Celso de Mello: Massacrado por cumprir a lei

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Celso de Mello foi cercado e intimidado pela “grande mídia”.

O que ocorreu no julgamento de quarta-feira, dia 18, e que a mídia podre e canalha não explicou (e não explica) para a população foi o seguinte: nenhum dos cinco votos contrários revelou que sabia da discussão que houve no Congresso Nacional em 1998 sobre a revogação dos embargos infringentes no regimento interno do STF.

Luiz Flávio Gomes, via Carta maior

Todos os canalhas parasitas e corruptos devem ser condenados, independentemente de ser rico ou pobre, preto ou branco, petista, peessedebista ou qualquer outra coisa. A ética condena duramente todos aqueles crápulas que se valem do poder para nele se perpetuar de forma ilícita e desonesta (sobretudo comprando votos de outros parasitas para garantir a governabilidade ou a reeleição). Mas “nada é mais terrível de se ver do que a ignorância [midiática] em ação.” (Johann Wolfgang von Goethe, escritor alemão)

Por mais chocante que tenha sido, a verdade é que Celso de Mello apenas cumpriu a lei e nenhum juiz em nenhum lugar do mundo pode deixar de fazer isso (sob pena de rapidamente se destruir o país). Nos julgamentos judiciais, “soberana não é a massa, sim a lei”, dizia Aristóteles.

A população hiperinflamada – e, com razão, profundamente indignada com a aberrante e secular impunidade das classes dominantes parasitas e corruptas – tem dificuldade de entender tudo isso. Mas é o que ocorreu. Essa dificuldade aumenta quando o País tem a falta de sorte de contar com uma mídia descaradamente mentirosa, envenenada e ignorante (de pontos relevantes da questão), que só sabe jogar lenha na fogueira do obscurantismo medieval.

Que falta nos faz conhecer os poemas de Lucrécio, que revolucionaram a Europa com o Renascentismo de Leonardo da Vinci, Michelângelo, Camões, Cervantes, Descartes, Montaigne etc. Não foi por acaso que tais poemas ficaram escondidos por mais de mil anos!

Se Celso de Mello, como juiz, votou de acordo com a lei, perguntam indignadamente vários internautas, então isso significa que os outros cinco ministros que negavam os embargos foram imbecis ou desonestos ou ignorantes? Nada disso.

Para os que não estão familiarizados com a área, saibam que o Direito não é matemática. Muitas vezes há espaço para duas ou mais interpretações (todas razoáveis). O que ocorreu no julgamento de quarta-feira, dia 18/9, e que a mídia podre e canalha não explicou (e não explica) para a população foi o seguinte: nenhum dos cinco votos contrários revelou que sabia da discussão que houve no Congresso Nacional em 1998 sobre a revogação dos embargos infringentes no regimento interno do STF. Nenhum dos cinco votos contrários ao recurso mencionou essa questão. Ignorou-a completamente. Talvez não soubessem disso. E quiçá até mudariam o voto se tivessem conhecimento desse detalhe (relevantíssimo).

Diziam que tinha havido revogação tácita do regimento interno em 1990 (JB, Fux etc.). Como pode ter havido revogação tácita de um dispositivo que o Congresso Nacional discutiu abundantemente em 1998, a partir de um projeto do governo FHC, recusando-o explicitamente, mantendo o texto como estava?

Qualquer um é capaz de perceber, com essas informações, o quanto foi descomunal, bestial e cafajeste o massacre de alguns setores midiáticos contra o voto de um juiz que apenas cumpriu a lei.

Que falta nos faz estudar o filósofo grego Epicuro, um dos pais remotos do Renascentismo, também ele acusado de depravação sexual, vida desregrada, comilão etc., só porque dizia que temos direito como seres humanos de ter prazeres módicos e éticos nesta vida! A mídia podre e canalha, ao contrário, quer nos convencer de que deveríamos viver de forma irresponsável, imoral e aética! Como pode isso?

Luiz Flávio Gomes é jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil (www. institutoavantebrasil.com.br).

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Leia também:

Em 1998, Congresso decidiu manter os embargos infringentes

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5 Respostas to “Celso de Mello: Massacrado por cumprir a lei”

  1. Jésus Araujo Says:

    Se é difícil acreditar que quatro dos juízes que votaram contra não sabiam, é impossível acreditar que o ministro Gilmar Mendes não sabia, já que trabalhava em função jurídica no executivo, tendo, pois, como dever de ofício acompanhar o debate que se travava na Câmara sobre os embargos infringentes.

  2. O LADO ESCURO DA LUA Says:

    […] Celso de Mello: Massacrado por cumprir a lei […]

  3. pintobasto Says:

    Notem só o prejuízo que estes cidadãos metidos a ministros, deram ao Estado e às vítimas das suas malandragens! Como é que o brasileiro honesto trabalhador pode acreditar que existe justiça no Brasil? Se este péssimo exemplo aconteceu no Superior Tribunal, imaginem o que deve acontecer por essas comarcas mais escondidas!

  4. pintobasto Says:

    A AP 470 é uma farsa encenada por Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Roberto Rangel e banda sonora do Fux que é roqueiro de araque, mais o outro Collor que também ficou mal na cena. Só lhes resta anularem o julgamento desta AP e emigrarem para o Tibet onde poderão ficar num templo budista até aprenderem a ser honestos com eles mesmos.

  5. Therezinha Says:

    É difícil de acreditar que os cinco que votaram contra não sabiam da votação ocorrida no Congresso Nacional em 1998!!!
    É uma saída honrosa para a ignorância ou para a manipulação safada!!!
    Não são advogados recém formados, nem juízes recém empossados. São ministros da Corte Suprema do nosso país, o que deixa o fato muito mais grave!!!
    Da mídia então, podemos afirmar que estão mexendo com fogo, pois um dia esta população mal informada vai se virar contra eles,
    como já estão se virando contra a Globo!!!

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