Justiça sequestra R$100 milhões em bens da quadrilha de Cachoeira

Cachoeira06_BiquinhoEsse valor equivale a uma parcela da dívida da quadrilha com a sociedade, diz juiz federal. Decisão inclui propriedades de sentenciados e “laranjas”. Ainda cabe recurso.

Com informações de Paula Resende e Gabriela Lima

A Justiça Federal decretou a perda de mais de R$100 milhões em bens adquiridos pelo grupo do bicheiro Carlos Augusto Ramos Cachoeira, o Carlinhos Cachoeira, no esquema de exploração de jogos ilegais e corrupção em Goiás e no Distrito Federal. Segundo a decisão do juiz federal substituto Daniel Guerra Alves, o valor é uma parcela da dívida que o grupo teria com a sociedade, pois o cálculo total do prejuízo ainda deverá ser feito.

O juiz também fixou multa de R$156 mil em favor da União, como reparação proporcional ao dano causado pela investida policial na Operação Monte Carlo. O valor da multa considerou o reforço policial e o aumento de custos com diárias de servidores. A decisão foi tomada na quarta-feira, dia 13, mas divulgada na quinta-feira, dia 21, pelo Ministério Público Federal de Goiás (MPF/GO). Ainda cabe recurso.

Os bens estão em nome dos sentenciados: Idalberto Matias, Lenine Araújo de Souza, Raimundo Washington Souza Queiroga, José Olímpio de Queiroga e Carlos Augusto Ramos Cachoeira. Há também propriedades registradas no nome de “laranjas” e de empresas.

A defesa de Carlinhos Cachoeira disse que ainda não foi intimada da decisão, mas “seguramente” irá recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília.

A decisão foi tomada após o MPF apresentar embargos de declaração solicitando o esclarecimento de pontos obscuros e contraditórios na primeira ação penal, proferida em dezembro do ano passado. Os procuradores da República Léa Batista de Oliveira e Daniel de Resende Salgado pediram que o grupo perdesse os bens adquiridos com proveito de crime, além de que reparasse o dano causado, o que foi acatado pela Justiça.

O MPF também pediu a mudança de regime para os sentenciados Wladimir Garcez e Gleyb Ferreira. Eles foram condenados a cumprir a pena privativa de liberdade em regime semiaberto. No entender dos procuradores, o juiz sentenciante reconheceu a quadrilha “com contornos de organização criminosa”, o que, segundo eles, ensejaria no início do cumprimento de pena em regime fechado. A recomendação não foi acatada pelo juiz substituto.

Condenação

A Operação Monte Carlo denunciou 80 pessoas. Dentre elas, Cachoeira e mais sete foram condenados por crimes de quadrilha, corrupção ativa, violação de sigilo funcional, advocacia administrativa, peculato e furto.

A pena aplicada contra eles foi: Carlinhos Cachoeira, a 39 anos e 8 meses; Lenine Araújo, a 24 anos e 4 meses de prisão; José Olímpio Queiroga Neto, a 23 anos e 4 meses; Idalberto Matias, o Dadá, a 19 anos e três meses; Geovani Pereira da Silva, a 13 anos e 4 meses; Raimundo Queiroga, a 12 anos e 8 meses; Gleyb Ferreira da Cruz, a 7 anos e 8 meses; e Wladimir Garcez, a 7 anos. Todos ganharam o direito de recorrer da sentença em liberdade.

Cachoeira_Bens

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3 Respostas to “Justiça sequestra R$100 milhões em bens da quadrilha de Cachoeira”

  1. Marcos Pinto Basto Says:

    Lógico que não foram afetados, nem serão! Mas tem muito mais gente importante na penumbra que não descansa enquanto não virem o caso abafado. O Sérgio Cabral Fº é um deles, mas são muitos mais. O Cachoeira tem muitas provas demolidoras e estão bem guardadas esperando algum espertinho fazer das suas!

  2. Sérgio Martins Says:

    Será que os bens do Policarpo e do Civita também serão bloqueados? Pelo o que sei, também fazer parte da quadrilha, não?

  3. Marcos Pinto Basto Says:

    A bem da verdade, Carlinhos Cachoeira deveria ser cooptado pelo governo federal, de modo a esclarecer sobre a dimensão da rede de corrupção e tráfico de influências que ele dirigia e creio, ainda tem enorme influência. Existem muitos passarões bem piores que ele no comando da pressuposta rede, fazendo de tudo para abafar o caso, com alguns prejuízos aparentes, mas não passa tudo de encenação embromatória.

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