Recordar é viver: Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil

Folha de São Paulo de 29/4/1999.

Folha de S.Paulo de 29/4/1999.

Antes de ler a notícia sobre a doação do dinheiro, é necessário lembrar alguns fatos ocorridos no (des)governo FHC e como agia o Banco Central e o Proer na época.

Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, foi protagonista de um dos maiores escândalos do País. O caso atingiu diretamente o então presidente do Banco Central, Francisco Lopes.

Em janeiro de 1999, o BC elevou o teto da cotação do dólar de R$1,22 a R$1,32. Essa era a saída para evitar estragos piores à economia brasileira, fragilizada pela crise financeira da Rússia, que se espalhou pelo mundo a partir do final de 1998.

Naquele momento, o banco de Cacciola tinha 20 vezes seu patrimônio líquido aplicado em contratos de venda no mercado futuro de dólar. Com o revés, Cacciola não teve como honrar os compromissos e pediu ajuda ao BC.

Sob a alegação de evitar uma quebradeira no mercado – que acabou ocorrendo –, o BC vendeu dólar mais barato ao Marka e ao FonteCindam, ajuda que causou um prejuízo bilionário aos cofres públicos.

Dois meses depois, cinco testemunhas vazaram o caso alegando que Cacciola comprava informações privilegiadas do próprio BC. Sem explicações, Lopes pediu demissão em fevereiro.

A chefe interina do Departamento de Fiscalização do BC era Tereza Grossi, que mediou as negociações e pediu à Bolsa de Mercadorias & Futuros uma carta para justificar o socorro. O caso foi alvo de uma CPI, que concluiu que houve prejuízo de cerca de R$1,5 bilhão aos cofres públicos.

A CPI acusou a alta cúpula do Banco Central de tráfico de influência, gestão temerária e vários outros crimes. Durante depoimento na comissão, Lopes se recusou a assinar termo de compromisso de falar só a verdade e recebeu ordem de prisão.

Em 2000, o Ministério Público pediu a prisão preventiva de Cacciola com receio de que o ex-banqueiro deixasse o País. Ele ficou na cadeia 37 dias, mas fugiu no mesmo ano, após receber liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. Pouco tempo depois de se descobrir o paradeiro do ex-banqueiro, o governo brasileiro teve o pedido negado pela Itália, que alegou o fato de ele ter a cidadania italiana.

No livro Eu, Alberto Cacciola, confesso: o Escândalo do Banco Marka (Record, 2001), o ex-banqueiro declarou ter ido, com passaporte brasileiro, do Brasil ao Paraguai de carro, pego um avião para a Argentina e, de lá, para a Itália.

Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato – utilizar-se do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro – e gestão fraudulenta (depois de extraditado da Itália, cumpriu 3 anos de pena e agora está livre, leve e solto).

Após um processo que durou 13 anos, em 29 de março de 2012, o juiz Ênio Laércio Chappuis, da 22ª Vara Federal do Distrito Federal, condenou por improbidade administrativa e ao ressarcimento de uma soma bilionária aos cofres públicos os principais envolvidos no escândalo que ficou conhecido como “Marka e FonteCindam”. As condenações decorrem de duas ações civis, uma pública, ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), e outra popular, e atingem sete pessoas, dentre elas o então presidente do BC, Francisco Lopes Francisco Lopes (10 anos de cadeia), a diretora de Fiscalização do BC Tereza Grossi (6 anos) e os ex-diretores do BC Cláudio Mauch e Demóstenes Madureira de Pinho Neto (5 anos).

As sentenças atingiram também o Banco Central, a BM&FBovespa, o BB Banco de Investimentos e o Marka, e determina que os réus terão de ressarcir danos ao erário de cerca de R$895,8 milhões, em valores de fevereiro de 1999. O magistrado ainda declarou nula “a operação de socorro feita pelo Banco Central ao banco Marka”.

Agora, caro leitor, sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada. E o Cacciola até brindou FHC com uma doação de sua empresa para sua reeleição. Onde estariam os paladinos da justiça e da ética do STF? Já pensou se fosse o Lula?

Cacciola04Cacciola doou R$50 mil para FHC em 1998

Sistema financeiro: Empresa que fez a doação foi a Sacre, uma das 21 das quais o dono do Marka aparece como sócio.

Fernando Rodrigues, sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo

O dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, doou R$50 mil para a campanha eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso no ano passado. A doação está na listagem oficial da prestação de contas de FHC, disponível no Tribunal Superior Eleitoral.

A doação de Cacciola foi feita por intermédio de uma de suas empresas, a Sacre Empreendimentos e Participações Ltda. A operação aparece na listagem da prestação de contas de FHC com a data 19 de agosto de 1998.

A Sacre está registrada em nome de Cacciola e de Regina Maria Moisés Cacciola, ex-mulher do banqueiro. A Folha verificou que a última alteração do contrato social dessa empresa é de 22 de julho do ano passado, e os dois aparecem como proprietários. Cacciola e seus sócios no Banco Marka aparecem como donos ou coproprietários em, pelo menos, 21 empresas.

A Sacre é uma empresa que faz quase de tudo, conforme seu contrato social. Compra, vende, importa, exporta, faz locação de espaços, entre outras atividades. A Sacre é proprietária da Holon Participações, outra das empresas de Cacciola. A Holon é uma das principais acionistas do Marka.

Cacciola, segundo apurou a CPI dos Bancos, tem como estratégia diluir seus negócios entre várias empresas associadas entre si.

Não está claro o objetivo desse artifício, mas os senadores que investigam o caso consideram que essa grande divisão dificulta a fiscalização das ações empresariais do banqueiro.

