Como Dilma descobriu as redes sociais e lançou o Gabinete Digital

Gabinete_Digital01Luis Nassif, via Jornal GGN

O Gabinete Digital, lançado na sexta-feira, dia 27, pela presidente Dilma Rousseff, é a primeira manifestação graúda do governo em relação ao fenômeno das redes sociais. A ideia ganhou força a partir de boatos criados na velha mídia, e propagados nas redes sociais, sobre o suposto apagão iminente.

Em 10 de janeiro passado, escrevi o artigo O desafio da comunicação pública mostrando a junção de dois fenômenos midiáticos: a tendência histórica à escandalização de cada tema pela velha mídia; o fenômeno da expansão viral das notícias pelas redes sociais.

A análise se devia justamente ao caso do “apagão”. Uma colunista divulgou informação falsa sobre reunião extraordinária que teria ocorrido no governo, ante a iminência de um “apagão”. O próprio Ministro das Minas e Energia a procurou, e apenas a ela, com esclarecimentos. Os esclarecimentos não foram dados e criou-se uma onda monumental em cima de dados falsos. Quem procurasse esclarecer os boatos, não encontrava informações disponíveis nem nos Ministérios nem no governo.

Na coluna, explicava a ação de grandes empresas de monitoramento permanente dos temas que cresciam nas redes, para pronta resposta que permitisse esclarecer as informações dúbias e espantar as informações falsas.

Encerrava a coluna com as seguintes recomendações:

“Hoje em dia, o jogo não comporta mais amadorismo e passa pelas seguintes etapas:

1. Em organizações complexas (como as públicas) há a necessidade de assessorias descentralizadas mas obedecendo a uma orientação única.

2. Cabe à coordenação central utilizar ferramentas para monitoramento contínuo das notícias, identificação dos pontos críticas, montagem de estratégias de comunicação para temas mais polêmicos.

3. Há de se ter treinamento, padronização de respostas, compromisso com a objetividade e a veracidade dos dados, indicadores de eficácia.

Nesses períodos de transformação profunda, a comunicação é essencial. E não dá mais para se limitar a marcar audiência com a respectiva autoridade”.

A rede do governo

Nas eleições de 2010, Dilma já havia sido vítima de campanhas de difamação. Por e-mail e pelo Twitter foi montada uma enorme estrutura de propagação de boatos, reforçada pelo noticiário da velha mídia. Ou seja, criavam-se boatos de fontes apócrifas, depois os jornais tratavam como informação checada. Exemplo maior foi o caso da ficha falsa de Dilma no DOPS.

Pouco antes das manifestações de junho, quando o desgaste do governo era perceptível, Dilma já tinha acordado para a importância de sistemas de informação do governo com coordenação centralizada.

Na entrevista que me deu, dias antes das manifestações, deixou claro a preocupação do governo com os boatos e virais de Internet. Com as manifestações de junho, a proposta de rede social virou prioritária.

O porta-voz Thomas Traumann montou a estratégia e a montagem da rede foi entregue ao que é considerado, internamente, o mais competente gerente do governo Dilma: Valdir Simão, a quem é atribuído o feito de ter eliminado as filas do INSS.

O trabalho consistiu no desafio tecnológico simples, de montar a rede, e no mais complexo, de articular os sistemas de informação que precisarão ficar disponíveis para atender às demandas do público e rebater os virais de Internet.

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Uma resposta to “Como Dilma descobriu as redes sociais e lançou o Gabinete Digital”

  1. Como Dilma descobriu as redes sociais e lançou o Gabinete Digital | EVS NOTÍCIAS. Says:

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