Seria o Estadão um jornal “nascido para perder”?

Nascidos para perder

Segundo o jornalista Mylton Severiano da Silva, que publicou livro sobre os Mesquita, a família perde disputas políticas desde 1932, quando enfrentou Getulio Vargas. No sábado, dia 27, comandado por Francisco de Mesquita Neto, o jornal pregou que São Paulo resista contra Fernando Haddad. A derrota é vocacional?

Via Brasil 247

Nascidos para perder. Assim o jornalista Mylton Severiano da Silva, conhecido no meio como “Miltainho”, batizou um livro que lançou sobre a família Mesquita, do jornal O Estado de S.Paulo, no início deste ano. Um livro que, naturalmente, mereceu o silêncio dos demais meios de comunicação. No subtítulo, Miltainho foi ainda mais explícito: “História do Estadão, jornal da família que tentou tomar o poder pelo poder das palavras – e das armas.”

Autor do prefácio, o jornalista Palmério Dória resumiu que o livro, “mais que a história do Estadão, expõe sua vocação para a conspiração, e a derrota”. Ao longo de sua história, o Estadão enfrentou Getulio Vargas, apoiou o golpe militar de 1964, do qual foi vítima da censura, anos depois, e também não aderiu à campanha das Diretas Já. Lula e o PT sempre foram adversários – e contra eles o jornal se posicionou em todas as eleições.

Neste ano, com a eleição municipal aparentemente decidida em São Paulo, em favor de Fernando Haddad, o jornal decidiu se associar a mais uma derrota, pregando que a cidade resista ao avanço do PT (leia mais aqui). Um editorial que poderia ter sido escrito em 1932 ou em 1964.

Curiosamente, Myltainho iniciou sua pesquisa por encomenda da Editora Abril, onde trabalhava na década de 1970. Os Civita se sentiam perseguidos pela família Mesquita, que desconfiava da presença de capital estrangeiro na sua composição, aliás, como muitos desconfiam até hoje.

Myltainho escreveu o livro juntamente com o jornalista Hamilton Almeida Filho, já falecido, a quem dedica a obra in memoriam. “A Abril o incumbiu em 1979 de chefiar uma equipezinha, uns dois ou três repórteres, além de seu próprio trabalho de campo, para contar a história do Estadão”, conta Myltainho, acrescentando que o jornal pegava no pé da editora, acusando-a de ter participação estrangeira no capital, e a Abril decidiu retaliar.

Durante muitos anos, o livro foi engavetado até ser lançado neste ano pela Editora Insular, de Florianópolis, onde pode ser adquirido pela internet (http://www.insular.com.br/), pelo telefone (48) 3232-9591 ou pelo e-mail editora@insular.com.br.

A derrota deste ano, no entanto, não é apenas de O Estado de S.Paulo, mas de todos os grandes meios de comunicação tradicionais, como Veja, Globo e Folha, que estiveram unidos e engajados em favor de José Serra – o Estadão, ao menos, explicitou sua posição em seu editorial. Aparentemente, para perder – o que talvez seja uma vocação.

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2 Respostas to “Seria o Estadão um jornal “nascido para perder”?”

  1. jorge geovane Says:

    você novamente seu traidor neoliberal

  2. Gerhard Erich Boehme Says:

    Não foi o Estadão que perdeperderam os brasileiros. O Estado de S. Paulo foi e ainda é um dos poucos veículos em defesa da liberdade, principalmente a liberdade econômica.

    Mas no Brasil não há espaço para a liberdade, Somos uma nação voltada para uma sociedade de privilegiados. Essa é que é a realidade.

    “No Brasil de hoje não é mais o mérito que determina o valor das pessoas, mas sua ideologia. Sua cor. Sua raça. Falar bem o idioma é motivo de piada. Ser elite é quase uma maldição. Música de sucesso é aquela que for mais escatológica. O homem honesto aparece na televisão como se fosse algo inédito. Roubar é normal. Bala perdida é normal. Corrupção é normal. Vivemos uma inversão de valores sem precedentes e é contra esse estado das coisas que devemos gritar” (Luciano Dias Pires Filho)

    Com a república, e seu positivismo, passamos a ter a sociedade dos privilegiados. Este negócio de direita e esquerda permite que entrem em cena atores de um enredo menor num país onde o Estado sempre soube definir-se como um fim em si mesmo, como uma encarnação falsificada da Nação. O Estado sempre foi propriedade privada de poucos, e por isso Brasil nasceu e cresceu desigual. A maioria, ou o povo, esta entidade sem rosto, multidão silenciosa e amorfa, sempre foi coadjuvante da sociedade do privilégio e, basicamente, é gente demais para dividir a pouca riqueza existente.

    A democracia de massa no Brasil, a oclocracia, é fenômeno muito recente, e seu aparecimento em meados dos anos 1980 tem a mais inesperada consequência: a hiperinflação. O leitor já parou para pensar por que a inflação vai de 100% anuais para 84% mensais de 1984 a 1989 durante os primeiros anos de democracia depois de três décadas de ditadura?

    A resposta para este enigma é simples: o Povo quis participar da Sociedade do Privilégio, anseio absolutamente legítimo, pois se as políticas públicas eram dirigidas a setores “especiais” ou “estratégicos”, por que exatamente alguém, qualquer pessoa, deve ser excluído desta categoria? Por que apenas alguns e não todos não são merecedores das benesses do Estado?

    Os primeiros anos da nossa democracia de massa produziram a hiperinflação por que a dinâmica política foi a de “incorporar” todo mundo que aparecesse, todos que quisessem podiam ter a sua Emenda no Orçamento, a sua “Conquista” consagrada na Constituição, seu programinha de apoio no contexto da “Política Industrial”, todo o país passou a ser “estratégico”, e por força do Princípio da Isonomia, todos passaram a merecer o direito a algum pequeno Cartório pelo menos igual ao do vizinho. Todos se tornaram Credores do Estado, e portanto cobradores implacáveis da Dívida Social.

    O novo Estado Democrático, diante destes anseios, adotou um modelo de “Clientelismo de Massa”, cujo espírito ainda permanece muito vivo, e que consiste em estender a todos os brasileiros algum Privilégio, via orçamento, ou via regulação, por que todos têm direito. É o Espírito (da Constituição) de 1988.

    Todavia, como o Estado não é criador de riqueza, apenas um veículo de transferência, o modelo rapidamente se revelou impraticável. O nobre propósito de “incluir os excluídos” a qualquer custo, acabou corrompido pelo fato de que o dinheiro advinha da tributação do próprio “excluído” através da inflação. Ou das futuras gerações através de dívidas crescentes.

    Todos têm direito, mas simplesmente não é possível conceder tantos privilégios a tanta gente; não vamos acabar com a Sociedade do Privilégio multiplicando Direitos e Privilégios de forma irreal.

    Com efeito, quem vai terminar com a sociedade do privilégio é a economia de mercado, e isso assusta as esquerdas, e não é outro o motivo pelo qual a estabilização, a abertura, a desregulamentação, e a privatização geraram tantas tensões.

    A economia de mercado é subversiva numa sociedade do privilégio pois propugna a competição, a impessoalidade e a meritocracia, e dispensa, tanto quanto possível a interveniência de um Estado cheio de vícios.

    Só uma verdadeira e bem urdida sociedade do privilégio consegue o prodígio de alijar a economia de mercado do sistema político-partidário, e consegue nos impor quatro candidatos a desancar o que chamam de “o modelo neoliberal”, cada qual propondo, em diferentes vestimentas, a extensão de novos privilégios e o crescimento do Estado.

    Uma coisa é certa, como o Luciano Pires nos alerta, nos faltam princípios e valores, e digo mais, nos falta entender nossa história, em especial a história brasileira, com os feitos do engenheiro André Pinto Rebouças, do engenheiro Alfred d’Escragnolle Taunay, o Visconde Taunay e em especial, de Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo.

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