O Cremesp e os médicos cubanos

Cuba_Medicos08

Cuba exporta médicos, enquanto outros exportam não soldados.

Depois de o governo federal anunciar que pretende trazer 6 mil médicos cubanos e de outros países para trabalhar em regiões carentes do Brasil, o debate sobre o tema ficou acirrado. Os conselhos regionais de medicina e outras entidades do setor se revoltaram com a notícia. O ministro da Saúde Alexandre Padilha afirmou que todos os médicos estrangeiros passarão por uma avaliação. Porém, reparem o que acontece no Exame do Cremesp. O conselho paulista é o único no País que faz esse tipo de prova, mas só com essa amostra já é possível ter noção da realidade brasileira.

Dica de Marcus V. Simioni

“Na 8ª edição do Exame do Cremesp – e primeira vez em que a participação na prova é obrigatória para a obtenção do registro profissional –, 54,5% dos 2.411 recém-formados em Medicina no Estado de São Paulo foram considerados reprovados. Eles acertaram menos que 60% das 120 questões propostas, ou seja, abaixo de 71 respostas corretas. O exame, realizado no dia 11 de novembro [de 2012], contou com a presença de 2.525 egressos das 28 escolas médicas paulistas que funcionam há mais de seis anos. Desses, 114 tiveram suas provas invalidadas. Os resultados foram divulgados durante coletiva de imprensa, em 6 de dezembro [de 2012].

No total, 2.943 recém-formados se inscreveram no Exame do Cremesp. Desses, 71 (2,5%) não compareceram e apresentaram justificativa posteriormente. Dos 2.872 presentes, 119 (4,2%) tiveram suas provas invalidadas (114 de São Paulo e cinco de outros estados) – sendo que 86 boicotaram o exame, assinalando letra “b” em todas as questões, e 33 apresentaram provas com outros padrões de respostas inconsistentes.

Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho, declarou que 80% dos boicotes foram de alunos de escolas públicas.”

O texto acima foi publicado no site do Cremesp.

***

Não há nada que pareça indicar que o desempenho dos médicos brasileiros seria muito melhor (como estes defendem) ou que seria sequer igual ao dos médicos revalidados, já que a diferença nas notas de corte arbitradas dentre as provas é brutal.

O Cremesp, único conselho regional que exige exame para quem quer obter um registro, tem reprovação de 54,5% com uma nota de corte arbitrária de 60% de acertos. O Revalida, que tem nota de corte arbitrária de 70% de acertos, tem reprovação de 92%. Embora a diferença seja grande, é totalmente plausível dizer que a diferença entre as reprovações de ambas as provas, de 92% e 54,5%, pode estar nas diferenças das notas de corte, ou seja, é totalmente possível que 37,5% dos candidatos do Cremesp tenham acertado entre 60% e 70% da prova.

No entanto, com os dados disponíveis não é possível dizer se esta afirmação é verdadeira, porque os desvios-padrões das provas não foram divulgados. Ressalta-se, porém, que na prova do Cremesp a média de número de acertos foi baixa, até em disciplinas básicas para a medicina como clínica média (média de 53,1% acertos), saúde pública (46,1%) e saúde mental (41%).

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3 Respostas to “O Cremesp e os médicos cubanos”

  1. Alexsandro Says:

    Pelo menos os cubanos da Espanha tiveram a oportunidade de tentar alguma coisa. Se não deu certo, estão arcando com as consequências. E os que estão prisioneiros na sacra ilha ? Se fosse tão bom Fidel e cia. ,que adoram um uniforme da Adidas, não os manteriam em cativeiro. Quer provar se a sacra ilha é mesmo o paraíso ? Deem aos cubanos a liberdade de sair de lá, se assim quiserem. Depois a gente vê quem volta e quem não volta!

  2. Marcos Pinto Basto Says:

    Corporativismo, falta de senso crítico e boa dose de charlatanismo. Para acabar de vez com essa polêmica levantada pelos figurões do CFM, uma simples pesquisa de opinião da população pobre do Brasil que são a maioria. Esta parcela da população brasileira que sabe como é atendida no SUS e na grande maioria dos convênios baratinhos que existem por aí, verdadeiras arapucas para extorquir os desavisados, é que pode opinar sobre os médicos brasileiros. Lógico que existem exceções, são muito poucas e respeitam seus pacientes.
    Para ser médico, é necessário ter amor ao próximo!

  3. Clovis Pacheco f. Says:

    Corporativismo é o que não falta, nesse caso. Mas nada é feito por nenhuma instância para, efetivamente, dotar de médicos os lugares carentes do território nacional.

    Essas localidades, na Amazônia, no sertão nordestino, nas barrancas interioranas, nos grotões, e mesmo nas periferias das grandes cidades, são verdadeiros “cus do judas”, com perdão da má palavra.

    Raros profissionais recém-formados querem ir para lá, e muitas vezes, há informações de que a remuneração é compensadora. Mas o local fica longe da praia, dos xópins cênteres, das baladas, e por isso, não interessa.

    Os médicos cubanos virão com o objetivo preciso, cumprindo a tarefa que lhes foi designada pelo governo de seu país. Vão exercê-la, tal como o fazem na América Central, na Venezuela, no Equador, na Bolívia, na África.. Cumprirão o papel, portanto.

    E podemos até dizer que alguns se inscreveram porque pretendem desertar para o tal de “Ocidente”. Mesmo assim, serão úteis. Enquanto não cumprirem suas tarefas, não receberão seus salários. A deserção só poderá ocorrer depois de cumprido o tempo de serviço.

    Só aí eles terão como se integrar aqui “no Ocidente”, seja com “o Ocidente” reconhecendo seus diplomas, ainda vistos com suspeição, seja vendendo amendoim nas esquinas para pagar o aluguel ou a vaga na pensão e lamentando a perda da moradia garantida em Cuba, como fazem agora os cubanos que fugiram para “o Ocidente”, no caso, a Espanha, e agora estão despejados por falta de pagamento das prestações da casa, e que os bancos hipotecários tomaram.

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