Cláudio Lembo, aliado de José Serra, chama o “mensalão” de julgamento medieval

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As críticas ao STF partiram de Cláudio Lembo, professor de Direito da USP e ex-governador do Estado de São Paulo.

Via Correio do Brasil

Na esteira do jurista Ives Gandra Martins, prócer do conservadorismo político e um dos advogados mais respeitados do País, chegou a vez do também advogado e professor Cláudio Lembo, ex-governador de São Paulo e um dos principais aliados do candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais José Serra, abrir uma pesada crítica ao “julgamento medieval” da Ação Penal 470, na Suprema Corte de Justiça do País.

Em artigo publicado na segunda-feira, dia 23, na coluna do jornalista Bob Fernandes, no Terra Magazine, Lembo segue na linha de que o ex-ministro José Dirceu foi condenado sem provas. Leia, a seguir, a íntegra do artigo.

O “mensalão” e a democracia

Os valores culturais formam as nacionalidades. Indicam seus modos de encarar o mundo e reconhecer seus iguais. Em cada sociedade eles se apresentam de maneira singular.

Algumas nacionalidades tendem ao espírito guerreiro. Outras às artes. Muitas atuam em duelos tribais. Umas poucas se dedicam à contemplação do universo.

Os brasileiros recolhem muitos destes atributos e acrescentam um traço característico. Todo brasileiro é técnico de futebol. É o que se dizia até passado recente.

Agora, o Brasil profundo, aquele que foi forjado pelo bacharelismo, veio à tona. Com o julgamento do “mensalão”, todos se voltaram a ser rábulas, práticos da advocacia.

A audiência da televisão pública, destinada aos assuntos da Justiça, superou a de todos os demais canais. As sessões do Supremo Tribunal Federal foram assistidas, em silêncio, por multidões.

São os adeptos do novo espetáculo. O conflito de posições entre personalidades relevantes do cenário público: os ministros da mais alta Corte do Judiciário.

Há, neste fenômeno, aspectos a serem considerados e merecem reflexão. Certamente, o acontecimento demonstra que a cidadania deseja saber como atua seu Judiciário. Moroso e repleto de jogos de palavras.

Outro aspecto se concentra no próprio objeto da causa e em seus personagens, os réus da ação. Quantos temas novos surgiram e como os réus foram expostos sem qualquer reserva.

Alteraram-se visões jurisprudenciais remansosas e de longa maturação. Não houve preservação da imagem de nenhum denunciado. Como nos antigos juízos medievais, foram expostos à execração pública.

O silêncio a respeito foi unânime. O princípio da publicidade foi levado ao extremo. Esta transparência permitiu, inclusive, a captação de conflitos verbais entre magistrados.

A democracia se aperfeiçoa mediante o seu exercício continuo. O julgamento do “mensalão” foi o mais exposto da História política nacional. Foi bom e ao mesmo tempo preocupante.

Aprendeu-se a importância do bem viver e os danos pessoais – além das penas privativas da liberdade – à imagem dos integrantes do rol de réus. A lição foi amarga.

Toda a cidadania se manifestou a respeito do julgamento. Os meios de comunicação nem sempre foram imparciais no acompanhamento do importante episódio.

Alguns veículos aproveitaram a oportunidade para expor as suas idiossincrasias com agressividade. Aqui, mais uma lição deste julgamento. Seria oportuno um maior equilíbrio na informação.

Isto faria bem à democracia e aos autores do noticiário. Equilíbrio e imparcialidade são essenciais para o desenvolvimento de uma boa prática política.

Um ponto ainda a ser considerado. O comportamento dos próprios ministros. Alguns se mostraram agressivamente contrários a determinadas figuras em julgamento. A televisão capta o pensamento íntimo das pessoas.

Houve também ministros que bravamente aplicaram a lei de forma impessoal. Foram chamados de legalistas. Bom que assim seja. As concepções contemporâneas do Direito, por vezes, fragilizam a segurança jurídica.

Portou-se com destemor o ministro Enrique Ricardo Lewandowski. Soube suportar posições de confronto com altivez e respeito ao Direito. Terminada sua missão de revisor, surgem as primeiras manifestações favoráveis à sua atuação.

São muitas, pois, a lições recolhidas do julgamento do “mensalão”, em sua primeira etapa. Os brasileiros, rábulas por ativismo, aguardam ansiosos os novos capítulos.

Não haverá a mesma emoção no futuro. A democracia é exercício. Aprendeu-se muito com as sessões do Supremo Tribunal Federal nestes últimos seis meses, inclusive controlar as animosidades.

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4 Respostas to “Cláudio Lembo, aliado de José Serra, chama o “mensalão” de julgamento medieval”

  1. Dayse Silva Says:

    Cláudio Lembo nos mostra a sua integridade como jurista, como ser humano e cidadão brasileiro.
    Em toda posição que tomamos, deve ser esta respaldada, antes de mais nada, nos bons valores morais da verdade, da sensatez, etc, etc.

  2. Therezinha Says:

    O que faz os grandes juristas ficarem calados e só agora resolverem falar? Ou, o que esta provocando estas verdadeiras aulas, neste momento e não antes?
    Acho ótimo que falem, mas gostaria de saber

  3. NUNO PORTO DE SANTOS Says:

    É um dos poucos “da direita” que eu respeito. Lembram do esculacho que ele deu nas “zelites brancas”?

  4. pintobasto Says:

    Com imparcial segurança, Cláudio Lembo proferiu uma aula magna sobre o comportamento do STF, seus ministros, e o julgamento da AP 470.

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