Os pernilongos que zumbem em defesa de Olavo de Carvalho

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Nosso “filósofo”.

Paulo Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

Uma das passagens de filosofia de que mais gosto é de Marco Aurélio, em suas Meditações. É um pequeno grande livro de cunho extremamente prático, produzido pelo imperador-filósofo em acampamentos militares no calor das guerras que os bárbaros impunham aos romanos no início da Era Cristã.

Marco Aurélio, no trecho de que falo, dava o seguinte conselho: “Jamais esqueça, ao acordar, que você vai encontrar ao longo do dia pessoas insolentes, ignorantes, maldosas.” A lista de defeitos ia adiante, e Marco Aurélio os atribuía à falta de sabedoria própria de mentes nada filosóficas.

Pensei na advertência de Marco Aurélio ao deparar, na manhã de sábado, dia 2/11, com uma quantidade imensa de fanáticos seguidores do “filósofo” Olavo de Carvalho. Inoportunos, grosseiros, indesejados, eles abarrotavam a caixa de comentários do DCM como pernilongos.

Estavam incomodados com um texto em que disse que infeliz é o país cujos “filósofos” mais conhecidos são OC e Pondé.

Por trás deles e de sua solidariedade brutal e tosca estava Olavo de Carvalho. Numa atitude nada filosófica, ele mostrou se importar terrivelmente com minha opinião sobre ele.

Grandes filósofos sempre pregaram que você deve se importar com a opinião que você tem sobre si mesmo, e ser imperturbável diante da opinião alheia.

Mas Olavo de Carvalho mostrou uma preocupação extraordinária com minha opinião sobre ele. Chegou a me desafiar para um bizarro duelo filosófico ao entardecer, como se estivéssemos no Velho Oeste. “Vamos ver se você é homem para isso”, disse ele.

Ser homem, para os filósofos, é enfrentar adversidades com serenidade e coragem. Montaigne dizia, com acerto, que nada prova mais a estatura de um homem que sua atitude perante a morte. E citava seu grande inspirador, Sêneca, que morreu consolando a mulher e os discípulos. Nero, de quem fora preceptor antes que ele enlouquecesse, mandou que Sêneca se matasse.

Mas para Olavo de Carvalho ser homem é duelar. Isso mostra seu tamanho como “filósofo”.

Tenho uma atitude dúbia em relação aos pernilongos que acompanham Olavo de Carvalho. Seu zumbido me irrita, mas ao mesmo tempo lamento por eles e reconheço sua lealdade incondicional.

Nenhum leitor do “jornalista” Reinaldo Azevedo, de quem tenho uma opinião parecida com a que guardo por Olavo Carvalho, compareceu ao DCM para defendê-lo quando trocamos estocadas. Nenhum. Os leitores de RA têm a chamada lealdade preguiçosa, ao contrário dos fundamentalistas que seguem Olavo de Carvalho.

Estes, se tivessem lido os filósofos de verdade – Montaigne, Sêneca, Marco Aurélio etc. – seriam educados, cultos, polidos, elegantes.

Não me interessa gastar tempo com Olavo de Carvalho: a vida é breve, instável, e prefiro ocupar minha mente com coisas mais interessantes.

Não saberei, porque não vou lê-lo, se ele vai melhorar na velhice. As pessoas dizem que é impossível você mudar na senectude. Mas fico com uma frase de Epicuro que cito constantemente aos que me rodeiam. “Nunca é cedo demais nem tarde demais” para aprender alguma coisa.

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Uma resposta to “Os pernilongos que zumbem em defesa de Olavo de Carvalho”

  1. deborah Says:

    inveja mata hein!

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