Alstom: Os tucanos também se encheram os bolsos de propina francesa

Alckmin_Lembo_RMarinho01

Cláudio Lembo, Geraldo Alckmin e Robson Marinho.

A multinacional francesa Alstom, assim como a alemã Siemens, subornou lideranças do PSDB que poderiam ajudá-la a ganhar contratos do Metrô.

Via Diário do Centro da Terra

A Siemens é apenas um dos problemas que assombram o PSDB de São Paulo no capítulo das propinas pagas por empresas estrangeiras para assegurar a conquista de contratos na construção e expansão do Metrô paulista.

Tão dramático quanto o caso Siemens, e tão destruidor em termos de reputações tucanas, é o capítulo da multinacional francesa Alstom, outro colosso da engenharia mundial.

A Alstom fez tudo que a Siemens fez no capítulo das propinas. Na França da Alstom, como na Alemanha da Siemens, era permitido até algum tempo atrás que as empresas pagassem propinas em concorrências no exterior. A Alstom é parte notável do cartel reconhecido agora pela Siemens para ganhar obras do Metrô paulista. (A confissão da Siemens tem objetivos jurídicos: ela é parte de um acordo para evitar problemas maiores para a empresa e seus executivos.)

A Alstom firmou 237 contratos com o governo paulista de 1989 a 2009, no valor total de R$10,6 bilhões. O Ministério Público da Suíça foi quem descobriu o pagamento de propinas da Alstom para funcionários públicos do governo paulista.

O percentual médio da propina, segundo os suíços, era de 8% sobre o valor dos contratos. Tudo somado, chega-se a cerca de R$848 milhões em subornos franceses. Os pagamentos foram realizados para ganhar licitações e prolongar contratos irregularmente, alguns por mais de 20 anos.

Denúncias sobre as propinas da Alstom, como no caso da Siemens, apareceram nos últimos anos, aqui e ali. Mas em geral partiram de fora, e no Brasil foram recebidas com apatia pela imprensa, com inação pela justiça e com desprezo por lideranças do PSDB.

Considere a reação do então governador de São Paulo, José Serra, em maio de 2008, quando o Estadão publicou uma reportagem sobre as propinas da Alstom.

“Não há o que investigar. O Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal já investigam o caso. Já há também uma apuração própria do Metrô”, afirmou ele.

Observemos o Metrô, na gestão Serra, para avaliar sua capacidade de investigar as denúncias de corrupção. O presidente do Metrô era, então, José Fagali. O irmão de Fagali, Jorge Fagali Neto, foi acusado pela justiça suíça de ser o titular de uma conta que chegou a ter US$10 milhões. A justiça suíça quebrou o sigilo da conta por haver chegado à conclusão de que o dinheiro era fruto de propinas.

Não foi a única conta aberta pelos suíços no capítulo da Alstom. Também foi tornada pública uma de Robson Marinho, um dos fundadores do PSDB, em 1988. Marinho se tornou um capítulo particularmente duro para o PSDB: ele foi chefe da Casa Civil do governador Mário Covas, um dos líderes mais cultuados na tribo tucana pela reputação de integridade a toda prova.

O governador Alckmin queixou-se, nestes dias, do “enxovalhamento” da imagem de Covas. No passado, quando surgiram as primeiras denúncias relativas às propinas da Alstom, Alckmin afirmou à Folha: “Toda a responsabilidade do governo Mário Covas é minha também. Isso é uma continuidade, é governo do PSDB. Se é do PSDB, não tem distinção.”

Na entrevista, Alckmin alegou que jamais ouvira falar no assunto. “Eu nunca tinha ouvido falar nisso. Entendo que, se houver um fato concreto, ele deve ser apurado rigorosamente, rigorosamente, somos os mais interessados nisso.”

Mas nada foi feito.

Robson Marinho tem uma trajetória bizarra. Ele era deputado na época da Constituinte de 1988, e pertencia ao chamado “Grupo de Covas” – os deputados mais intimamente ligados a Covas.

Antes, fora prefeito de São José dos Campos. Em 1994 ele coordenou a campanha vitoriosa de Covas para o governo de São Paulo. Foi feito por Covas chefe da Casa Civil, um cargo de considerável prestígio e poder. Na gestão de Covas, a Alstom logo estabeleceria relações com Marinho. Ele assistiu à Copa de 1998 na França numa caravana da alegria patrocinada pela Alstom.

