Por que no te callas, Marina Silva?

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A ex-senadora está em todas: na quarta-feira, dia 9, saíram entrevistas dela na Folha, em O Globo e no Estadão. Nelas, Marina transmite a ideia de que, sem seu ato triunfal do último fim de semana, a democracia brasileira estaria seriamente ameaçada. Antes, já afirmara que chegou para combater o “chavismo”, coisa que não há no Brasil, e afirmou ainda que a Rede é o primeiro partido político clandestino na democracia, quando se trata apenas de uma legenda impugnada pela incompetência de seus dirigentes na coleta de assinaturas. Marina pode falar à vontade, até para que não diga que seu direito de expressão está sendo cerceado, mas, aos editores, caberia lembrar que, no quadro atual, ela está fora do jogo e é, no máximo, uma vice de luxo.

Via Brasil 247

Marina Silva fala muito. Fala pelos cotovelos. Na quarta-feira, dia 9, saíram entrevistas dela na Folha (leia aqui), no Estadão (leia aqui) e nO Globo (leia aqui). Em todas essas três entrevistas, Marina Silva criou constrangimentos para o governador pernambucano Eduardo Campos, que preside o PSB, partido ao qual ela se filiou.

Na Folha, Marina se colocou como candidata à Presidência, negando o que havia dito no próprio sábado, quando o pacto Rede-PSB foi anunciado. Em O Globo, contestou alianças pragmáticas de Campos e disse que “não há lugar para inimigos históricos” em seu partido, referindo-se a Ronaldo Caiado, (DEM/GO) como se o PSB já fosse dela.

Em O Estado de S.Paulo, mais grave ainda, confirmou ter dito que seu movimento visava combater o “chavismo” do PT. “Quando me referi à ideia do chavismo foi no espaço do comportamento político, de que não possa prosperar outra força política”, disse ela.

Ora, mas que chavismo é esse, se Lula não alterou as regras eleitorais para perseguir um terceiro mandato e Dilma Rousseff é apenas uma candidata que concorre ao direito legítimo da reeleição? Será que Eduardo Campos corrobora a análise de Marina?

Era de se esperar que, tendo renunciado à candidatura presidencial, Marina começasse a trabalhar a favor de seu novo aliado, Eduardo Campos, e não contra.

Mas quando contesta alianças, que visam fortalecer palanques regionais, se coloca como candidata e denuncia um inexistente chavismo no Brasil, Marina joga contra o próprio time.

Mais estranha ainda é sua postura messiânica, de quem se coloca como redentora da democracia no Brasil, que, até onde se enxerga, não está ameaçada. Sobre sua filiação ao PSB, Marina disse que a fez em “legítima defesa”. Ora, mas defesa de que se a Rede só não foi viabilizada porque Marina não conseguiu recolher as assinaturas exigidas por lei?

E não adianta dizer que se trata do primeiro partido clandestino em plena democracia, como Marina afirmou no sábado, dia 5. Trata-se apenas de uma tendência incubada no PSB – uma tendência estridente, diga-se de passagem – que não atingiu o status de partido porque faltou competência a seus dirigentes, muito embora não tenha faltado apoio midiático e financeiro à empreitada.

Marina pode e deve falar à vontade. Até porque, caso não fale, dirá que seu direito à livre manifestação está sendo cerceado.

Mas, passada a festa do casamento, caberia, agora, aos editores dos grandes veículos de comunicação despertar para um fato óbvio. No quadro atual, Marina está fora do jogo. É, no máximo, candidata a vice – a menos que consiga derrotar por dentro o aliado Eduardo Campos.

E os eleitores não votam em vices. Portanto, o que ela diz ou deixa de dizer tem cada vez menos importância.

PS: Marina também concedeu uma entrevista ao Correio Braziliense. Disse que apoia o deputado José Antônio Reguffe (PDT/DF) para o governo do Distrito Federal, quando o PSB já tem também uma candidatura posta, a do senador Rodrigo Rollemberg (PSD/DF).

***

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9 Respostas to “Por que no te callas, Marina Silva?”

  1. Jésus Araujo Says:

    Vibro de indignação, quando ouço ou leio essa frase: Porque no te callas? Foi o insulto feito a toda a nossa América Latina “mestiça”, desprezada pelos europeus e designada como “la bas” pelos franceses. Há cinco séculos isso acontece. Atingia um de nossos chefes de Estado, que acusava a Espanha de intromissão na Venezuela, violando o direito dos povos. Aí não poderia haver diferença entre ser contra Chaves ou a favor, tratava-se de vilipêndio a uma nação da Pátria Grande. E feito por um convidado, além de grosso, deselegante e (como bom europeu diante de nós) arrogante. Mas ninguém se indignou; a esquerda calada, a direita vibrando: “Viu como o rei calou o Chaves”? Na minha opinião, Chaves deveria, lá mesmo, por telefone, ter chamado o embaixador em Madrid e, depois, ele que teve a elegância de se calar, ter exigido pedido de desculpas de Sua Majestade. Aposto que muita gente não pensou nisto; claro, a imprensa não orientou. Não podemos esquecer isso, para que não se repita.

  2. pintobasto Says:

    Nos mandamentos da politicalha, Marina Silva pinta e borda, surfando agora na maionese até apagar a lamparina da novidade. Aos poucos está encerrando a carreira política que no começo parecia muito promissora. Aquela viagem a Londres mexeu com a cabeça dela.

  3. Arlete Souza Says:

    Cale-se, cale-se, cale-se. Você é uma louca mulher.!

  4. Por que no te callas, Marina Silva? | EVS NOTÍCIAS. Says:

    […] See on limpinhoecheiroso.com […]

  5. Maria Thereza Says:

    Poso não estar entendendo nada e até sendo paranoica, mas é muito estranho que Marina não tenha conseguido as assinaturas necessárias para criar a rede oficialmente: teve tempo, dinheiro, apoio da mídia velha, seguidores, saldo de votos. O que está por trás da “incompetência”? Será que se deu conta que numa candidatura pra valer, não teria chance, com esse discurso mequetrefe, com a falta de posicionamento sobre os temas que estão pulando na sociedade?

  6. bene nadal Says:

    Marina pensa ter dado o grande golpe… Ledo engano; ELA PISOU NO TOMATE, no momento que se filiou ao PSB, sem saber direito quem se juntaria ao grupo, na tenativa inútil de chegar ao poder. Até agora figuras no mínimo polêmica, como Caiado, Bornhausen, Heráclito, ainda não ví oficialmente o ajuntamento de: Malafaia, Feliciano, Bolsonaros, o Cel. Ustra… A sorte dela é que não vai chegar a ser eleita, pois do contrário, seria ANULADA, simples assim…

  7. Jésus Araujo Says:

    De fato, Marina pegou carona no PSB, para descer alguns quilômetros à frente. Ela declarou que sua adesão ao PSB é provisória. Como sempre, Marina inova! E, por falar nisto, o socialismo brasileiro está cada vez mais colorido. Lindo!

  8. pintobasto Says:

    Marina é uma gracinha!

  9. Therezinha Says:

    É, Marina esta pondo suas garrinhas prá fora muito rápido.
    Campos que se cuide!

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