Eliane Brum: Ser doutor é mais fácil do que se tornar médico

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Eliane Brum em seu blog em 17/3/2013

O Programa Mais Médicos, lançado pela presidente Dilma Rousseff, não vai resolver o problema do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas pode, sim, ser parte da solução. Ou alguém realmente acredita que colocar mais médicos nos lugares carentes do Brasil pode fazer mal para a população? Sério que, de boa-fé, alguém acredita nisso? A veemência dos protestos contra o projeto de ampliar o curso de medicina de seis para oito anos e tornar esses dois últimos anos um trabalho remunerado para o SUS revela muito. Especialmente o quanto é abissal a fratura social no Brasil. E o quanto a parte mais rica é cega para a possibilidade de fazer a sua parte para diminuir uma desigualdade que deveria nos envergonhar todos os dias – e que, no caso da saúde, mata os mais frágeis e os mais pobres.

Para resolver o problema do SUS é preciso assumir, de fato, o compromisso com a saúde pública gratuita e universal. O que significa investir muito mais recursos. Em 2011, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil gastou US$477,00 per capita em saúde. Menos do que vizinhos como Uruguai (US$817,80) e Argentina (US$869,40), por exemplo. E quase seis vezes menos do que o Reino Unido (US$2.747,00), cujo sistema de saúde tem sido apresentado como referência do projeto do governo. Hoje, falta dinheiro e falta gestão eficiente. Sem dinheiro e sem eficiência, duas obviedades, não se constrói um sistema decente. Mas, para investir mais dinheiro no SUS, é preciso tocar também em questões sensíveis, como o financiamento da saúde privada. Falta dinheiro no SUS também – mas não só – porque o Estado tem subsidiado a saúde dos mais ricos via renúncia fiscal.

Um recente estudo do Ipea (leia aqui) mostrou que, em 2011, último ano avaliado, quase R$16 bilhões deixaram de ser arrecadados pelo governo, por dedução no imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas e desoneração fiscal da indústria farmacêutica e de hospitais filantrópicos. O que é, de fato, renúncia fiscal? Um pagamento feito pelo Estado: ele não desembolsa, mas paga, ao deixar de receber. Assim, quase R$16 bilhões, o equivalente a 22,5% do gasto público federal em saúde, deixaram de ser investidos no SUS para serem transferidos para o setor privado, numa espécie de distribuição de renda para o topo da pirâmide. Para ter uma ideia do impacto, é mais do que os R$13 bilhões que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que o governo está investindo em unidades básicas de saúde, pronto-atendimento e hospitais. Não é à toa que, entre 2003 e 2011, o faturamento do mercado dos planos de saúde quase dobrou e o lucro líquido cresceu mais de duas vezes e meia acima da inflação.

O governo tem estimulado a população – e também os empregadores – a investir em saúde privada. Um plano de saúde privado tornou-se uma marca de ascensão social. A “classe C” ou “nova classe média” tem sido vítima de planos de saúde mequetrefes que, na hora de maior necessidade, deixam as pessoas desprotegidas. Como muitos já sentiram na pele, quando a coisa realmente aperta, quando a doença é séria e requer recursos e intervenções de ponta, quem vai resolver não é a rede privada, mas o SUS, porque uma parte significativa dos planos não cobre os exames e tratamentos mais caros.

Para que a solução seja estrutural – e não cosmética – é preciso acabar com as distorções e fortalecer o SUS. Sem dinheiro, o SUS vai sendo sucateado e se torna o destino apenas dos mais pobres e com menos instrumentos para reivindicar seus direitos. Assustada com a precarização do SUS, a classe média se sacrifica para pagar um plano privado, que tem sempre muitas letras miúdas. Os trabalhadores organizados incluem saúde privada na pauta sindical, afastando-se da luta do SUS. Quem tem mais poder de pressão para pressionar o Estado por saúde pública de qualidade, portanto, encontra saídas individuais – que muitas vezes vão se mostrar pífias na hora da urgência – ou saídas coletivas, mas para grupos específicos, no caso dos empregados com planos empresariais.

Enquanto sobrar distorções e faltar dinheiro, o SUS não vai melhorar. Não vai mesmo. Neste sentido, tem razão quem afirma que o Programa Mais Médicos é demagogia. Mas apenas em parte.

