Trensalão tucano: Entenda as denúncias contra o PSDB

Alstom01A Polícia Federal, o Cade, e os Ministérios Públicos do Brasil e da Suíça investigam caso de corrupção e formação de cartel durante os governos tucanos em São Paulo.

Via CartaCapital

Os casos de corrupção e formação de cartel envolvendo os governos do PSDB de São Paulo são relativamente antigos, mas estão surgindo no noticiário devido ao avanço das investigações contra as irregularidades, tanto no Brasil quanto no exterior. Estão sob os holofotes neste momento duas questões diferentes, mas interligadas: o chamado Caso Alstom, no qual a multinacional francesa teria subornado diversos políticos brasileiros, e um conluio entre empresas para se aproveitar da construção do Metrô de São Paulo.

A irregularidade que teria durado mais tempo é a formação de cartel. Na sexta-feira, dia 2, a Folha de S.Paulo revelou que, em julho deste ano, a empresa alemã Siemens entregou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma série de documentos sobre o caso. Eles provariam que o governo da formação de cartel. A motivação da empresa seria, segundo um jornal, se livrar de algumas das punições em troca da cooperação nas investigações. A informação de que o governo sabia do esquema havia sido publicada por uma reportagem da revista IstoÉ de dias antes, segundo a qual o prejuízo para os cofres públicos paulista seria de R$425 milhões.

O cartel teria sido formado para a realização da construção da linha 5 do Metrô de São Paulo, cuja licitação foi realizada entre 1998 e 2000, quando o Estado era governado por Mário Covas (PSDB). Nesta sexta-feira, dia 9, a Folha informa que em um diário entregue ao Cade, Peter Rathgeber, gerente de vendas da Siemens, conta que o governo de São Paulo pressionou as empresas a formarem o cartel. A intenção era, segundo o diário, evitar que a disputa entre as companhias atrasasse as obras. Em 14 de fevereiro de 2000, diz à Folha, Rathgeber afirma que “por pressão do cliente” [o governo tucano], após diversas “reuniões secretas”, “a união” entre a Siemens, a Alstom e a espanhola CAF foi realizada. O governo, então, recusaria os recursos pela desqualificação das empresas e nenhuma delas reclamaria. À Folha, o então secretário estadual de Transportes, Claudio de Senna Frederico, afirmou que nem ele nem Covas tinham conhecimento do esquema montado.

Na primeira reportagem sobre o caso, o jornal revelou que o esquema iniciado no fim dos anos 1990 se estendeu ao governo de Geraldo Alckmin (2001-2006) e ao primeiro ano do mandato de José Serra, em 2007, ambos do PSDB. Havia, ainda segundo a Siemens, um outro esquema montado para a manutenção de alguns trens de São Paulo, envolvendo a empresa alemã, a CAF e a canadense Bombardier. Atual governador de São Paulo, Alckmin disse que o Estado é “vítima” e prometeu investigar as irregularidades.

Teria havido na sequência uma tentativa de ampliar o cartel. Na quinta-feira, dia 8, a Folha de S.Paulo afirmou que um e-mail enviado por um executivo da Siemens indica que José Serra sugeriu um acordo com a multinacional para evitar uma disputa empresarial por uma licitação da CPTM, em 2008. A intenção era, segundo o jornal, combinar um esquema entre a CAF e a Siemens, que não se concretizou, pois a empresa espanhola realizou o serviço sozinha. Serra negou as acusações.

Segundo denúncias, o esquema também funcionava no sistema metroviário do Distrito Federal, durante o governo de José Roberto Arruda (ex-DEM), estrela de dois outros escândalos: a violação do painel do Senado, em 2001, e o “mensalão do DEM”, em 2010. Devido ao último caso, Arruda foi preso e cassado.

O caso Alstom

O caso Alstom é investigado, no Brasil, pela Polícia Federal. Segundo informou a corporação a CartaCapital, dois inquéritos foram abertos para apurar irregularidades no Metrô de São Paulo. O primeiro já está concluído e foi entregue ao Ministério Público Federal, onde desfruta de segredo de justiça. De acordo com a Folha de S.Paulo, neste inquérito a PF indiciou, por corrupção passiva, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos líderes da oposição na Câmara Municipal de São Paulo. Segundo a PF, afirma o jornal, uma troca de mensagens de 1997 mostra executivos da Alstom discutindo o pagamento de vantagens ao PSDB, à Secretaria de Energia e ao Tribunal de Contas. O nome de Matarazzo não aparece como destinatário dos pagamentos, diz o jornal, mas a PF entendeu que ele foi um dos beneficiados porque foi secretário em 1998, ano em que um dos contratos com a empresa francesa foi assinado.

As investigações da PF são baseadas em apurações feitas pelo Ministério Público da Suíça. Nos documentos do país europeu consta a informação, segundo revelou o jornal O Estado de S.Paulo nesta sexta-feira 9, de que a Alstom pagou 20 milhões de dólares em propinas a partidos para obter contratos com o governo. Segundo um dos depoimentos, a “Alstom e a Cegelec (subsidiária da Alstom) estavam trabalhando juntas para organizar uma cadeia de pagamentos para tomadores de decisão no Brasil”. A “cadeia de pagamentos” consistia na tentativa de realizar um “crime perfeito” segundo o MP suíço, pois envolvia pagamentos a políticos, ao Tribunal de Contas do Estado e ao secretário de Energia que daria os contratos.

A negociação era feita por uma figura nomeada como “RM”. Segundo o Estadão, é Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que, depois de coordenar a campanha de Mário Covas em 1994, foi chefe da Casa Civil entre 1995 e 1997. Para realizar os pagamentos, diz o jornal, a Alstom até criou uma empresa, a Alcalasser, cuja única função era pagar propinas e comissões.

***

Leia também:

Propinoduto tucano: Os cofres paulista foram lesados em mais de R$425 milhões

Propinoduto em São Paulo: O esquema tucano de corrupção saiu dos trilhos

Após denúncias contra PSDB de São Paulo, site da IstoÉ sofre ataque

Mídia se cala: Tucanos envolvidos em corrupção? Bobagem…

Ranking dos partidos mais corruptos do Brasil

Por que Alckmin é tão blindado pela “grande mídia”?

O feito extraordinário de Alckmin

Conheça a biografia de Geraldo Alckmin

Alckmin torra R$87 milhões em propaganda inútil da Sabesp

Propinoduto tucano: Incêndio criminoso destruiu papéis do Metrô em São Paulo

Luciano Martins Costa: Um escândalo embaixo do tapete

Deputado critica demora do MP para agir contra corrupção no Metrô paulista

Apesar da blindagem da “grande mídia”, o caso da corrupção no Metrô paulista

Superfaturamento de cartel do trem em São Paulo e Brasília teria chegado a R$577 milhões

Adilson Primo, o personagem central para o esclarecimento do propinoduto tucano

Siemens diz que governo de São Paulo deu aval a cartel no Metrô

Propinoduto tucano: Novas provas do esquema estão chegando da Suíça

Propinoduto tucano: O impacto das propinas nas eleições para governador em São Paulo

Ombudsman: Folha errou ao omitir PSDB no caso Siemens

Não existe corrupção sem corruptor

Vídeo: Em 2011, Alckmin foi informado sobre o propinoduto tucano. Em 2013, diz que não sabe de nada

Alstom: Os tucanos também se encheram os bolsos de propina francesa

Trensalão tucano: Serra sugeriu acordo em licitação, diz executivo da Siemens

Trensalão tucano: Portelinha fazia os cambalachos para FHC e José Serra

Trensalão tucano: Andrea Matarazzo arrecadou junto à Alstom para a campanha de FHC

Trensalão tucano: A quadrilha dos trilhos

Trensalão tucano: Alstom pagou US$20 milhões em propina no Brasil, diz justiça da Suíça

Trensalão tucano: Pivô do caso Siemens poderá explicar reeleição de FHC

Promotor diz que empresas do cartel dos trens e Metrô são organizações criminosas

Serra conseguiu fazer o que a oposição não conseguia: Destruir o PSDB paulista

Prestes a descarrilar, mídia golpista começa a abandonar o trensalão tucano

Denúncias do cartel do Metrô em São Paulo resgatam conexão Serra–Arruda

Trensalão tucano: E eles ainda dizem que não sabem de nada

Trensalão tucano: Estudante de Berkeley fura jornais brasileiros

E ele diz que não sabe de nada: Siemens e Alstom financiaram Alckmin e outros tucanos

***

Tags: , , , , , , , , , , , , ,

3 Respostas to “Trensalão tucano: Entenda as denúncias contra o PSDB”

  1. anisioluiz2008 Says:

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

  2. BRAZIL S.A Says:

    […] Trensalão tucano: Entenda as denúncias contra o PSDB   +TAG   […]

  3. Marcos Pinto Basto Says:

    Dá vontade de rir quando o Alckmin se arma em vítima, logo ele, um tremendo escroque que se vendeu ao Mega Ladrão Naji Nahas para desgraçar a vida de cerca 6.000 cidadãos que viviam no bairro Pinheirinho em S.José dos Campos/SP.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: