Estadão, a agonia de uma marca

Estadao_A_Provincia01Crônicas do Motta

O Estadão, diz colunista da insuspeita Veja, deu um mandato para o Itaú BBA vendê-lo. O banco teria sondado as Organizações Globo, que não se interessaram pelo negócio.

O diretor de Redação do Estadão anunciou que em breve o jornal cobrará pelo conteúdo de seu portal na internet.

As duas notícias, aparentemente autônomas, estão muito relacionadas. A primeira expõe a decadência irreversível daquele que foi um dos mais importantes jornais do País. A segunda mostra o quanto essa publicação esteve dissociada da realidade nesses últimos anos.

O Estadão começou a perder a importância como, dizem, “formador” da opinião pública, quando começaram seus problemas financeiros, na era FHC. O jornal acreditou, numa ingenuidade – ou estupidez – que contrariava todos os seus editoriais pedantes e professorais, que o dólar ficaria eternamente valendo um real e foi fundo em dívidas na moeda norte-americana.

Teria todas as razões para odiar FHC e sua turma, que o enganaram completamente. Em vez disso, ainda hoje, como um portador da síndrome de Estocolmo, faz de tudo para agradar quem o desgraçou – talvez porque seus atuais controladores de verdade, que são os bancos, guardem eterna gratidão ao ex-presidente.

Os leitores do Estadão de papel são cada vez mais raros. Os assinantes não se renovam. A circulação só diminui – e em consequência, as receitas caem.

Nos últimos tempos a solução para isso tem sido apelar para o passaralho, a gíria dos jornalistas para as demissões em massa. Até fechar uma marca tradicional, o Jornal da Tarde, fez parte dessa estratégia. Mas nada tem funcionado.

A nova tentativa de tirar o grupo do buraco, essa de cobrar pelo conteúdo do seu portal, nem merece ser considerada, tal a sua insignificância e extemporaneidade.

Serve apenas de exemplo de como o jornalão continua sem entender absolutamente nada do mundo contemporâneo, pois, afinal, uma providência dessas surge com muitos anos de atraso: hoje, o modelo é adotado em todo o planeta por milhares de publicações.

O futuro é sombrio para o Estadão. A tese do falecido dono da Folha, de que São Paulo só tinha espaço para um grande jornal, tudo indica, é verdadeira.

A Folha, antes vista como um templo liberal, faz uma guinada à direita, talvez para apressar o fim do concorrente. Ou então para finalmente deixar seus donos à vontade, sem ter de fingir que são algo que nunca foram.

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