Acrescentar dois anos ao curso de medicina e tornar esses dois últimos anos um trabalho remunerado no SUS, uma das mudanças previstas para iniciar em 2015, pode ser um aprendizado. E rico. Não só da prática médica como da realidade do país e da sua população, o que não pode fazer mal a alguém que pretenda ser um bom médico. Para que isso funcione, tanto como formação quanto como atendimento de qualidade à população, é preciso que exista de fato a supervisão dos professores e das faculdades. E essa é uma boa causa para as entidades corporativas e para as escolas de medicina.

Hoje, um dos problemas do SUS é a fragilidade da atenção básica: o que poderia ser resolvido nos postos de saúde ou pelo médico de família e que consiste em cerca de 90% dos casos acaba indo sobrecarregar os hospitais, que deveriam ser acionados apenas para os casos mais graves. A distorção provoca problemas de atendimento de uma ponta a outra do sistema. Por outro lado, entre os avanços mais significativos do SUS está o Programa Saúde da Família (PSF), um dos principais responsáveis, junto com o Bolsa Família, pela redução da mortalidade infantil no país. Mas faltam médicos para esse programa. A atuação dos estudantes de medicina poderá fazer uma enorme diferença. E isso não é pouco num país em que os filhos dos pobres ainda morrem de diarreia e de doenças já erradicadas nos países desenvolvidos.

A obrigatoriedade de trabalhar dois anos no SUS tem sido considerada por alguns setores, como as entidades corporativas, uma violação dos direitos individuais do estudante de medicina. Será que não poderia ser vista, além de um aprendizado, também como uma contrapartida, especialmente para quem estudou em universidades públicas ou foi beneficiado com bolsas do Prouni? O Estado, o que equivale a dizer toda a população brasileira, incluindo os que hoje não têm acesso à saúde pela precariedade do SUS, financia os estudos desses estudantes. Não seria lógico e mesmo ético que, ao final do curso, os estudantes devolvessem uma mínima parte desse investimento à sociedade? Para os estudantes das escolas privadas, o projeto prevê a liberação do pagamento das mensalidades nestes dois últimos anos. Mas sempre vale a pena lembrar que também há financiamento público das particulares, na forma de uma série de mecanismos, como renúncia fiscal para as filantrópicas e para as que aderiram ao Prouni.

Os estudantes de medicina serão remunerados pelo trabalho e pelo aprendizado. O valor mensal da bolsa ainda não está definido, mas a imprensa divulgou que será algo entre R$3 mil e R$8 mil. Ainda que seja o menor valor, que outra categoria no Brasil pode sonhar em ganhar isso antes mesmo de se formar? E mesmo depois de formado? Por que, então, uma resistência tão grande?

Por causa do abismo. A maioria dos estudantes de medicina vem das classes mais abastadas, como mostrou a Folha de S. Paulo de 13/7: na Unesp (Universidade Estadual Paulista), apenas 2% cursaram colégio público, contra 40% no geral; na USP (Universidade de São Paulo), 20% dos estudantes têm renda familiar superior a R$20 mil, não há negros na turma que ingressou em 2013. Historicamente, a elite brasileira não se vê como parte da construção de um país mais igualitário. Pelos motivos óbvios – e porque está acostumada a receber, não a dar. Assim, ter seus estudos financiados pelo conjunto da população brasileira é interpretado como parte dos seus direitos – não como algo que pressupõe também um dever ou uma contrapartida. Dever e contrapartida, como se sabe, são para os outros.

Não fosse esse olhar sobre si e sobre seu lugar no país, seria plausível que trabalhar os dois últimos anos do curso no SUS pudesse ser uma boa notícia para quem escolheu ser médico. Fosse até desejável. Primeiro, porque está ajudando a levar saúde a uma população que não tem. E, neste sentido, pode fazer a diferença, algumas vezes entre viver e morrer. Segundo, por participar da construção de um país mais justo, o que implica deveres ainda maiores a quem recebeu mais. Receber mais – melhores escolas, melhor saúde, melhores oportunidades – não significa que tenha de continuar recebendo mais, mas que precisa dar mais, já que a responsabilidade com quem recebeu menos se torna ainda maior. Terceiro, porque é inestimável a oportunidade de conhecer as dores, as necessidades e as aspirações das porções mais carentes do Brasil, não só pelo aprendizado médico em si, mas pelo que essa população pode ensinar sobre um outro viver.

