Espionagem dos EUA: Caso Snowden tem um giro de 180 graus

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Flávio Aguiar, via Carta Maior

O advogado Anatoly Kucherena surpreendeu a mídia com uma declaração à revista Der Spiegel, dizendo que até agora os Estados Unidos não formalizaram um pedido de extradição contra ele, dirigido ao governo de Moscou.

Esta afirmação, com a informação divulgada por ele e por agências russas de notícias, segundo a qual as autoridades da Rússia de imigração concederam ao “whistleblower” documentos provisórios, provocou uma reviravolta de 180 graus no caso.

Até o momento, Edward Snowden estava refugiado na ala de trânsito do aeroporto internacional de Moscou. Mas sua situação equivalia a de estar numa prisão domiciliar, impedido até de sair para fazer compras. Seu pedido de asilo teve de ser apanhado por um funcionário do governo moscovita, porque as leis russas preveem que ele deva ser entregue em mãos: não poderia, por exemplo, ser feito através de uma carta enviada pelo correio.

Em sua entrevista à Spiegel, Kucherena acrescentou que a Embaixada dos Estados Unidos encaminhou por seu intermédio um pedido para ter um encontro direto com o refugiado. Tais atitudes contrastam com a dureza que o governo de Barack Obama tem-se dirigido aos países latino-americanos, ameaçando represálias caso ajudem Snowden. Ou mesmo à sua atitude perante os governos europeus que protagonizaram o papelão subserviente de negarem espaço aéreo ao avião presidencial boliviano, sob a alegação de que estaria transportando secretamente o denunciante.

Por seu turno, o presidente russo Vladimir Putin renovou sua determinação de que, para conseguir asilo permanente na Rússia, Snowden deveria cessar de “prejudicar interesses norte-americanos”, ou seja, teria de suspender suas revelações sobre a espionagem secreta por parte da National Security Agency. Tais “conversações indiretas” entre os dois governos mostram a decisão de não permitir que o “caso Snowden” prejudique as relações entre os dois países, no momento delicado em que EUA e Rússia tentam rearticular alguma forma de política comum em situações como a da Síria e do Egito, depois das diferenças entre ambos que lembraram os tempos da Guerra Fria.

Ao mesmo tempo a NSA escapou por pouco de ter suas liberdades tolhidas por uma resolução votada na Câmara de Deputados de Washington. A moção foi derrotada por uma margem estreita de votos, 217 a 205. Nesta ocasião viu-se algo inusitado: o governo de Obama aliando-se a seu arqui-inimigo John Boehner, o republicano que preside a Câmara, enquanto rebeldes do partido deste (94) aliavam-se a rebeldes democratas (111) para tentarem a aprovação da medida.

Na Alemanha o debate sobre a espionagem continua, com a chanceler Ângela Merkel tendo de dar cada vez mais explicações e com uma margem de manobra cada vez menor, sobre se o governo sabia ou não das atividades da NSA em seu território, e o quê sabia. Os países europeus envolvidos no episódio do avião do presidente Evo Morales pediram desculpas a este pelo impedimento que provocaram.

Este complexo jogo de poderes, que até agora limitava a liberdade de Snowden, virou a seu favor, pelo menos de momento. E ele assim poderá sair do aeroporto e fixar-se em Moscou ou qualquer outra cidade russa. A questão que se colocará dentro de algum tempo é a de se, com os papéis de um asilo definitivo, ele poderá deixar a Rússia em segurança, para deslocar-se a outro país de seu desejo, por exemplo, na América Latina.

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2 Respostas to “Espionagem dos EUA: Caso Snowden tem um giro de 180 graus”

  1. Benevenuto Nadal Says:

    A grande diferença entre o ex-estpião e a blogueirazinha, é que; ele teve que fugir do país para não ser preso, e quiça torturado ou levado a pena de morte, enquanto ela, mais parecia uma “zinha qualquer”, de lambe lambe com políticos desqualificados de outros países, no sentido de denegrir seu próprio país… É de fazer inveja ao Joaquim Silvério dos Reis…

  2. Marcos Pinto Basto Says:

    Os EUA nunca respeitaram a soberania de todas as nações do mundo quer espionando-as, interferindo nos seus assuntos internos, promovendo golpes de estado e invasões de seus territórios no mais puro estilo corsário da idade média. Todos sabem disto! Com exceção da China, Rússia, Iran e Coreia do Norte, não se conhece país que adote medidas para neutralizar as ações de espionagem dos yankees.
    Agora que Edward Snowden, funcionário da NSA, uma das agências de espionagem dos EUA, denuncia os métodos usados em vários países, alguns chefes de estado interpelam o país espião sobre seus atos que não têm qualquer justificação possível, mas nenhum destes estados atingidos pela espionagem dos sobrinhos do tio Sam, concedeu asilo político ao mui nobre delator Edward Snowden que agiu em defesa da inviolabilidade das vidas privadas de seus compatriotas, um direito que consta da constituição dos EUA e por tabela, mostrou ao mundo detalhes técnicos de como tudo acontece!
    Tirando o Equador, Bolívia e Venezuela que de imediato ofereceram asilo político a E.Snowden, todos os outros países comportaram-se com uma “indignação” tão fajuta que nem a do corno manso que apanha a mulher com o Ricardão na própria cama do casal. Todos são espiados, sabem perfeitamente disso, mas não tomaram até agora uma atitude digna! Até Dilma Roussef não passou de muito moderada declaração de “indignação”. Nenhum país tomou uma atitude digna de país soberano!
    França, Portugal, Espanha e Itália baixaram as calças ao ditador EUA que proibiu o avião de Evo Morales de sobrevoar seus espaços aéreos! Vergonhoso comportamento destes países!

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