Paulo Moreira Leite: Vira-latas em Teerã

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad (centro), e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, se abraçam durante cerimônia de assinatura de acordo nuclear entre Brasil, Irã e Turquia em 2010.

Acordo assinado em Genebra foi rascunhado por Lula, Erdogan e Ahmadinejad em 2010. O massacre foi geral.

Paulo Moreira Leite em seu blog

O caráter colonizado de grande parte de nossos observadores diplomáticos teve poucos momentos tão vergonhosos como em maio de 2010. Naquele momento, Brasil, Turquia e Irã assinaram um acordo nuclear que, em seus traços essenciais, era um rascunho bem feito do acerto fechado ontem, em Genebra, com apoio de Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Alemanha.

Após três anos e seis meses de tensão e novas ameaças de confronto, o óbvio ficou um pouco mais ululante. Desmentindo o discurso imperial que em 2010 tentava apresentar uma intervenção militar como inevitável diante da “intransigência” iraniana para defender seu programa nuclear, o novo acordo confirma que era possível avançar numa solução pacífica, respeitando a vontade soberana daquele país. Apesar disso, quem não sofreu uma perda seletiva de memória irá lembrar-se do que ocorreu há três anos.

Com apoio inicial da Casa Branca, que voltaria atrás sob pressão de lobistas a serviço da extrema direita de Israel, Lula tomou a iniciativa de atrair o Irã e a Turquia para as conversas. Foi uma ideia do presidente brasileiro, a partir de conversas prévias com o então presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em Nova Iorque. Informado, Barack Obama aderiu a ideia, ainda que relutante. O chanceler Celso Amorim atuou nos bastidores entre os envolvidos.

Quarenta e oito horas depois, enquanto os Estados Unidos propunham uma nova rodada de sanções contra o Irã, inviabilizando um pacto que bastante razoável, Lula tornou-se alvo de um massacre externo e, especialmente, interno. Fez-se o possível para ridicularizar sua atuação, como se fosse um caso patológico de caipirismo diplomático. Refletindo o tom geral, um comentarista chegou a mandar os pêsames para o presidente brasileiro. Como explicar essa postura?

Um ponto, claro, era eleitoral. Cinco meses depois da viagem de Lula a Teerã, a população brasileira iria às urnas e era importante impedir qualquer vitória de seu governo, que poderia ajudar a eleição do ainda poste Dilma.

Outro aspecto é o complexo de vira-latas, que não consegue enxergar oportunidades que a conjuntura internacional pode oferecer ao país. Não se perdoou a indisciplina de Lula em relação a Washington. Já que Obama havia mudado de ideia, como é que o governo brasileiro se atrevia a teimar com seu projeto?

Como escreveu o professor José Luiz Fiori, em 2010, “o que provocou surpresa e irritação em alguns setores, não foram as negociações, nem os termos do acordo final, que já eram conhecidos. Foi o sucesso do presidente brasileiro que todos consideravam impossível ou muito improvável. Sua mediação […] criou uma nova realidade que já escapou ao controle dos Estados Unidos e seus aliados.”

O ponto principal envolve o caráter provinciano do pensamento diplomático estabelecido no país. Incapaz de enxergar novos horizontes quando a situação internacional permite – como estava claro em 2010 – nossos professores de fim de semana procuram sabotar uma diplomacia que, vê-se agora toda clareza, abria oportunidades.

Chato, né?

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4 Respostas to “Paulo Moreira Leite: Vira-latas em Teerã”

  1. Paulo Moreira Leite: Vira-latas em Teerã « EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

  2. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Cada um, hein Castor?

  3. Castor Filho Says:

    (COMENTÁRIO ENVIADO POR E-MAIL E POSTADO POR CASTOR)

    Pra Paulo Moreira Leite “et cataerva”

    Mas e POR QUE, santo deus, põem esse título na matéria?

    Vira-latas são esses blogueiros e jornalistas que NÃO SABEM fazer o que não fazem, mas pensam que sabem e que fazem.

    De que adianta esse denuncismo bocó e sem fim?

    De que adianta repetir que “os acordos produziram surpresa e irritação”?

    Não há UMA ALMA no mundo nessa “esquerda jornalística” porca do Brasil, capaz de elogiar e promover o que é feito, sem, antes, se autodesconstruir completamente, nesse xororô metido a “isento, ou metido a “ético” ou metido eu sei lá a quê (mas é apenas BABAQUARA), de derrubar qquer coisa que preste… pra denunciar o quanto o Governo Lula/Dilma é perseguido?!

    TOTALMENTE RIDÍCULO E INSUPORTÁVEL.

  4. pintobasto Says:

    E depois ainda temos que ler as barbaridades que costumam endereçar a Lula, na realidade, não passam de grunhidos dos leitões espremidos pelo peso da porca que deitou desajeitadamente em cima deles e a porcalhona ainda deita em cima deles hoje!

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