Dia Nacional de Lutas: Trabalhadores ocupam as ruas com atos em todo o País

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Paralisações, fechamento de estradas e outras mobilizações são realizados em todos os estados do País.

Nicolau Soares e Sarah Fernandes, via Rede Brasil Atual

Trabalhadores e movimentos sociais tomam as ruas em todo o país no Dia Nacional de Lutas. Paralisações, fechamento de estradas e outras mobilizações são realizadas em todos os estados e no Distrito Federal.

Em São Paulo, trabalhadores iniciaram as manifestações com interdição de rodovias e Avenidas na cidade. Há manifestações ocupando as rodovias Anhanguera, Castello Branco, Raposo Tavares, Fernão Dias, Dutra, Mogi-Bertioga e a Cônego Domênico Rangoni, na altura de Guarujá.

Na capital, as agências bancárias na Avenida Paulista estão fechadas na manhã de quinta-feira, dia 11, para o ato organizado pelas centrais sindicais. Um grupo de metalúrgicos filiados à Força Sindical fez uma passeata na pista da Marginal Pinheiros, em Santo Amaro, na altura da ponte Transamérica. Uma passeata também ocupa a Avenida Radial Leste.

Cerca de 600 motoboys, segundo a Polícia Militar, fazem neste momento um protesto pelas ruas de São Paulo. Os manifestantes saíram em comboio, por volta das 10 horas, da zona sul e seguem para a Avenida Paulista, para participar do ato.

Na Rua 25 de Março, principal polo de comércio popular da capital paulista, cerca de mil pessoas participaram de uma manifestação organizada pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo, segundo a Polícia Militar. Os manifestantes também se dirigem para a Avenida Paulista.

“Protestamos hoje para levar sobretudo ao Congresso as pautas dos trabalhadores, paradas há anos: fim do fator previdenciário, não à precarização das condições de trabalho, saúde e educação públicas de qualidade, mobilidade urbana etc.”, afirmou na manhã de quinta-feira, dia 11, Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, à Rádio Brasil Atual.

Os metalúrgicos estão mobilizados também no ABC paulista. Em São Bernardo, as concentrações foram nas fábricas da Ford, Mercedez-Benz, Proema, Arteb, Sachs, Proxyon, Sogefi e Toyota. Os trabalhadores fizeram uma passeata e tomaram parte da Via Anchieta. A Avenida Goiás, em São Caetano, também foi fechada pelos trabalhadores da General Motors.

As marchas desta quinta-feira foram agendadas na esteira das manifestações de junho pelas centrais sindicais e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que esperam sistematizar as reivindicações dos trabalhadores e garantir que se aproveite o momento de trabalhos acelerados no Executivo e no Legislativo para retomar antigas bandeiras e introduzir novas propostas.

“Nosso Dia Nacional de Luta é um grande grito de alerta para o governo federal, mas principalmente para o Congresso de que nossas demandas, as pautas da classe trabalhadora não foram atendidas, estão lá paradas. Queremos que elas sejam debatidas e votadas”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas. “Sabemos que nem tudo cabe à presidenta, mas ela é o instrumento pelo qual o Congresso atenderá nossas reivindicações, por meio da base aliada do governo.”

A pauta comum das entidades sindicais inclui a rejeição do Projeto de Lei 4.330, de 2004, que amplia a terceirização de atividades, o fim do fator previdenciário, a destinação de 10% do PIB para educação e de 10% do Orçamento da União para a saúde. As reivindicações são também de garantia de um transporte público de qualidade, de valorização das aposentadorias, de realização da reforma agrária e de suspensão dos leilões de blocos do pré-sal.

“Esse movimento só é possível porque foi criada uma pauta única. Temos uma pauta e temos um projeto”, ressaltou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna. “Estamos aqui para trabalhar essa ideia, lutar pelos direitos dos trabalhadores. Fator, terceirização, reforma agrária, e unificar o movimento social e sindical.”

Sul

Os ônibus dos municípios gaúchos de Porto Alegre, Viamão, Cachoeirinha, Gravataí, e Alvorada não circulam durante a manhã. O acesso à Rodoviária de Porto Alegre, capital do estado, também está bloqueado. As agências bancárias e os Correios não estão funcionando, assim como a maior parte das escolas do município. Militantes do MST ocuparam os pedágios de Carazinho (BR-386) e Viamão (ERS-040) e ergueram as cancelas.

