José Dirceu: “Gurgel deixa claro que nunca houve provas.”

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“As declarações do procurador-geral da República na edição de hoje [10/1] da Folha de S.Paulo deixam claro, mais uma vez, que nunca houve provas contra mim na Ação Penal 470, julgada pelo Supremo Tribunal Federal”, escreveu o ex-ministro José Dirceu em seu blog. Na entrevista, o procurador-geral da República disse que “em nenhum momento nós apresentamos ele [Dirceu] passando recibo sobre uma determinada quantia”

Via Brasil 247

Condenado no julgamento do mensalão, o ex-ministro José Dirceu aproveitou a entrevista concedida pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, à Folha de S.Paulo (leia mais) para reforçar os argumentos de que é inocente. “As declarações do procurador-geral da República na edição de hoje [10/1] da Folha de S.Paulo deixam claro, mais uma vez, que nunca houve provas contra mim na Ação Penal 470, julgada pelo Supremo Tribunal Federal”, escreveu Dirceu em seu blog.

Na entrevista, Gurgel diz que “Não é prova direta”. “Em nenhum momento nós apresentamos ele passando recibo sobre uma determinada quantia ou uma ordem escrita dele para que tal pagamento fosse feito ao partido ‘X’ com a finalidade de angariar apoio do governo. Nós apresentamos uma prova que evidenciava que ele estava, sim, no topo dessa organização criminosa”, disse o procurador-geral.

“Sou inocente porque não cometi crime algum. Não há crime. E por isso não há provas”, escreveu Dirceu. Leia o posicionamento dele abaixo:

Nota de esclarecimento sobre a entrevista do procurador-geral da República à Folha de S.Paulo

As declarações do procurador-geral da República na edição de hoje [10/1] da Folha de S.Paulo deixam claro, mais uma vez, que nunca houve provas contra mim na Ação Penal 470, julgada pelo Supremo Tribunal Federal.

O procurador-geral confessa que não tinha provas e que se apoiou na farsa de supostos telefonemas e reuniões-relâmpago. No entanto, meus sigilos fiscal, bancário e telefônico foram quebrados – e nada foi encontrado. O procurador-geral não apresentou nem sequer uma testemunha ou prova de qualquer reunião.

Na entrevista, o procurador-geral ainda tenta, sem sucesso, manter algum resquício de coerência em suas declarações ao justificar minha condenação com base no uso equivocado da teoria do domínio do fato. Tal uso equivocado já foi exaustivamente apontado por juristas e acadêmicos ao longo do julgamento.

Indício e provas o procurador-geral tinha contra Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira. E ele se recusou a investigá-los.

São graves as declarações do procurador-geral porque também lançam a suspeita da existência de outros crimes que ele não denunciou. E pior: coloca sobre as costas do Supremo Tribunal Federal minha condenação sem provas como um avanço, quando na verdade é um retrocesso e uma violação de meus direitos constitucionais e das garantias individuais de todos os cidadãos.

Sou inocente porque não cometi crime algum. Não há crime. E por isso não há provas.

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5 Respostas to “José Dirceu: “Gurgel deixa claro que nunca houve provas.””

  1. Clovis Pacheco Filho Says:

    Caro Nadai, concordo com quase tudo, exceto com a ilusão da magistratura eleita! Seria uma desgraça pior ainda! Justiça eleita o Brasil já teve, no tempo do Império, e foi terrível!

    Quem é o especialista em ganhar eleições? O bacharel em Direito ou o político partidário? Um bachareleco qualquer, de meia-tigela, pode ganhar do mais sábio e digno jurista! Quem terá mais votos, Paulo Maluf ou Dalmo Dallari, hoje? Ademar de Barros ou Sobral Pinto, em tempos anteriores?

    Como serão os juízes eleitos palea Bahia de ACM, seja o avô, seja o neto, o Maranhão de Sarney, o Pará de Jader Barbalho?

    E quanto à competência técnica? As baiúcas vendedoras de diplomas vomitam bacharéis anualmente, por toneladas! Se pagaram, elas entregam o produto, que é o tal de “deproma”. O pagante, agora “depromado”, pode ostentar o título de “dotô adevogado data venia” para o resto a vida. E também poderá concorrer ao cargo de juiz…

    O critério existente para o provimento de ministros do Supremo Tribunal Federal é ruim, o da escolha pelo presidente da República. Mas o da eleição popular, muitíssimo pior! O concurso rigoroso, pelo menos, é mais isento de partidarismos e favorecimentos, além de resguardar o critério da competência técnica.

  2. Benevenuto Nadal Says:

    Nossa justiça, parece piada! O proprio PGR deixa claro que não há provas para julgar os envolvidos no chamado mensalão, e mesmo assim os ministros do STF condenam e querem cassação de mandatos, baseado em que? Indícios? Ou apenas em preconceito contra trabalhadores no poder máximo da nação? Ministro do Supremo que se envove com revistas de baixo nível com o intuito de condenar o Lula, que dá hábeas corpus em plena madrugada para bandido/extrupador condenado a mais de 270 anos de prisão, e por cima desbloqueia bens do bandido para serem vendidos na calada da noite… Com que moral os ministros do STF podem julgar quem quer que seja???????????
    O STF precisa de reforma urgênte; todos os ministros tem que ter tempo predeterminado no cargo, e devem ser eleitos diretamente pelo povo! E devem ser sujeitos a cassação!!!!!!

  3. Marcos Pinto Basto Says:

    A condenação de José Dirceu a 10 anos de prisão pelos ministros do “stf-superior tribunal federal”, é a maior prova de que não temos uma suprema corte jurídica. Os advogados dele também não foram capazes de mostrar sua indignação por tamanho atropelo da lei feito por juízes que todos nós julgávamos serem os supremos julgadores de processos muito importantes de acordo com a gravidade das acusações!
    Se a acusação não apresentou provas materiais e testemunhais de algum delito cometido por José Dirceu, como tais juízes o condenam a 10 anos de prisão com base na teoria do domínio do fato? Pelo menos deveriam explicar melhor quais são os motivos que os levaram a concluir que José Dirceu cometeu um delito grave quando era ministro da Casa Civil do governo Lula, mas NÃO EXPLICARAM E MUITO MENOS JUSTIFICARAM QUALQUER DELITO!
    Então somos obrigados a reconhecer que os juízes erraram e como são ministros daquilo que julgávamos ser uma corte suprema, o erro foi muito maior, mais parecendo vingança encomendada pelos numerosos e poderosos inimigos que José Dirceu tinha como Ministro da Casa Civil quando acabou com privilégios de muitos, principalmente da grande mídia que sempre enganou o Povo e continua enganando agora, propagando esta condenação como fruto da justiça! Isto com tanto e tão grande ladrão que foram libertados pelos mesmos juízes!
    Houve sim muita falta de coerência e honestidade moral desses ministros que provaram não ser dignos do cargo que ocupam!

  4. anisioluiz2008 Says:

    Reblogged this on O LADO ESCURO DA LUA.

  5. Clovis Pacheco Filho Says:

    Talvez ele pague o que fez por meio do que alega não ter feito… É o devedor certo, pagando a conta que diz ser errada!

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