Os Black Blocs sem máscara

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Black Blocs: Os primos sem máscara

Wanderley Guilherme dos Santos, via O Cafezinho e lido no SQN

Um leitor bem-humorado de Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, sugeriu a aproximação entre os Black Blocs mascarados que atormentam a cidade e os economistas da pré-candidata Marina Silva. Estes seriam, pela ideologia, Black Blocs sem máscara. O exagero normal de piadas não deixa de ter fundamento, neste caso, na convergência real entre ideais confessos de uns e ações delinquentes de outros.

Mascarados e sem máscara, ou desmascarados, são contra tudo que está aí. Sendo o país altamente complexo em sua produção material, vida associativa e política, “tudo que está aí” é muita coisa para ser conhecida e avaliada no atacado. A menos, deve ser reconhecido, que os juízes estejam possuídos por estereótipos bebidos em fundamentalismos religiosos ou ideológicos. Embora rezando por bíblias diferentes, não há dúvida que Black Blocs mascarados e sem máscara confraternizam no credo essencial.

Pelo passado de uns, os desmascarados, e presente de outros, os Black Blocs mascarados, todos têm por objetivo o desmanche do patrimônio público, seja por destruição material direta, seja por supressão legal ou, ainda, por alienação a terceiros. A variação e bom gosto no modo de vestir dos sem máscara, em contraste com o militarizado uniforme negro dos mascarados, não disfarça a hostilidade à propriedade pública que compartilham. Com ou sem máscara são todos destrutivos Black Blocs.

A mídia tradicional e as redes sociais funcionam como atraentes espelhos das manifestações de violência verbal, escrita ou de comportamento. Exibicionistas, anunciam onde vão agir pela força de paus e pedras ou pela compulsão das leis que pretendem elaborar. Discrição e modéstia não fazem parte do cardápio de moral e cívica desses autoritários em disponibilidade.

Entre as convergências avulta a doentia incapacidade de organizar algo construtivo. São parasitas dos movimentos sociais. Não se conhece uma instituição de defesa de coletividades que tenham criado. Mas estão sempre presentes no aproveitamento das atividades e organizações de construtores sociais, sugando-lhes a fama, a energia ou os propósitos. Foi o que fizeram em tempos idos, os sem máscara, com as empresas estatais criadas com os recursos e sacrifício da população. E voltariam a fazê-lo se lhes fosse concedida outra oportunidade. Não facilitaram a emergência de ações coletivas, empreitada sempre difícil e não raro cheia de perigos. Mas os mascarados se aproveitam das naturais e legítimas mobilizações dos setores mais carentes para sugá-los e macular os propósitos de suas paradas e manifestações.

Desprezam as instituições de representação popular (sindicais, políticas, pacificamente reivindicatórias) a elas dirigindo permanente crítica difamatória e humilhante, no que são coadjuvados pela imprensa Black Bloc, muito mais do que marrom. Pontificam nas colunas jornalísticas os acometidos de dandismo intelectual, cheios de si pela ausência de contraditório que lhes devolveria a altura própria. Esnobes, só conversam entre si e acham lindas, exemplos de “democratização da democracia” (redundância charlatanesca), as tentativas selvagens de invasão de assembleias legislativas.

Finalmente, o anarquismo cruzado em benefício próprio. Face às tensões entre interesses populares e mercado, são radicalmente contra a regulação do Estado nos conflitos da sociedade (Black Blocs mascarados) e no funcionamento a mãos livres do mercado (Black Blocs desmascarados).

Há muito mais parentesco entre os Black Blocs mascarados e os sem máscara do que é capaz de imaginar o inocente bom humor de observadores. Daria uma narrativa interessante fantasiar o que aconteceria em uma comunidade submetida à ideologia e à ação desses primos em barbárie. Os dois grupos, enjaulados, provariam da própria medicina.

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Uma resposta to “Os Black Blocs sem máscara”

  1. marcio varella Says:

    Existe toda uma infraestrutura montada que une duas pontas. Numa, os bancos. Na outra, os BBs propriamente ditos, os que depredam e atacam nas ruas. Os bancos, essa antiga instituição inventada pelos judeus para arrancar dinheiro dos outros sem precisar fazer força, estão com os dias contados, haja vista que as redes sociais estão a demonstrar sua inutilidade. Só existirão pelos próximos 30 anos, no máximo, ou seja, por mais uma geração. Eles sabem disso e não terão como evitar; o que fazem hoje é tentar postergar a extinção. Então, sustentam a mídia, que manipula a opinião pública de acordo com a cartilha bancária, e os partidos políticos preferencialmente os desumanizados, ou seja, os que defendem a eternidade da Casa Grande em detrimento da Senzala. Esse trabalho teve início ainda no governo Kennedy, que de bonzinho não tinha nada. Os políticos, por sua vez, utilizam a mídia de acordo com suas vontades pessoais e jurídicos (quando se trata de defender os pontos de vista dos banqueiros). E utilizam também os serviços, muito bem pagos por sinal, de falsas ONGs, como os BBs, que se aproveitam da filosofia anticapitalista adquirida no exterior para atuar no Brasil sob a égide da defesa dos pobres e humildes. Esses 50 anos de atuação em defesa do capital e das elites, para a felicidade geral da nação, expirou, venceu o prazo, ficou velho, muito reduntantemente antigo. Coisas da História dos tempos, daquilo que a gente não tem sob controle, que está muito acima de nós, coisas de um mundo que se torna cada dia mais Regenerado, onde a onipresença do Mal será substituída pela bigpresença do Bem.

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