A passagem nos pedágios também foi liberada em pelo menos 14 praças do Paraná, devido a um protesto dos trabalhadores rurais do estado. Desde o começo da manhã, ruas e rodovias de Curitiba, capital paranaense, estão bloqueadas. O Hospital de Clínicas (HC) funciona parcialmente e a maioria das aulas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi cancelada. O transporte coletivo pode ser interrompido das 15 às 19 horas, dependendo de uma assembleia marcada para o começo da tarde.

Em Florianópolis (SC), servidores públicos municipais se reúnem na Praça Tancredo Neves, no centro da capital catarinense, para uma série de atividades, que incluem palestras e assembleias. Antes disso, eles ocuparam uma das pistas da Ponte Pedro Ivo Campos. Diversos serviços serão total ou parcialmente interrompidos, como as aulas nas escolas municipais e estaduais e o atendimento em hospitais, postos de saúde e bancos. Na região serrana, 500 militantes do MST bloquearam a BR-116, no município de Correia Pinto.

Sudeste

No Rio de Janeiro, seis centrais sindicais e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) organizaram uma manifestação, às 15 horas, que seguiu da Avenida Rio Branco até a Cinelândia, no centro da capital fluminense. Várias categorias anunciaram paralisações nos serviços, dentre elas os professores municipais e estaduais e trabalhadores dos Correios, que fecharam o Centro de Operações Postais, na zona norte. Os caminhões de entregas não estão circulando.

Na capital mineira, o metrô e os trens estão parados, além de três estações de ônibus (Venda Nova, Barreiro e Diamantes). No município de São João Del Rei, metalúrgicos, comerciários, rodoviários e funcionários da Universidade Federal aderiram ao movimento. Em Mariana, os manifestantes bloquearam o trânsito no centro da cidade e fecharam a rodovia MGC-129. O trânsito também foi bloqueado em Contagem.

Na rodoviária de Vitória (ES), os ônibus estão parados, assim como os trens de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Os taxistas também aderiram ao movimento. Os hospitais só atendem casos de urgência e emergência. Um grupo de manifestantes se concentra na Universidade Federal do Espírito Santo e vai seguir, em passeata, até a Assembleia Legislativa, que está ocupada desde o último dia 2. Em Vila Velha, a Polícia Militar bloqueia a passagem de veículos na Terceira Ponte, onde um grupo de manifestantes se reúne. Eles marcharão até Vitória.

Centro-Oeste

No Distrito Federal, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou a sede nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para exigir a retomada da reforma agrária. Para o MST, é preciso assentar 150 mil famílias acampadas, com a concessão de novos créditos.

Em Goiânia, 40 sindicatos participam do Dia Nacional de Luta. Cerca de mil pessoas, estão reunidas na Praça do Bandeirante, no centro. A Avenida Goiás, principal da cidade, foi ocupada por manifestantes. Um grupo de 200 pessoas ocupou a sede da reitoria da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis.

Em Palmas (TO), manifestantes fecharam a rodovia TO-050, que já foi liberada, e a Avenida Theotônio Segurado, no centro.

Manifestantes bloquearam trechos de duas rodovias federais que cortam Mato Grosso: as BRs 364 e 163. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do estado, seis entidades de classe apoiam o movimento. Houve paralisação dos bancários, dos servidores federais e dos professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Trabalhadores rurais, a maioria assentados da reforma agrária, também participam dos protestos.

Cerca de 12 mil pessoas estão concentradas na praça do Rádio, em Campo Grande (MS), para participarem de um ato unificado, segundo a Polícia Militar. Participam militantes da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Mato Grosso do Sul (Fetagri) e do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e do Mobiliário de Campo Grande (Sintracom), além de agentes da Companhia Independente de Policiamento de Trânsito da Capital (Ciptran), Agência Municipal de Trânsito (Agetran) e de agricultores ligados ao MST.

Nordeste

Em Recife (PE), os protestos do Dia Nacional de Lutas se concentraram no complexo industrial portuário de Suape, sendo que algumas vias federais foram ocupadas por manifestantes. A BR-232 está bloqueada no km 143 em frente a um assentamento do MST. Outras vias, como a BR-116, BR-428, BR-194 e BR-101, também estão ocupadas em alguns trechos.

Os ônibus circulam normalmente em Salvador (BA), porém diversas agências bancárias estão fechadas na cidade. A BR-324, principal rodovia entre capital e interior, foi bloqueada, assim como a Via Parafuso, que dá acesso ao Polo Petroquímico de Camaçari. Um grupo de manifestantes protestou perto de Feira de Santana. Os manifestantes estão se concentrando na Avenida Sete, no centro, onde ocorreu um ato às 11 horas.

Os protestos ganharam força em Fortaleza, no Ceará, onde motoristas e cobradores bloquearam entradas e saídas de terminais de ônibus e manifestantes ocuparam Avenidas de grande fluxo da cidade. Operários da construção civil, servidores públicos e funcionários de indústrias de castanhas também aderiram à paralisação.

Norte

Em Manaus, 60% da frota de ônibus está parada. Participam também do Dia Nacional de Lutas categorias profissionais filiadas a centrais sindicais, movimentos sociais e estudantis, entre eles o Movimento Passe Livre (MPL), União Brasileira de Mulheres (UBM), União de Negros pela Igualdade (Unegro) e União Nacional dos Estudantes (UNE). Professores, estudantes e técnicos-administrativos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) bloquearam a entrada da instituição.

Grande parte das agências bancárias de Belém (PA) não está funcionando. Membros de sindicatos e movimentos sociais se concentram na frente do Palácio Antônio Lemos, sede da prefeitura, para um ato unificado. Uma comissão de 20 representantes espera ser atendida pelo governador do estado, Simão Jatene (PSDB). Mais cedo, um grupo de manifestantes ligados ao MST ocupou a rodovias estaduais PA 275, PA 124 e PA 151.

Em Rondônia, 200 pessoas de diversos sindicatos estão aglomerados na Avenida Jorge Teixeira, em Porto Velho, para iniciar uma caminhada em direção do palácio do governo, de acordo com a PM.

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Simbolicamente, os manifestantes renomearam a ponte Octavio Frias de Oliveira para Jornalista Vladimir Herzog, morto e torturado pela ditadura militar.

Dia Nacional de Lutas termina com protesto em frente à Rede Globo

Mailliw Serafim, via Carta Maior

Cerca de 3 mil pessoas se reuniram quinta-feira, dia 11, na sede da Rede Globo em São Paulo, pelo fim dos monopólios de mídia e por uma mídia mais democrática e transparente. O protesto ocorreu em outras cidades e encerrou o Dia Nacional de Lutas, convocado pelas centrais sindicais.

Os manifestantes começaram a se reunir por volta das 17 horas na Praça General Gentil Falcão. A dificuldade de locomoção para a região atrasou o início do ato. Por volta das 19 horas, com o fim das manifestações na Avenida Paulista, a manifestação ganhou corpo e partiu em passeata em direção à sede da Rede Globo.

Os manifestantes denunciavam o cenário de quase monopólio da mídia brasileira. Na tevê aberta, a Globo controla 73% das verbas publicitárias, embora tenha 43% da audiência. A Globosat participa de 38 canais de tevê por assinatura e tem poder de veto na definição dos canais da NET e da SKY, que juntas controlam 80% do mercado. “A população está cada vez mais consciente de que a mídia brasileira é controlada por poucos que usam a informação por interesse próprio. As ruas percebem que a democratização da mídia é necessária para que exista, de fato, uma democracia” disse Ana Flávia Marques, integrante do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes denunciaram o uso privado desse monopólio da informação por parte da Globo como suporte a interesses políticos contrários aos interesses da população. “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”, cantavam os manifestantes, que durante todo o percurso destacavam a manipulação da informação e a corrupção da rede globo. “Globo mente”, “Globo sonega” gritavam. A ação que mais causou comoção entre os manifestantes pelo seu forte conteúdo simbólico foi a renomeação da ponte Octavio Frias de Oliveira para Vladimir Herzog, jornalista morto e torturado pela ditadura militar.

Constrangida após seus estúdios terem sido invadidos por um laser dos manifestantes durante a transmissão do SPTV, a Globo noticiou o protesto como um grupo de cerca de 400 pessoas que protestavam naquele momento. Nitidamente, o protesto era maior.

Com forte presença de bandeiras de partidos, não se escutou o repúdio a partido e vozes despolitizantes, como observado nas manifestações ocorridas no final do mês passado. “É fundamental a presença dos partidos políticos e dos movimentos sociais nos protestos, a mídia criminaliza estes como forma de esvaziá-los politicamente. A reforma da mídia é fundamental”, comentou a estudante Cindy Ishida.

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