São Paulo: Um freio na PM

Agora, somente a equipe do Samu poderá atender os acidentados nas ruas.

Agora, somente a equipe do Samu poderá atender os acidentados nas ruas.

Carlos Motta em seu blog

A Polícia Militar paulista não se conforma com a norma baixada pelo governo do Estado que a proíbe de prestar atendimento a vítimas graves. Com essa resolução fica mais difícil para os PMs mexerem na chamada “cena do crime”, prática que era muito comum e que visava isentá-los de qualquer complicação posterior à ocorrência.

O que os jornais cansaram de noticiar era que, depois de trocar tiros com a polícia, o meliante, ferido, era “socorrido” pelos PMs e, infelizmente, chegava sem vida ao hospital.

O que se sabe é que, sob o pretexto de “socorrer” as vítimas, os PMs acabavam por executá-la. A ocorrência era registrada nas delegacias como “resistência seguida de morte”.

Agora, atendendo a pedido da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a Polícia Civil de São Paulo não vai mais registrar ocorrências de homicídios cometidos por policiais como “resistência seguida de morte”.

Assim, casos em que pessoas são mortas após supostos conflitos com a força pública de segurança deverão ser registrados como “morte decorrente de intervenção policial”. A recomendação da SDH foi feita no início de dezembro como forma de evitar a manipulação dos registros policiais.

O esperneio da PM, portanto, tem seus motivos: as novas resoluções permitem que as ocorrências com feridos ou mortos sejam devidamente investigadas. Antes, bastava apenas a palavra dos policiais para dar o caso por encerrado, já que a vítima do confronto havia morrido “a caminho do hospital”.

A segurança pública tem sido o calcanhar de aquiles do governo de Geraldo “Picolé de Chuchu” Alckmin, que, recentemente, trocou toda a cúpula do setor.

Essas medidas são, claramente, para mostrar à tropa que existe um comando externo. Podem não ser suficientes para mudar a mentalidade dos policiais militares paulistas, que ainda vivem como se estivessem na ditadura, mas servem como um recado para que mudem seu modo de agir, incompatível com o atual estágio da democracia brasileira.

Quem sabe agora a PM refreie, um pouco que seja, a fúria de seus cães de caça.

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2 Respostas to “São Paulo: Um freio na PM”

  1. Clovis Pacheco Filho Says:

    Como tantas medidas têm seu efeito perverso, poderemos notar em breve que mais gente morrerá na rua de enfarto, derrame e que tais, porque a PM não poderá ajudá-los, levando-os para o hospital, uma vez que o número de ambulâncias irá, seguramente, permanecer o mesmo.

  2. João Alberto de Lima Nassif Says:

    Qquer medida é bem vinda porem sem política de segurança pública com o tempo vira perfumaria.

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