Tornar-se médico – e não apenas um técnico em medicina – não passa pela capacidade de escutar o outro como alguém que tem algo a dizer não apenas sobre seus sintomas, mas sobre uma visão de mundo singular e uma interpretação complexa da vida?

Ao ler a maioria das críticas sobre o programa, o que chama a atenção é a impossibilidade de seus autores se verem como parte da construção de um SUS mais forte e eficiente, o que significa ser parte da construção de um Brasil melhor para todos – e não só para uma minoria. No geral, o que se revela nitidamente é um olhar de fora, como se tudo tivesse que estar pronto, em perfeitas condições, para que só então o médico atuasse. Mas é no embate cotidiano, no reconhecimento das carências e na pressão por mudanças que o SUS será fortalecido, como tem mostrado em sua prática uma parcela dos médicos tachada – às vezes pejorativamente – como idealista. Nesse sentido, também os estudantes de medicina e seus professores farão uma enorme diferença ao estar no palco onde esse embate é travado. Ao estar presentes – promovendo saúde, denunciando distorções e pressionando por qualidade – mais do que hoje.

Acredito que a vida da maioria só muda quando os Brasis se aproximam e se misturam. Tenho esperança de que esse programa – se bem executado, o que só pode acontecer com a adesão e o compromisso de todos os envolvidos – possa ser inscrito nesse gesto. O conjunto de medidas do “Mais médicos”, que inclui também a atuação de profissionais estrangeiros em áreas carentes, já promoveu pelo menos um impacto positivo: colocou o SUS no centro da pauta nacional. Seria tão importante que os protagonistas desse debate superassem a polarização inicial entre governo e entidades médicas para fazer uma discussão séria, com a participação da população, que pudesse resultar no acesso real da maioria a um sistema de saúde com qualidade. E seria uma pena que essa oportunidade fosse perdida por interesses imediatos e menos nobres, tanto de um lado quanto de outro.

É grande o debate sobre se faltam profissionais ou se eles estão mal distribuídos. O que me parece é que não faltam doutores no Brasil – o que falta são médicos. São muitos os doutores que ainda nem sequer se formaram, mas já assumiram o título e o encarnam num sentido profundo. O SUS terá mais chance quando existirem menos doutores e mais médicos trilhando o mapa do Brasil.

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11 Respostas to “Eliane Brum: Ser doutor é mais fácil do que se tornar médico”

  1. Mônica F. Lima Says:

    A maioria da populaçao desconhece que durante dois anos do curso o acadêmido de medicina já presta atendimento gratuito â populaçao carente. E que numa sociedade livre o médico tem o direito de trabalhar onde quiser, como qualquer outro profissional. Cabe ao governo solucionar a deficiência da saúde pública criando uma carreira de médico do estado para aqueles que assim o quiserem.
    Mônica

  2. Manuel Lopes Says:

    Muito interessante o ponto de vista do texto e também os comentários. Cada um defende o seu ponto de vista sem aprofundamento maior nas questões realmente importantes. Para se implantar um sistema complexo como este em primeiro plano ele deve: Ser discutido até a exaustão com todos os setores envolvidos. 2) Caso haja mudanças em qualquer setor ele deve ser firmado em contrato. Ex: Bolsas e cursos. Todos os deveres, obrigações e direitos devem ser claros nos contratos iniciais. Qualquer coisa quando é enfiada goela abaixo deixa sequelas e dificultam a absorção. 3) As universidades públicas poderiam abraçar essas causas, visto que sobrevivem do dinheiro público. 4) Por que só os médicos? O Brasil distante tem carência de profissionais de todas as áreas. 5) Quem custeou uma faculdade de medicina particular por seis anos não quer passar mais um ou dois anos em locais até certamente inóspitos recebendo as migalhas do SUS e ainda trabalhar sem as mínimas condições. 6) Pensar que vai aprender é loucura. Na maior cidade do país as formas de atendimento pelo SUS muitas vezes não atende as mínimas condições que o sistema internacional exige.
    Um governo pra conseguir o engajamento da população e o sacrifício deve antes de tudo ter um mínimo de credibilidade e neste momento sinceramente isto não acontece…