O patrimônio conhecido de Marinho inclui uma ilha em Paraty e um prédio comercial de oito andares em sua São José dos Campos. Foi Covas quem o nomeou, em 1997, para o Tribunal de Contas do Estado, o TCE. Cabe ao TCE fiscalizar os contratos firmados pelo governo de São Paulo para contratação de obras e serviços.

Os sete membros – seis conselheiros e um presidente – são escolhidos política e partidariamente. Em 2000, depois de três anos como conselheiro, Marinho chegou à presidência do TCE para um mandato de 12 meses.

Na posse, prometeu exercer o cargo com “austeridade e absoluta isenção”. Covas chegou a ser questionado por jornalistas sobre a indicação de Marinho, a quem se referia como “velho e jovem conhecido”.

A antiga amizade com quem deveria examinar suas contas não configuraria um conflito de interesses?

“Qual é o problema de ele ser meu amigo?”, respondeu Covas. “A ilação que se quer fazer é que ele é meu amigo e vai me favorecer, não é isso?”

Covas disse que tinha “sete amigos” no tribunal, em alusão aos sete integrantes do TCE. “Quem ocupa cargo no meu governo é gente de caráter”, afirmou.

Na posse, Marinho disse que atuaria com “austeridade que objetiva resguardar a supremacia dos princípios éticos e morais”.

Robson_Marinho01

Raposa cuidando de galinheiro: Robson continua a ser conselheiro do TCE e “fiscalizando” as contas do governo tucano.

Uma reportagem da Folha notou que o Brasil “está sozinho” na impunidade num grupo de 11 países nos quais a Alstom trabalhou à base de subornos.

“Há um certo padrão no tipo de punição imposta aos suspeitos de receber comissões e à Alstom. Eles são presos e a empresa é condenada a pagar uma multa”, escreveu a Folha. Mas uma investigação iniciada em 2008 no Brasil “não produziu efeito algum”, afirmou a Folha.

A base aliada do governo Lula manifestou a intenção de criar uma CPI para apurar o escândalo, mas o projeto não foi adiante.

Serra, então governador de São Paulo, disse a respeito da CPI: “Isso é eleitoralismo, é o kit PT”.

Punição, no caso Alstom, é algo que até aqui ficou limitado ao exterior. A conta de Robson Marinho na Suíça, por exemplo, foi bloqueada depois que foram identificados movimentos para transferir dinheiro dela para os Estados Unidos.

Marinho afirma não saber da conta. E continua no TCE, na tarefa de fiscalizar contas do governo tucano, tarefa na qual recebe R$20 mil por mês.

***

Leia também:

Propinoduto tucano: Os cofres paulista foram lesados em mais de R$425 milhões

Propinoduto em São Paulo: O esquema tucano de corrupção saiu dos trilhos

Após denúncias contra PSDB de São Paulo, site da IstoÉ sofre ataque

Mídia se cala: Tucanos envolvidos em corrupção? Bobagem…

Ranking dos partidos mais corruptos do Brasil

Por que Alckmin é tão blindado pela “grande mídia”?

O feito extraordinário de Alckmin

Conheça a biografia de Geraldo Alckmin

Alckmin torra R$87 milhões em propaganda inútil da Sabesp

Propinoduto tucano: Incêndio criminoso destruiu papéis do Metrô em São Paulo

Luciano Martins Costa: Um escândalo embaixo do tapete

Deputado critica demora do MP para agir contra corrupção no Metrô paulista

Apesar da blindagem da “grande mídia”, o caso da corrupção no Metrô paulista

Superfaturamento de cartel do trem em São Paulo e Brasília teria chegado a R$577 milhões

Adilson Primo, o personagem central para o esclarecimento do propinoduto tucano

Siemens diz que governo de São Paulo deu aval a cartel no Metrô

Propinoduto tucano: Novas provas do esquema estão chegando da Suíça

Propinoduto tucano: O impacto das propinas nas eleições para governador em São Paulo

Ombudsman: Folha errou ao omitir PSDB no caso Siemens

Não existe corrupção sem corruptor

Vídeo: Em 2011, Alckmin foi informado sobre o propinoduto tucano. Em 2013, diz que não sabe de nada

***

Tags: , , ,

2 Respostas to “Alstom: Os tucanos também se encheram os bolsos de propina francesa”

  1. anisioluiz2008 Says:

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

  2. BRAZIL S.A Says:

    […] Alstom: Os tucanos também se encheram os bolsos de propina francesa   +TAG   […]

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: