o homem do ano no Brasil em 2013. Não houve eleição, pesquisa ou enquete, assim com a escolha, pela revista Time, do Papa Francisco como Homem do Ano no mundo foi exclusiva de editores – e reconhecida consensualmente como acertada.

Para destacar o doutor Delgado, o que valeu para 247 foi a reflexão do que ele simbolizou como resumo sem açúcar do que foi batido no liquidificador político, social e econômico do País nos últimos doze meses.

Entre todas as polêmicas levantadas contra o governo no debate nacional, o Mais Médicos foi a verdadeira mãe de todas as batalhas. Apostou-se, na virada de 2012 para 2013, no apagão de energia. Mas rapidamente esse espirro de desinformação editorializada se dissipou frente a realidade de abastecimento normal. Os fantasmas da inflação e do estouro das contas públicas assombraram apenas as páginas da mídia familiar, não tendo se materializado até agora, vésperas do Natal. No ano que vem, a propaganda a favor dos fantasmas irá continuar.

Quanto ao Mais Médicos, foi atacado por um setor da sociedade de bastante peso e grande capacidade de articulação. Estudantes de Medicina, médicos e suas entidades uniram-se como nunca se vira, para atacar com todos os argumentos a iniciativa do governo federal, igualmente inédita no País – a de povoar os rincões com baterias de médicos nacionais e estrangeiros encarregados do primeiro combate aos sinais de doença entre a população.

Como o fantasma que juntaria o apagão, a inflação e o desemprego não se materializou, não se pode elegê-lo “homem do ano”. Até porque, para tanto, teria ele de ser mesmo homem – ou mulher.

Dilma?

Neste caso, a escolha poderia muito bem recair sobre a presidente Dilma Rousseff, o que não seria nenhuma escolha pelo critério chapa branca.

Afinal, quem estava com a face na vidraça quando as manifestações de massa de junho tomaram as capitais? Quem estava em Brasília como alvo certo no momento em que houve até mesmo incentivo midiático para um quebra-quebra às instituições? Quem mais pelejou em eventos e entrevistas, dia após dia, para garantir a política econômica, evitar crises institucionais, ora assopradas pelo Supremo ora pelo Congresso, ou pular as cascas de banana jogadas às pencas aos seus pés? Dilma.

Por muitos motivos, e sobretudo pelos resultados de gestão alcançados num ano tão longo e de difícil travessia – com o saldo espetacular das concessões em infraestrutura, a inflação na meta e o saldo recorde de empregos –, a presidente pode ser vista, no Brasil, como a Mulher do Ano.

Mas para apontar um primeiro de ranking, vamos de Juan Delgado.

As circunstâncias, repita-se, escolheram o médico cubano para ser a face mais representativa de 2013 no Brasil.

Entre os mais de quatro mil médicos estrangeiros que desembarcaram no Brasil para tomar lugar no programa Mais Médicos, perto da metade é formada por cubanos. Desse contingente, principal alvo dos médicos e estudantes descontentes com o programa em razão de sua origem cubana – e cor da pele negra –, Juan Delgado virou destaque. Em Fortaleza, a exemplo de todos os seus colegas que chegavam para a primeira ambientação no País, ele foi recebido por um corredor polonês.

“Escravo!”, gritava a horda de médicos e estudantes de Medicina do Ceará, numa tentativa de humilhação que ganhou adeptos entre colunistas que se consideram civilizados. Inacreditável. Num primeiro momento, Juan Delgado, cuja foto percorreu o País num recorde de publicações, ouviu o coro contra si ganhar a simpatia de muita gente.

Reviravolta

Logo depois, porém, mais gente ainda armou a solidariedade a ele, aos profissionais e ao programa Mais Médicos. Uma a uma, todas as provocações e impasses levantados pelas entidades médicas com a colaboração da mídia familiar caíram em instâncias judiciais. O preconceito das críticas tornou-se claro até mesmo quando escondido pela ideologização do debate. A manifestação de racismo de um punhado de cidadãos do Ceará vestidos de branco foi reproduzida por inúmeros setores, mas suplantada pela reação coletiva de uma sociedade que, goste ou não a elite, acabou com a escravidão em 1888.

