Natal: Como “grande mídia” transformou em crise 5% de crescimento nas vendas

Natal2013_Folha_Estadao

Folha e Estadão esmeraram-se em tratar as vendas de Natal como um fracasso.

Luis Nassif, via Jornal GGN

Manchete da Folha: “Comércio tem o pior resultado no Natal em 11 anos”.

Manchete do Estadão: “Com crédito contido e juros altos, vendas de Natal decepcionam”.

Ambos os jornais trabalham em cima de dados da Serasa Experian e da Alshop, a associação dos lojistas de shoppings.

Vamos a alguns erros de manchetes e de análises.

1. Erro de manchete: Se em 2013 vendeu-se mais do que em 2012, como considerar que foi o pior resultado em 11 anos?

2. A Serasa trabalha especificamente com pedidos de informação para crédito. Houve retração no crédito, mas a maior ferramenta de vendas têm sido o parcelamento (em até dez vezes) em cartões de crédito e de loja. Os jornalões trataram os dados da Serasa como se representassem o universo total de vendas.

3. As vendas em shoppings deixam de lado o comércio para classes C e D – justamente as que mais vêm crescendo. Mesmo assim, os jornalões trataram os dados como se representassem o todo.

4. A Alshop informou que as vendas cresceram 6% no Natal. O problema maior foi o aumento do número de lojas, que fez com que as lojas mais antigas permanecessem com o mesmo faturamento. Ora, o que expressa o mercado são as vendas totais. A distribuição entre lojas novas e antigas é problema setorial, que nada tem a ver com a conjuntura.

5. Os jornalões deixaram de lado o comércio eletrônico – que tem sido o principal competidor das lojas de shopping. Em 2013 os shoppings centers venderam R$138 bilhões, 8% a mais do que em 2012. O comércio eletrônico vendeu R$23 bilhões, ou 45% a mais do que em 2012. Somando a venda dos dois segmentos, saltou de R$151 bilhões em 2012 para R$161 bilhões em 2013, aumento de expressivos 12%.

6. Os jornais falam em “decepção”, porque a Alshop esperava crescimento de 10% nas vendas de Natal e conseguiu-se “apenas” 6%. Esperar 10% de crescimento com uma economia rodando a 2% é erro clamoroso de análise. Mas, para os jornalões, o erro está na realidade, que não acompanhou os sonhos.

Se não houvesse essa politização descabida do noticiário econômico, as análises estariam em outra direção: a razão do consumo ainda não ter se acomodado mesmo com dinheiro mais caro, o crédito mais escasso, com a competição de Miami, com o PIB andando de lado etc. E suas implicações sobre as contas externas brasileiras. Estariam questionando também que raios de política monetária é esta, na qual aumenta-se a Selic para supostamente reduzir a demanda agregada, e ela continua crescendo.

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Natal: Como transformar 5% de crescimento nas vendas em crise

Via Jornal GGN

As vendas em Shoppings Centers aumentaram 5% em 2013, segundo a associação do setor, próximo aos 6% de crescimento em 2012. Foram abertas novas lojas e, portanto, as vendas distribuídas entre mais lojas. Mesmo com o aparecimento de novas lojas, o faturamento das lojas antigas ficou estável Ou seja, a expansão do consumo foi suficiente para garantir a entrada de novas lojas sem afetar o faturamento das anteriores.

Abaixo, a manchete do G1 ressaltando o crescimento das vendas totais.

Em seguida, da UOL, anunciando o pior Natal em cinco anos, com base na seguinte declaração: “Esse foi o pior Natal em cinco anos. Se não fosse o crescimento orgânico dos shoppings e as expansões, não teria havido crescimento nenhum”, diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.

Ou seja, se o faturamento não tivesse aumentado e os shoppings não tivessem crescido, não teria havido crescimento algum. Durma-se com essa qualidade de informação.

Natal2013_G1

Natal2013_UOL

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3 Respostas to “Natal: Como “grande mídia” transformou em crise 5% de crescimento nas vendas”

  1. Clovis Pacheco F. Says:

    Está aí o motivo de eu não comprar esses jornais. Afinal, existe o papel higiênico!

  2. pintobasto Says:

    São os eternos distribuidores de pessimismo, cataclismos e todo o tipo de desgraças a domicílio.

  3. Jésus Araujo Says:

    Interessante que esses são os mesmos que preconizam aumento da SELIC, contenção do consumo, para combater a inflação…

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