  3. Roberto Says:

    Texto parcial e preconceituoso. Com a velha tática de jogar uns contra os outros,a população contra os médicos. Muitos estudantes de Medicina são pobres, vem de famílias com dificuldade e batalham muito para se formar, não tem “dívida social” nenhuma. Há mais de uma década as entidades ditas corporativas médicas cobram uma carreira médica nacional, comoocorrecom a magistratura, para fixar médicos no interior,sem levar calotes deprefituras ou sanções por denunciar aspéssimas condições de trabalho! E o que o desgoverno petista faz? Depois de 12 anos importa escravos cubanos,falsos médicos e agora quer sim, obrigar, recém formados ou internos a “trabalhar” no SUS, em condições precárias e recebendo este valor “maravilhoso”, que duvido venha a ser pago. A Medicina demanda mais de 10 anos de formação em tempo integral, fora provas de títulos, mestrados, livros caríssimos, congressos caríssimos, altíssima responsabilidade jurídica e trabalho mais complexo, e precisa sim, ter liberdade de escolha, remuneração diferenciada, unidades equipadas e educação continuada. O resto é demagogia e panfletagem populista. Lamentável!

  4. Luiz Fernando Gallego Soares Says:

    esse ponto eu tenho questões e discordâncias sérias: quando eu era estudante de Medicina aqui no Rio de Janeiro, uma das fases mais importantes do curso não vinha das Faculdades: era o concurso para os Hospitais públicos que na época recebiam estudantes do 5º e do 6º ano para plantões de emergência. Os mais ambicionados eram o Souza Aguiar, o Miguel Couto e o Getúlio Vargas. Por que? porque tinham equipe de médicos seniores TRABALHANDO em várias especialidades, nos casos desses hospitais em quase todas. Havia mais equipamento e medicamentos. Aprendia-se MEDICINA, havia salário compatível e lidava-se com o povão menos assistido . E se a gente sofresse um acidente de carro queria ir para esses hospitais porque lá os médicos eram treinados em emergência.
    Isso acabou: os médicos ganham merreca, trabalham demais, sem boas condições e desmotivados, nesses e em outros hospitais públicos. Isso que existia ainda durante o curso Médico a-ca-bou. Colocar os estudantes ou jovens médicos no SUS do jeito que está é para de-sa-pren-der a boa Medicina com “M” maiúsculo. Vira demagogia, não serve bem ao médico nem aos seus futuros pacientes: após os seis anos de curso básico o médico vai tentar uma residência em alguma especialidade (que pode ser generalista como Clínica Médica) e com boas notas e bons resultados em provas conseguirá os melhores lugares onde ainda se aprende alguma coisa.
    Acho essa proposta de aumentar o tempo de formação do médico no SUS demagógica e ineficiente. Em vez de melhorar de fato a infra-estrutura dos centros médicos (hospitais, ambulatórios, etc) e dar boas condições de trabalho aos profissionais vão usar mão de obra barata mais uma vez. Como acho assim do “mais médicos” : pobre do interiorzão que tiver algo mais sério que dor de barriga ou parto normal terá que vir para os “grandes centros” como o Rio que está sucateado na assistência médica e não dá conta da demanda absurdamente alta. (nem vou discutir o gasto de dez milk reais com cada mais médico cubano que só recebe 2.500 e o resto vai para o país de origem, evasão de divisas ilegal). É tapa-buraco, não vai mudar para nada de bom na formação profissional do médico nem muito menos para a população mal assistida. O buraco é mais embaixo, na falta de infraestrutura de atendimento. É minha opinião e da maioria dos colegas sérios que conheço e que ainda trabalham ou trabalharam até pouco tempo em hospitais públicos, cada vez mais desmotivados.
    Luiz Fernando Guedes Gallego Soares, médico aposentado do Hospital de Bonsucesso, formado em 1973, funcionário por concurso ocorrido em 1976.

  5. André Paixão Says:

    Não concordo se a pessoa estudou em faculdade particular bancando os seus gastos. Conheço vários assim. E não eram “ricos” não. Tiveram sim apoio financeiro dos pais para poderem estudar. Agora, se estudou em faculdade pública ou com benefícios de programas governamentais para estudar em faculdade privada, tem mais é que fazer isso mesmo.

  6. Flanklin Stem Santos da Silva Says:

    SALÁRIO DIGNO PARA TODOS
    A verdade é que deveria ter respeito e valorização dos nossos profissionais, salário digno é assim:
    Graduado… Dr. Médico – 100%
    Graduado… Dr. Enfermeiro – 70% do Dr. Médico
    Graduado… Outros Doutores da saúde 70% do Dr. Enfermeiro

    Nível Médio – Técnico de Enfermagem ou outros da saúde – 50% dos outros Doutores da saúde
    Ensino fundamental – Auxiliar de Enfermagem ou outros da saúde – 70% do Técnico de Enfermagem ou outros da saúde.

    30 HORAS JÁ: ENFERMAGEM E TODOS – ÁREA DE SAÚDE

    … xxx … xxx … xxx … XXX … xxx … xxx … xxx …

    Os 10 MANDAMENTOS DOS DOUTORES: MÉDICOS E ENFERMEIROS

    1 – Se você não sabe o que tem, dá VOLTAREN;

    2 – Se você não entende o que viu, dá BENZETACIL;

    3 – Apertou a barriga e fez ‘ahhnnn’, dá BUSCOPAN;

    4 – Caiu e passou mal, dá GARDENAL;

    5 – Tá com uma dor bem grandona? Dá DIPIRONA;

    6 – Se você não sabe o que é bom, dá DECADRON;

    7 – Vomitou tudo o que ingeriu, dá PLASIL;

    8 – Se a pressão subiu, dá CAPTOPRIL;

    9 – Se a pressão deu mais uma grande subida, dá FUROSEMIDA!

    10 – Chegou morrendo de choro, ponha no SORO.

    …e mais…

    Arritmia doidona dá AMIODARONA…

    Pelo não, pelo sim, dá ROCEFIN.

    …e SE NADA DER CERTO, NÃO TEM NEUROSE…
    …DIGA QUE:

    É SÓ ESSA NOVA VIROSE!!!

    Parece brincadeira, mas… É verdade!

    (Recebido por e-mail – Autor Desconhecido)

  7. Jésus Araujo Says:

    Realmente, é um desaforo que médicos formados em faculdades públicas ou financiados com planos públicos, isto é, financiados pelo seu, pelo meu dinheiro, não se sintam devedores à sociedade e tenham, desde o início do exercício da medicina, a única preocupação de se enriquecer. Em minha avaliação, isto significa falta de consciência (social e moral). Cronin, em Pela Vida de um Médico, narra suas aventuras nos dois anos em que ficou por conta do governo inglês após formado. Este problema era para ser resolvido há muitos anos, mas a sociedade brasileira sempre se recusa a discuti-lo.

  8. Francisco Ramos Says:

    Parte da resistência das entidades médicas ao programa de interio
    rização da saúde, decorre de posição partidária de nossas queridas entidades médicas.. Parte, da origem social da maioria dos médicos. O STF, e o fez muito bem, já derrubou a primeira limi
    nar dos revoltosos. E o governo deve ser duro na implementação
    do programa, negociando se preciso.

  9. Maria Thereza Says:

    não vi esse pessoal marchadeiro reclamar quando tiraram 40 bi/ano, com a queda da cpmf. Ah! puderam prosseguir com a sonegação, sem risco de serem flagrados…

  10. Maria Thereza Says:

    Contratar mais profissionais de saúde implica, obrigatoriamente, em mais “gastos” do Estado. Já estou imaginando a gritaria geral dos que querem mais profissionais, mas sem “gastar” nem “inchar” o Estado. Só querem mesmo é fazer confusão, esses movimentadeiros. Resolver não é com eles. E virão marchas de papais e mamães preocupados com seus pimpolhos, trabalhando muito além do jardim.

  11. SUSCETÍVEL FEBRIL Says:

    […] Eliane Brum: Ser doutor é mais fácil do que se tornar médico […]

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