Com base na lista de 21 empresas ligadas a Cacciola, o deputado federal Agnelo Queiroz (PCdoB/DF) fez um amplo levantamento da situação de todos os negócios do banqueiro junto a órgãos federais como o TSE, a Receita Federal e o Sisbacen (sistema informatizado de dados do Banco Central).

Além de descobrir que a empresa Sacre era doadora da campanha de FHC, o deputado Agnelo também verificou que quatro empresas de Cacciola estão no Cadin, o cadastro de empresas em débito com o governo federal – e, supostamente, não poderiam vender serviços e mercadorias a órgãos oficiais.

O levantamento de Agnelo, junto com o já realizado pelo deputado Aloizio Mercadante (PT/SP) sobre bancos que lucraram com a desvalorização do real, é uma forma de os deputados tentarem participar das investigações da CPI.

“É importante o conhecimento a fundo dessas empresas do senhor Cacciola para entendermos as ligações que existem entre o governo e o meio financeiro”, diz Agnelo.

Leia também:

 

Entenda o motivo de a mídia golpista atacar a Petrobrax, quer dizer, Petrobras

 

Banqueiro do propinoduto paulista vendeu apartamento a FHC. Já pensou se fosse o Lula?

 

O Príncipe da Privataria: Livro revela como FHC comprou a reeleição

 

O Príncipe da Privataria: A Folha confirma o nome do “Senhor X”

 

Leandro Fortes: A privataria e as desventuras do príncipe

 

O Príncipe da Privataria: Livro revela como FHC comprou sua reeleição

 

Emprego: Um semestre de Dilma é melhor do que oito anos de FHC

 

Por que a reeleição de FHC nunca chegou ao STF

 

Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil

 

Proer, a cesta básica dos banqueiros

 

FHC só lançou programas sociais a quatro meses da eleição de 2002

 

A Folha noticiou a compra de votos por FHC para a reeleição, mas depois se “esqueceu”

 

Histórico catastrófico da era FHC

 

O que Dilma deve a FHC para ser chamada de ingrata?

 

Vídeo: Entenda como e por que FHC quebrou o Brasil três vezes

 

Celso Lafer descalço em aeroporto exemplifica submissão de FHC aos EUA

 

Em vídeo, Itamar Franco esclarece que o Plano Real não é obra de FHC

 

Salário mínimo: As diferenças entre os governos FHC e Lula/Dilma

 

Vídeo: Já pensou se fosse o Lula? FHC embriagado na Marquês de Sapucaí

 

FHC, o reacionário

 

Conheça o apartamento de FHC em Paris. Ele tem renda pra isso?

 

Vídeo: FHC tenta mentir em programa da BBC, mas entrevistador não cai nas mentiras

 

Adib Jatene: “FHC é um homem sem palavra e Serra, um homem sem princípios.”

 

FHC compra o Congresso: Fita liga Sérgio Motta à compra de votos para reeleição

 

FHC comprou o Congresso. O STF não vai fazer nada?

 

FHC disse muitas vezes: “Não levem a sério o que digo.”

 

FHC e a reeleição comprada: Por que a Veja não consulta seus arquivos?

 

O retrato do desgoverno de FHC

 

Governo FHC: O recheio da pasta rosa e o caso do Banco Econômico

 

Os crimes de FHC serão punidos?

 

O Brasil não esquecerá os 45 escândalos que marcaram o governo FHC

 

FHC ao FMI: “CEF, Banco do Brasil e Petrobras estão à venda.”

 

As viagens de FHC, de Lula e a escandalização seletiva

 

Dinheiro da CIA para FHC

 

A festa de 500 anos do Brasil de FHC dá prejuízo de R$10 milhões ao estado da Bahia

 

FHC: PSDB está longe do povo. Partido nem sequer sabe o que é povo

 

Com indicação de FHC para ABL, Sarney faz Ayres Britto esperar a morte de outro “imortal”

 

Vídeo em que FHC chama os aposentados de vagabundos

 

Documentos revelam participação de FHC e Gilmar Mendes no mensalão tucano

 

FHC: “Nós, a elite, temos tendência à arrogância.”

 

FHC e o vitupério

 

Bob Fernandes escancara a relação de FHC com a espionagem dos EUA

 

Contratada por FHC, Booz Allen já operava como gabinete de espionagem dos EUA

 

Se cuida, FHC: Vem aí a CPI da Espionagem da CIA

 

A empresa que espionava o Brasil prestava consultoria ao governo de FHC

 

Era Lula cria mais empregos que FHC, Itamar, Collor e Sarney juntos

 

FHC já defendeu uma nova Constituinte, mas agora acha autoritarismo. Pode?

 

FHC se diz contra 100% dos royalties para a educação

 

FHC já admite que Aécio não tem condições de ser candidato

 

FHC é o bafômetro de Aécio

 

FHC não mostrou o Darf

Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal

Tags: , , , , ,

4 Respostas to “Recordar é viver: Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil”

  1. Arlete Souza Says:

    Recordar é ACORDAR A CONSCIÊNCIA CRÍTICA DO CIDADÃO.

  2. Recordar é viver: Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil | " F I N I T U D E " Says:

    […] Recordar é viver: Para a reeleição de FHC, Cacciola doou R$50 mil […]

  3. anisioluiz2008 Says:

    Reblogged this on O LADO ESCURO DA LUA.

  4. odilon José Fernandes Says:

    Pô caras, a gente viveu esse episódio e não se lembrava, ehim! E apesar da miséria, da fome e do desemprego que assolava o país na época imprensa não viu escândalo e nem corrupção nisso não é? Acho que o congresso é mais puro que a imprensa golpista. Temo a parceria da pig com o STF.

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: