Cumpra-se a lei: Juiz enquadra a toga colérica

Genoino18_Dirceu

Um déspota de toga não é menos ilegítimo que um golpista fardado.

Maturidade não é sinônimo de complacência. Afrontar o despotismo é um predicado intrínseco à vida democrática.

Saul Leblon, via Carta Maior

A justiça que burla as próprias sentenças, mercadejando ações cuidadosamente dirigidas ao desfrute da emissão conservadora, implode o alicerce da equidistância republicana que lhe confere o consentimento legal e a distingue dos linchamentos falangistas.

Joaquim Barbosa age na execução com a mesma destemperança com que se conduziu na relatoria da Ação Penal 470. A personalidade arestosa que se avoca uma autoridade irretorquível mancha a toga com a marca da soberba, incompatível com o equilíbrio que se espera de uma suprema corte.

Desde o início desse processo é nítido seu propósito de atropelar o rito, as provas e os autos, em sintonia escabrosa com a sofreguidão midiática. Seu desabusado comportamento exalava o enfado de quem já havia sentenciado os réus, sendo-lhe maçante e ostensivamente desagradável submeter-se aos procedimentos do Estado de Direito. O artificioso recurso do domínio do fato, evocado inadequadamente como uma autorização para condenar sem provas, sintetiza a marca nodosa de sua relatoria.

A expedição de mandatos de prisão no dia da República e no afogadilho de servir à grade da TV Globo consumou a natureza viciosa de todo o enredo.

A exceção do julgamento reafirma-se na contrapartida de uma execução despótica de sentenças sob o comando atrabiliário de quem não hesita em colocar vidas em risco se o que conta é servir-se da lei e não servir à lei. A lei faculta aos condenados ora detidos o regime semiaberto.

A pressa univitelina de Barbosa e do sistema midiático atropelou providências cabíveis para a execução da sentença, transferindo aos condenados o ônus da inadequação operacional.

Joaquim Barbosa é diretamente responsável pela vida do réu José Genoíno, recém-operado, com saúde abalada, que requer cuidados e já sofreu dois picos de pressão em meio ao atabalhoado trâmite de uma detenção de urgência cinematográfica.

Suponha-se que existisse no comando da frente progressista brasileira uma personalidade dotada do mesmo jacobinismo colérico exibido pela toga biliosa.

O PT e as forças democráticas brasileiras, ao contrário, têm dado provas seguidas de maturidade institucional diante dos sucessivos atropelos cometidos no julgamento da AP 470. Maturidade não é sinônimo de complacência.

O PT tem autoridade, portanto, para conclamar partidos aliados, organizações sociais, sindicatos, lideranças políticas e intelectuais a uma vigília cívica em defesa do Estado de Direito.

Cumpra-se imediatamente o semiaberto, com os atenuantes que forem necessários para assegurar o tratamento de saúde de José Genoíno.

Justificar a violação da lei neste caso, em nome de um igualitarismo descendente que, finalmente, nivela pobres e ricos no sistema prisional, é a renúncia à civilização em nome da convergência da barbárie. Afrontar o despotismo é um predicado intrínseco à vida democrática. Vista ele uma farda ou se prevaleça de uma toga, não pode ser tolerado.

A sorte de Genoíno, hoje, fundiu-se ao destino brasileiro. De sua vida depende a saúde da nossa democracia. E da saúde da nossa democracia depende a sua vida.

***

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5 Respostas to “Cumpra-se a lei: Juiz enquadra a toga colérica”

  1. Todas as virtudes de Joaquim Barbosa | Conversa Afiada Says:

    […] Itália dossiê que embaraça julgamento de BarbosaA Globo, a Folha e a Veja versus José GenoínoCumpra-se a lei: Juiz enquadra a toga coléricaSTF tem chance de salvar sua própria dignidadeJuristas e intelectuais gritam contra AI-5 de Joaquim […]

  2. pintobasto Says:

    O comportamento dos prg’s Sousa e Roberto Rangel que apresentaram uma cozinhada denúncia no stf para que Joaquim Barbosa desse início à comedia ” O Mensalão”, pode considerar-se um ato de banditismo que levou o Joaquim à euforia das inconsequências e destemperos dum juiz que a lei veda aos cidadãos comuns, fará a um presidente de corte máxima. Houve banditismo descarado!
    Saul Leblon foi muito moderado em seu artigo que não necessitaria de escrever se tivéssemos aqui um tribunal igual ao de Cuba! A verdade sobre este tal de mensalão já começou vindo à tona e Joaquim Barbosa vai ter que explicar à Nação os crimes cometidos por ele mesmo, presidente duma corte que mais parece um bando mafioso.
    O tiro saiu-lhes pela culatra! E os espertinhos da sociedade vil que agitam bandeirinhas de triunfo fecal podem começar a preparar-se para conter as dores de barriga.

  3. Cumpra-se a lei: Juiz enquadra a toga colérica « EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

  4. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Justiça só é justa quando é isenta.

  5. saul vidort Says:

    Que histeria!!!! vá publicar isto lá no tribunal do Fidel Castro. De nada adianta esta tua retórica sofista. Estranho o comportamento dos “intelectuais” da esquerda, justiça só é justa quando é favorável a eles.

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