À beira da falência: “Estado de Minas” coloca sede à venda e “Estadão” demite jornalistas

Estado_Minas_Jornal

A semana passada terminou com duas notícias que mostram a crise que vive a imprensa hegemônica no País: o jornal Estado de Minas está vendendo sua sede e O Estado de S.Paulo, após “pesquisas qualitativas e entrevistas em profundidade com diversos setores da sociedade”, resolveu enxugar a publicação e acabar com vários cadernos. Com isso, o diário da famiglia Mesquita irá demitir dezenas de jornalistas. Pelo visto, a crise não é só financeira, mas também de credibilidade, porque o número de assinantes e de venda em banca está caindo vertiginosamente. Isso que dá querer tratar os leitores como idiotas. Podem esperar, para os próximos anos, novas baixas da mídia golpista. E viva a blogosfera!

Jornal Estado de Minas coloca sua sede à venda

Com informações do Brasil 247

A exemplo do que está ocorrendo com o Washington Post, que colocou à venda sua sede nos Estados Unidos, o Estado de Minas, mais tradicional jornal mineiro, também busca um comprador para o edifício onde está instalada sua redação. Trata-se de um prédio na Avenida Getulio Vargas, num dos pontos mais valorizados de Belo Horizonte. De acordo com fontes do mercado imobiliário local, o jornal, que pertence aos Diários Associados, estaria pedindo R$50 milhões, mas teria ofertas de, no máximo, R$30 milhões.

A venda da sede do Estado de Minas é mais um capítulo da crise da mídia impressa. O jornal mineiro enfrenta custos crescentes, queda de circulação e diminuição da receita publicitária. A direção do grupo deve transferir a redação para a sede da TV Alterosa, retransmissora do SBT em Minas Gerais.

***

Estadao_Logo02Estadão anuncia mudanças e deve demitir 50 jornalistas

Com informações da CartaCapital

Em comunicado interno divulgado na sexta-feira, dia 5, o diretor de Conteúdo de O Estado de S.Paulo, Ricardo Gandour, anunciou mudanças na “configuração de cadernos” do centenário jornal diário. O anúncio foi acompanhado pela notícia, ainda não oficializada, de que cerca de 50 profissionais da redação serão demitidos. Dezenas de jornalistas haviam deixado o jornal recentemente em razão do fechamento do Jornal da Tarde. O anúncio interno foi republicado no site Blue Bus.

Segundo Gandour, o Estadão terá, a partir do próximo dia 22, apenas três cadernos e um suplemento. Haverá somente uma edição, que será fechada às 21h30. Antes, havia as versões “nacional”, que fechava antes, e a “São Paulo”, que rodava no fim da noite e permitia a inclusão de notícias de última hora aos leitores paulistanos. Isso significa, por exemplo, que o Estadão não conseguirá noticiar jogos de futebol iniciados a partir das 22 horas.

Um único caderno trará as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorporará comportamento digital e literatura.

A decisão foi tomada, segundo a nota, em razão de pesquisas qualitativas e entrevistas em profundidade com diversos setores da sociedade. Esses levantamentos, ainda de acordo com o editor, mostraram que os leitores querem mais conveniência e eficiência de leitura e um jornal mais compacto em dias úteis.

***

Leia também:

Em uma semana, dois jornalões morrem e acaba a parceria do Estadão com a ESPN em rádio

Tags: , , , , ,

6 Respostas to “À beira da falência: “Estado de Minas” coloca sede à venda e “Estadão” demite jornalistas”

  1. Maura Bertoli Says:

    Pena que isto aconteça, pois acho muito gostoso ler jornais impressos.Pena também para os inúmeros jornalistas que ficarão sem emprego. Esta já é uma profissão desvalorizada, mal paga. e agora pior sem vaga no mercado.

  2. Geraldo de Margela Fernandes Says:

    Fui leitor de jornais e revistas por mais de 40 anos. Com os novos meios de informação fui gradativamente deixando de assinar e ler Jornais e revistas. Verifico que ao adquirir um meio de comunicacão desse formato compro o que quero ler e o que não quero. Tem o incomodo de assinar e não receber, comprar nas bancas implicar em deslocamento, segurança, trânsito.

    A linha editorial desses veículos é outros problema. O último Jornal que assinei tinha um colunista que esculachava os meus candidatos, cortei a assinatura e deixei de ler aquele reaça, de ser agredido. Quase todos os meios de comunicação mercantil é um balcão de negócio, ele vende seus espaços, a asissinatura dos seus leitores, sua linha editorial combina com os interesses ideológicos dos seus donos e com o desejo do mercado. Ele tenta lhe enquadrar numa lógica mercantil, desumanidade. Sem compromisso de mudança, sem democracia, sem abertura aos seus leitores. Lembro que ao buscar publicar algum artigo nos jornais tinha que peregrinar nas redações pedindo favor para ter suas idéias circulando, uma humilhação. Hoje escrevo quando tenho vontade, publico nas redes sociais. Que bom, que avanço, que liberdade.

    Penso que o destino da imprensa escrita é sumir, sem me deixar saudade. Trabalho com 107 alunos de classe média em um curso de direito da UNiversidade pública, somente dois lêem jornal. Porém todos estão nas redes sociais. Faço minha comunicação e até oriento por esse meio. Que bom, não tem hora marcada, dia definido. A questão é possibilitar o acesso a todos, aí teremos um sociedade mais e melhor informada, uma civilização mais humanizada. Basta saber escolher o que ler.

  3. Ricardo Augusto E. A. Pinho Says:

    quem não tem cão…caça com gato?” péra aí”…acho que caçar com tigre é bem mais rápido ainda…né?

  4. Ricardo Augusto E. A. Pinho Says:

    Morei na Flórida/ USA, até 2 anos atrás e li o jornal “Sun Sentinel” até meu último dia de estada lá, quando o mundo já se comunicava quase que somente “Online” mas, nem por isso , deixei de ler o jornal do dia… bem…dois anos depois, as coisas mudaram muito e não me admiro de que a imprensa escrita esteja à perigo, com as novas regras adotadas pela comunicação instantânea via celular e computadores…Sempre fui leitor do Jornal da Tarde aqui em São Paulo, por ser algo mais enxuto e de menor volume…hoje, após seu fechamento, tive que optar por um outro do mesmo porte… leio diariamente o Diário…pena que não tenha um “Caderno 2″…como artista plástico sempre procurei algo mais direcionado às notícias que me interessam…as quais encontro na Web; certamente mas…ainda sou saudosista e faz parte do meu dia, comprar o jornal pela manhã…Ricardo Augusto

  5. À beira da falência: “Estado de Minas” coloca sede à venda e “Estadão” demite jornalistas | florencio1 Says:

    […] À beira da falência: “Estado de Minas” coloca sede à venda e “Estadão” demite jornalista…. […]

  6. Marcos Pinto Basto Says:

    Essa mídia cheia de caruncho bolorento, venal de fazer mal está agonizando, vítima do próprio veneno. Tanto desinformou que se tornou imprestável. O futuro está na web, sempre esteve, mas ainda estão descobrindo as vantagens.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: