O dia em que a Record matou o New York Times

Edir_Macedo09_Livro

Uma matéria incrível sobre o novo volume da esplêndida biografia do bispo Edir Macedo.

Kiko Nogueira, via Diário do Centro do Mundo

A TV Record fez uma “matéria” sobre o segundo volume da biografia do bispo Edir Macedo. Nada a perder 2 – Meus desafios diante do impossível foi escrito em “coautoria” com o vice-presidente de jornalismo, Douglas Tavolaro. Num coquetel no Copacabana Palace, os principais jornalistas da casa – dentre eles um entusiasmado Heródoto Barbeiro – deitavam loas ao livro, falando do exemplo de superação do autor, das histórias incríveis que ele contava, de sua vida esplêndida.

Até aí, apesar da cara dura, era mais ou menos o que se esperava. Mas, a determinada altura, a “reportagem” citava o New York Times, que cobriu o lançamento do primeiro volume (é uma trilogia):

Como registrou um surpreso repórter do New York Times ao presenciar a fila que se formava para o lançamento da biografia em 18 fevereiro deste ano em Nova Iorque.

“Uma multidão de jovens começou a chegar ainda de madrugada, com cadeiras portáteis e xícaras de mingau. E não era para o lançamento de um smartphone, nem para comprar ingresso da Beyoncé, muito menos para o lançamento de livros de vampiros ou magos, sucesso entre adolescentes. Eles queriam ser os primeiros a comprar a autobiografia do bispo Edir Macedo nos Estados Unidos.”

O Times não merecia. Além desse trecho ter sido inventado de maneira marota, juntando frases de outros contextos, a resenha do NYTimes é um contraponto didático ao que a Record fez. Primeiro que o repórter não estava tão surpreso assim (por que estaria, ué?). Depois, ele fez a lição de casa. Algumas coisas que, compreensivelmente, foram deixadas de fora pela emissora do bispo:

“Ele é tão polêmico que você encontra gente que o chama de demônio encarnado”, disse Andrew Chesnut, um professor da Universidade da Virginia e autor de Nascido de novo no Brasil, que analisa o crescimento no Brasil do movimento pentecostal. “Outros dizem: ‘É, ele é como um parente: ele é como eu, mas quase um milionário”.

No Brasil, se referem a ele, algumas vezes, como “Pedir Mais Cedo”.

O senhor Macedo e sua organização, entretanto, foram acusados de desviar bilhões de dólares em doações que deveriam ir para a caridade e de explorar os fieis.

O livro vai vender muito – e venderia, provavelmente, com ou sem a forcinha desse jabá. E a Globo deve agradecer a Deus, todos os dias, por ter um concorrente como a Record.

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