Além das circunstâncias, o doutor Delgado agiu efetivamente como um homem referencial em 2013. Posicionou que jamais sentiu-se escravo por viver no regime socialista de Cuba. Ele deixou claro considerar-se um construtor de um mundo mais fraterno e apoiador de um regime que também tem como marca a solidariedade internacionalista. Relevou as críticas, não devolveu nas mesmas moedas as ofensas que recebeu, mas transformou-as em riqueza para a sua causa. Com uma postura que marcou a diferença, ele confirmou a crença de muitos na evolução da sociedade e deu uma lição de comportamento e correção.

A noite de Natal, Juan Delgado passou ao lado de seis outros médicos e dos índios da aldeia para a qual ele foi enviado, a 316 quilômetros de São Luís, no Maranhão.

***

Leia também:

Se ainda tinha algum, Veja perde o pudor e prega vaia contra cubanos

Dilma: Mais 23 milhões de brasileiros terão acesso ao Programa Mais Médicos

Por isso eles são contra o Mais Médicos: Marajás de jaleco

Por que os médicos cubanos são tão queridos?

Mais Médicos: Padilha peita presidente do Conselho Federal de Medicina

Quem não está acostumado, estranha: Pacientes se assutam com visita de médico cubano em casa

Primeiro médico cubano chegou em 1995 no interior de São Paulo

Coxinha preso por só bater ponto fazia campanha contra o Mais Médicos

Mais Médicos: Eduardo Campos é acometido de amnésia súbita

Dilma sanciona Mais Médicos e entrega registro a médico cubano

Dilma pede desculpas em nosso nome, doutor Juan

Pesquisa CNT: 74% da população é favorável a vinda de médicos estrangeiros

Entenda por que os médicos cubanos não são escravos

Médicos cubanos recebem flores um dia após as agressões

Paulo Moreira Leite: Quando os corvos vestem branco

Médicos cubanos: Quem são os responsáveis pelo corredor polonês em Fortaleza?

Quem são e o que pensam os médicos cubanos

Janio de Freitas: A reação aos médicos cubanos é doentia

Preconceito: Jornalista diz que médicas cubanas parecem “empregadas domésticas”

Vídeo: O dia que os médicos brasileiros envergonharam o País

Dez informações sobre a saúde e a medicina em Cuba

Médicos cubanos: Como se desmonta uma farsa de jaleco

Médicos cubanos: Os primeiros já chegaram ao Brasil

Médicos de Cuba, bienvenidos camaradas!

Vinda de médicos cubanos reforça ódio ideológico ao PT

Mais de 70% dos médicos cubanos vão para o Norte e Nordeste

Mais Médicos: Alheias ao embate ideológico, pequenas cidades comemoram vinda de médicos cubanos

Paulo Moreira Leite: O extremismo dos doutores

Eliane Brum: Ser doutor é mais fácil do que se tornar médico

Breno Altman: Conservadorismo de branco é atraso

Médico que diz que estrangeiros são enganação tem dois filhos “importados” de Cuba

Programa Mais Médicos, o Bolsa Família da saúde

Queremos médicos suecos!

Carta para Micheline Borges, a jornalista preconceituosa

Ministério da Saúde chama de “xenofobia” protesto contra médicos no CE

Médicos brasileiros, o orgulho branco da nação

Recordar é viver: Quando FHC trouxe cubanos, Veja aplaudiu

Médicos cubanos: Avança a integração da América Latina

Coxinhas de branco: A vergonha da nação

Conheça o médico cearense que liderou os xingamentos contra os cubanos

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Uma resposta to “Por que o médico Juan Delgado é o homem do ano de 2013”

  1. Clovis Pacheco F. Says:

    A verdade é que “os coxinha”, patricinhas e mauricinhos, não querem é ver um negrão preto que nem o doutor Juan Delgado atuando como médico. E ainda mais, junto da população desassistida, que os PSDBs, PMDBs, DEMs e quejando abandonaram ao longo das décadas. Ver o negrão se tornar prestigiado diante de outros negrões, mulatos, índios, caboclos, cafuzos, é demais para a tal de Zelite. Agora, quando a Joaquim Barbosa, “os coxinha”, mauricinhos e patricinhas aplaudem, porque ele “é preto de alma branca”, dos que “sabem qual é o seu lugar”…

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: