Haddad cancela licitação bilionária dos ônibus de São Paulo

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Haddad cancela licitação bilionária de empresas de ônibus para São Paulo.

Leonardo Medeiros, via Envolverde

Depois de suspender o aumento das tarifas de ônibus na cidade de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) tomou outra medida na direção de um sistema de transporte público mais acessível, eficiente e sustentável.

Na quinta-feira, dia 27, a prefeitura paulistana suspendeu a licitação do novo sistema de transportes na cidade. Com um valor estimado de R$46,3 bilhões, o mais alto que São Paulo já teve, os novos contratos teriam validade de 15 anos. Haddad, agora, quer ouvir as propostas da população antes de assumir esse compromisso.

Também anunciou que pretende atingir a meta de 220 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus na cidade até 2013, contra os 150 quilômetros prometidos anteriormente para 2016.

A última medida anunciada foi a reativação de um Conselho Municipal de Transporte, criado em 1967, mas que não funciona há sete anos. Um novo grupo será formado por membros da sociedade civil, incluindo empresários de ônibus, usuários, Ministério Público e ONGs.

As iniciativas são promissoras, mas é claro que a complexidade do problema de mobilidade urbana em uma cidade que, por décadas, priorizou o automóvel exige soluções integradas de curto, médio e longo prazos. São Paulo precisa ter muito claro quais são os rumos a seguir e isso só será resolvido por um documento que oriente a evolução do transporte e da mobilidade.

Isso tem nome. E prazo para ser concluído. Todas as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes precisam aprovar um Plano de Mobilidade Urbana até 2015. O prazo é curto frente ao desafio. Enquanto isso, antes das manifestações, a Secretaria de Transportes Municipal de São Paulo indicou que começaria os trabalhos de formulação apenas no ano que vem. Quem sabe agora a prefeitura entende que não dá para empurrar a discussão com a barriga.

Um sistema público de transporte eficiente e sustentável significa também reduzir as emissões de gases-estufa de uma das maiores cidades do mundo. Para se ter uma ideia, dados de 2006 mostram que os automóveis representavam 39% das emissões nacionais de CO2 equivalentes do setor de transportes. Já os ônibus contribuíam com 7% das emissões.

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Haddad convoca a população para democratizar a gestão da cidade

Via Carta Maior

“O momento exige a participação da sociedade. Vou instalar o Conselho de Transporte Público, com a participação dos usuários, dos movimentos sociais, do Ministério Público, junto com os empresários e o governo, para abrir as planilhas para que as pessoas tenham consciência dos custos”, disse o prefeito Fernando Haddad, na manhã de quinta-feira, dia 27, depois de suspender a megalicitação de linhas de ônibus.

O sinal emitido pelo prefeito é auspicioso se significar o primeiro passo de uma ampla oxigenação democrática das instâncias de planejamento e decisão da cidade. A presidenta Dilma deu o exemplo na segunda-feira, dia 24. Rompeu o cerco conservador com a decisão de promover um aggiornamento da democracia brasileira, em sintonia com os anseios sinceros da rua por mais participação e menor influência do dinheiro grosso no sistema político. O plebiscito por ela sugerido, com ou sem Constituinte, transfere à soberania popular o comando das mudanças do ciclo que se inicia.

Cumpre às administrações locais avançarem nessa direção criando contrapartidas de ampliação da democracia ali onde se define a vida cotidiana, na gestão das cidades. A sorte de prefeitos e gestões progressistas depende desse desassombro. Trata-se de abrir canais de escuta forte da cidadania. Não canais ornamentais, mas instrumentos relevantes e críveis de poder sobre o orçamento.

O PT tem experiências a resgatar. A disseminação da tecnologia permite, hoje, mais que ontem, submeter a gestão da cidade à soberania dos cidadãos. A presidenta Dilma respondeu com perspicácia histórica ao clamor das ruas. Disparou na direção certa. A questão que aglutina a fragmentação das bandeiras desordenadas do nosso tempo é o poder.

Todo o processo de globalização e financeirização apoia-se na captura da soberania popular pelo dinheiro grosso. Governos se emasculam. O voto se desmoraliza. Os partidos se descarnam. A existência se acinzenta. A lógica do negócio imobiliário se apodera das cidades. A mídia conservadora é a torre de vigia desse sequestro, que esfarela o poder da sociedade sobre ela mesma.

O prefeito Haddad saiu da defensiva ao afrontar essa lógica em São Paulo. Se for o preâmbulo de uma diretriz geral, pode significar um marco refundador de sua administração.

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Uma resposta to “Haddad cancela licitação bilionária dos ônibus de São Paulo”

  1. anisioluiz2008 Says:

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

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