Luís Roberto Barroso: “Sem reforma política, tudo continuará como sempre foi.”

Luis_R_Barroso04_STF

Via Carta Maior

O mais novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu a urgência da reforma política no Brasil, durante a sua estreia no julgamento do “mensalão”, na quarta-feira, dia 14, em Brasília (DF). “Sem reforma política, tudo continuará como sempre foi. A distinção será apenas entre os que foram pegos e os que não foram”, afirmou, ao tecer suas considerações iniciais sobre o julgamento que entra, agora, na fase de recursos, os chamados embargos.

Segundo ele, a sociedade brasileira está exausta da forma como se faz política no país. O ministro lembrou que uma campanha barata para deputado federal custa, em média R$400 milhões, enquanto o salário de um político não chega a R$1 milhão durante todo o mandato. “Com esses números, não há como a política viver sob o signo do interesse público, ela se torna um negócio. […] O modelo político brasileiro produz uma ampla e quase inexorável criminalização da política”, enfatizou.

Dentre as principais características negativas do sistema brasileiro, ressaltou o papel central do dinheiro, a irrelevância programática dos partidos que funcionam como rótulos para candidaturas e o sistema eleitoral e partidário que dificulta a formação de maioria estáveis. “O julgamento da Ação Penal 470, mais do que a condenação de pessoas, significou a condenação de um sistema político”, insistiu.

Barroso deixou claro também que não importa que a reforma política seja feita pelo Congresso ou diretamente pelo povo, por meio de plebiscito, conforme proposto pela presidenta Dilma Rousseff. Para ele, o importante é que ela ajude a coibir a corrupção, um mal maior que independe de coloração partidária. “Não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Não há corrupção melhor ou pior, dos nossos ou dos deles. Não há corrupção do bem. A corrupção é um mal em si e não deve ser politizada”, opinou.

Barroso também refutou o chamado “mensalão” constituiu um evento isolado na vida política nacional. Como em uma linha do tempo imaginária, lembrou de escândalos como o dos “anões do orçamento” (1993), dos precatórios (1997), da construção do TRT-SP (1999) e Banestado (2003). Para ele, é no mínimo questionável que o “mensalão” seja o maior escândalo político da história do país, como insiste a mídia convencional. “Talvez se possa afirmar é que foi o mais investigado de todos, seja pelo Ministério Público, pela Política Federal ou pela imprensa”, acrescentou.

Embargos declaratórios

No primeiro dia de julgamento dos recursos da Ação Penal 470, os ministros do STF apreciaram cinco tópicos comuns em vários dos embargos declaratórios apresentados pelos 25 condenados. Presidente da corte e relator da ação, Joaquim Barbosa apresentou e rejeitou todos eles, que reivindicavam nova distribuição da ação penal, criticavam o cancelamento das notas taquigráficas referentes aos apartes concedidos em plenário, rediscutiam a competência da corte para julgar ação penal, contestavam a metodologia adotada no julgamento e pediam a nulidade do voto do ex-ministro Ayres Brito, que se aposentou durante o processo.

Primeiro a votar, Barroso seguiu o presidente na íntegra, mas não sem criticar a corte pela metodologia adotada no julgamento da ação, em que os ministros vencidos não participavam da dosimetria das penas. “Essa metodologia produziu desequilíbrios e penas mais altas do que o habitual”, pontuou, embora, no mérito, tenha seguido o relator ao rejeitar o embargo, por julgá-lo matéria já vencida. Os demais também seguiram o voto do relator, à exceção de Marco Aurélio Mello, que foi vencido nos dois tópicos em que apresentou visão diferenciada.

De acordo com Barbosa, definidas essas questões comuns a vários condenados, o julgamento dos embargos declaratórios será feito de forma individualizada. Só quando este processo terminar, a corte irá analisar os embargos infringentes que, conforme o Regimento do STF, dão direito a novo julgamento quando os réus condenados com pelo menos quatro votos divergentes.

O ministro Teori Zavaski, que também é novo na corte e não participou do julgamento do “mensalão”, entre agosto e dezembro de 2012, não compareceu à seção devido à morte recente de sua esposa. O ministro Gilmar Mendes chegou atrasado e não votou nesta primeira etapa.

Tags: , , , ,

4 Respostas to “Luís Roberto Barroso: “Sem reforma política, tudo continuará como sempre foi.””

  1. Esmaldes Martani Says:

    Muito bem senhor ministro. Todos sabemos que precisamos de reforma politica. A pergunta é; quem vai fazer a reforma? Porque se for o congresso atual vai dar em nada. Eles não irão aprovar algo que vá contra seus interesses. Quem vai tomar a iniciativa de fazer a reforma

  2. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Vai sentar, Cláudia.
    O que você me diz da Operação Sanguessuga?

  3. sonia mariam ferrari neves Says:

    A MAIOR VERGONHA DO BRASIL FOI NO TEMPO DO LULA E DA DILMA. ELES NÃO DERAM A MÍNIMA ATENÇÃO PARA A SAÚDE EDUCAÇÃO. AS PESSOAS ESTÃO SE FORMANDO SEM O MINIMO DE CULTURA. a SAÚDE AS PESSOAS ESTÃO MORRENDO PELA DEMORA DE TRATAMENTO E EXAME MÉDICO. UMA PESSOA QUE PRECISA DE UMA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA POR ALGUM PROBLEMA GRAVE, ESPERA UM ANO PARA FAZER O EXAME E ENQUANTO ISSO A DOENÇA VAI SE AGRAVANDO. UMA PESSOA PESSOA DE UM CIRURGIA URGENTE ESTÃO MORRENDO PELA DEMORA DA CIRURGIA. É A MAIOR VERGONHA EM MATÉRIA DE PRESIDENTE QUE O BRASIL TEVE ALÉM DO NOSSO DINHEIRO ESTAR INDO PARA OS BOLSOS DOS CORRUPTOS ENQUANTO O LULA DIZIA QUE NÃO SABIA DE NADA E SE A DILMA SABE, APROVA PORQUE NÃO TOMA PROVIDÊNCIA NENHUMA. VOTAMOS NESSES CORRUPTOS PORQUE TINHAMOS A ESPERANÇA DE DIAS MELHORES E ESTAMOS VIVENDO OS PIORES DIAS DE NOSSAS VIDAS COM ESSES PRESIDENTES SEM CONSCIÊNCIA ADMINISTRATIVAS E CORRUPTOS.

  4. anisioluiz2008 Says:

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: