E ele diz que não sabe de nada: Siemens e Alstom financiaram Alckmin e outros tucanos

Alckmin_Enrugado01AEnvolvidas em suspeitas de corrupção, multinacionais fizeram doações legais para o governador de São Paulo e tucanos como José Aníbal, Júlio Semeghini e Barros Munhoz.

Andre Barrocal, via CartaCapital

As multinacionais Alstom e Siemens ajudaram a financiar a campanha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, quando o tucano disputou o cargo em 2002. Na eleição seguinte, os atuais secretários estaduais José Aníbal (Minas e Energia) e Júlio Semeghini (Planejamento), ambos do PSDB, e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Social), do DEM, e o líder de Alckmin na Assembleia Legislativa, o tucano Barros Munhoz, receberam contribuições de uma ou de outra empresa.

As doações foram legais e informadas pelos candidatos em prestações de contas entregues à justiça. Perto do gasto eleitoral total que eles declararam, são irrisórias. Por isso, valem pelo simbolismo. O patrocínio expressou uma preferência política das companhias pelos tucanos e seus aliados. Neste sentido, alimenta a suspeita de que PSDB, Alstom e Siemens são parceiros em obras superfaturadas e desvio de recursos públicos, um esquema sob apuração de várias autoridades.

Em 2002, Alckmin recebeu R$5 mil da Siemens e R$1 mil da Alstom. Era a primeira vez que concorria ao cargo. Ele concluía o mandato de Mario Covas (PSDB), morto em 2000. Segundo as denúncias sob investigação, foi no governo Covas (1995-2000) que começou o vínculo tucano com as multinacionais. As duas são responsáveis até hoje por contratos bilionários com o trem e o Metrô paulistas. Alckmin gastou no total R$12 milhões na eleição de 2002. Ele foi o único candidato a governador de São Paulo a ser financiado pelas multinacionais naquela campanha.

Quatro anos depois, Aníbal e Semeghini disputaram e conquistaram uma vaga na Câmara dos Deputados com financiamento da Siemens. O primeiro recebeu R$4 mil da empresa. Ele declarou ter gasto 1,3 milhão na campanha. Na ocasião, Aníbal era vereador em São Paulo, cargo para o qual se elegera em 2004 com apoio financeiro da Alstom. Na Câmara de Vereadores, Aníbal foi líder do então prefeito José Serra (PSDB). A secretaria que Aníbal comanda hoje cuida de uma área em que atuam Alstom e Siemens. Ambas fornecem equipamentos para usinas térmicas e hidrelétricas.

Em 2008, o jornal norte-americano Wall Street Journal publicou reportagem que informava que o Ministério Público da Suíça investigava a Alstom por subornar agentes públicos em diversos países em troca de contratos. Um dos casos de pagamento de propina teria ocorrido na obra da hidrelétrica de Itá, localizada em Santa Catarina.

Semeghini recebeu da Siemens R$3 mil na campanha de 2006, na qual declarou ter gasto ao todo R$965 mil. Além dele e de Aníbal, a empresa alemã financiou só mais um candidato naquela eleição: o paranaense Osmar Dias, do PDT. A doação de R$8,8 mil para Dias foi feita durante o segundo turno da campanha para o governo do Paraná. Dias concorreu contra Roberto Requião, do PMDB, que tentou e conseguiu se reeleger. Dias era apoiado por Alckmin, que disputava a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez aliava-se a Requião.

Barros Munhoz e Rodrigo Garcia elegeram-se deputados estaduais em 2006 com apoio financeiro da Alstom: R$1 mil e R$2 mil, respectivamente. Ambos declararam à justiça um gasto eleitoral de R$1,3 milhão. Eles foram os únicos candidatos financiadas pela multinacional francesa na eleição.

Eleito, Munhoz foi líder do governador José Serra na Assembleia em 2007 e 2008. Nos quatro anos seguintes, presidiu a Assembleia Legislativa – dois anos no fim do mandato de Serra, dois em outra gestão de Alckmin. Desde março de 2013, ele é líder de Alckmin na Assembleia. É quem comanda a tropa do governador contra a instalação da CPI do Metrô, defendida pelo PT. Em nota na sexta-feira 9, Munhoz disse que o pedido de CPI “não passa de mais uma manobra midiática de parlamentares oposicionistas com foco nas eleições do ano que vem”.

***

Leia também:

Propinoduto tucano: Os cofres paulista foram lesados em mais de R$425 milhões

Propinoduto em São Paulo: O esquema tucano de corrupção saiu dos trilhos

Após denúncias contra PSDB de São Paulo, site da IstoÉ sofre ataque

Mídia se cala: Tucanos envolvidos em corrupção? Bobagem…

Ranking dos partidos mais corruptos do Brasil

Por que Alckmin é tão blindado pela “grande mídia”?

O feito extraordinário de Alckmin

Conheça a biografia de Geraldo Alckmin

Alckmin torra R$87 milhões em propaganda inútil da Sabesp

Propinoduto tucano: Incêndio criminoso destruiu papéis do Metrô em São Paulo

Luciano Martins Costa: Um escândalo embaixo do tapete

Deputado critica demora do MP para agir contra corrupção no Metrô paulista

Apesar da blindagem da “grande mídia”, o caso da corrupção no Metrô paulista

Superfaturamento de cartel do trem em São Paulo e Brasília teria chegado a R$577 milhões

Adilson Primo, o personagem central para o esclarecimento do propinoduto tucano

Siemens diz que governo de São Paulo deu aval a cartel no Metrô

Propinoduto tucano: Novas provas do esquema estão chegando da Suíça

Propinoduto tucano: O impacto das propinas nas eleições para governador em São Paulo

Ombudsman: Folha errou ao omitir PSDB no caso Siemens

Não existe corrupção sem corruptor

Vídeo: Em 2011, Alckmin foi informado sobre o propinoduto tucano. Em 2013, diz que não sabe de nada

Alstom: Os tucanos também se encheram os bolsos de propina francesa

Trensalão tucano: Serra sugeriu acordo em licitação, diz executivo da Siemens

Trensalão tucano: Portelinha fazia os cambalachos para FHC e José Serra

Trensalão tucano: Andrea Matarazzo arrecadou junto à Alstom para a campanha de FHC

Trensalão tucano: A quadrilha dos trilhos

Trensalão tucano: Alstom pagou US$20 milhões em propina no Brasil, diz justiça da Suíça

Trensalão tucano: Pivô do caso Siemens poderá explicar reeleição de FHC

Promotor diz que empresas do cartel dos trens e Metrô são organizações criminosas

Serra conseguiu fazer o que a oposição não conseguia: Destruir o PSDB paulista

Prestes a descarrilar, mídia golpista começa a abandonar o trensalão tucano

Denúncias do cartel do Metrô em São Paulo resgatam conexão Serra–Arruda

Trensalão tucano: E eles ainda dizem que não sabem de nada

Trensalão tucano: Estudante de Berkeley fura jornais brasileiros

***

Tags: , , , , , , , , , , , , ,

4 Respostas to “E ele diz que não sabe de nada: Siemens e Alstom financiaram Alckmin e outros tucanos”

  1. bene nadal Says:

    Demorou um pouco, mas a “trolha” vei saindo fumaça para a tucanha!!!

  2. BRAZIL S.A Says:

    […] E ele diz que não sabe de nada: Siemens e Alstom financiaram Alckmin e outros tucanos     +TAG   […]

  3. Marcos Pinto Basto Says:

    Quem não sabe de nada sou eu! Roubavam milhões durante os mandatos e agora vêm a público armados em inocentes virgens violentadas no elevador do palácio dos Bandeirantes. O Alckmin tem muito que explicar além da Siemens e da Alstom. O caso do Pinheirinho também lhe rendeu grossa quantia!

  4. anisioluiz2008 Says:

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: